terça-feira, 9 de junho de 2020

O COVID 19 PASSADOS 3 MESES – SERÁ QUE TUDO CORREU BEM?


Esta Pandemia entrou-nos porta adentro, sem que ninguém esperasse, e, pior do que isso, estivesse preparado para um combate convenientemente preparado, para uma solução eficaz.
As autoridades nacionais no domínio da saúde, adoptaram uma estratégia de concentrar todos os recursos, na luta contra esta terrível enfermidade que a todos nos afectou, e para a qual ninguém na verdade, conhecia a panaceia certa para o seu controlo. Isto traduziu-se por concentrar todos os recursos hospitalares na resolução desta nova realidade. Esta solução, como primeira forma de atacar o problema parece-nos acertada. No entanto, é bom não esquecer que a estrutura hospitalar que nós temos, bem como o seu funcionamento apresentava indisfarçáveis fragilidades: os atrasos nas listas de espera; os conflitos com os profissionais de saúde; os doentes em macas pelos corredores; as dívidas a fornecedores, são apenas algumas delas. Ou seja, se a justificação para um ataque musculado à pandemia é compreensível, era conveniente não esquecer que todas as outras patologias não podiam ficar esquecidas, e ficaram por demasiado tempo. Dito por outras palavras, se o combate inicial foi forte, adequado e com resultados evidentes positivos; por outro lado, são conhecidas a forma como foram esquecidos todos os outros doentes com patologias graves e que requeriam uma atenção muito especial. Se as consequências desta acção nos doentes com COVID 19 foi exaustivamente propalada em briefings diários, aparentemente, sobre a evolução das patologias de todos os outros doentes, muito pouco ou nada se sabe.
A forma insistente como as autoridades de saúde e OCS trataram esta pandemia, foram determinantes na contenção do surto, que todos falavam que poderia ter resultados mais devastadores do que aquilo que, felizmente, se veio a verificar. O confinamento, as medidas de afastamento social e de higiene pessoal foram a chave mestra do sucesso do ataque inicial.
Mas será que tudo isto foi a solução mais adequada? Passada esta distância temporal, e com o conhecimento que vamos tendo de diversas situações ocorridas, parece-nos bem que não. Das declarações erráticas e contraditórias da ministra e secretária geral da saúde, à forma tardia e atabalhoada como os lares, os idosos e respectivos agentes operacionais foram testados, revelou que com uma estratégia mais adequada as coisas poderiam ter corrido bem melhor. O surgimento de um novo foco na cintura industrial da Azambuja, revela que muito pouco se fez preventivamente para evitar que, aquela enorme concentração de pessoas não determinasse a tomada de medidas antecipadas (desfasamento de horários, transportes alternativos, despiste de contaminados) com vista ao eficaz controlo da pandemia, como até aqui tinha acontecido. Coincidência ou não, tudo isto acontece precisamente no momento em que se procede ao desconfinamento. Eu penso que não. O prolema existiu porque as medidas preventivas não foram adequadas ou não foram implementadas em tempo oportuno.
Tenho duas patologias que fazem de mim um doente de risco. Por isso, cumpri convictamente, todas as recomendações das autoridades sanitárias. A mensagem que passou, era a que se imponha. Já a forma como ela foi veiculada, foi de amedrontar as pessoas. E, se bem que entenda os propósitos, os resultados são tudo menos animadores. Todas estas medidas de confinamento tiveram um resultado desastroso e imprevisível na nossa economia. A nossa capacidade de recuperação vai depender de um conjunto alargado de factores, muitos dos quais não conseguimos controlar.
A decisão quanto ao desconfinamento, foi do nosso ponto de vista, tardia e atabalhoada. Pior do que isto tudo é a total ausência critérios objectivos para o desconfinamento. Proíbe-se os ajuntamentos nas missas, funerais, cinemas, ginásios, recintos e actividades, desportivos, cafés, restaurantes, escolas, praias, manifestações de caracter religioso ou social, feiras e mercados tradicionais, etc. Por outro permite-se comícios, manifestações e celebrações sindicais e concertos, sem que os critérios, subjacentes ao confinamento, sejam cumpridos. Se a melhor estratégia de combate ao vírus assenta no afastamento social, não se entende que neste caso tenha havido, dois pesos e duas medidas. Se todas estas medidas adoptadas assentam numa decisão política do governo, e com toda a legitimidade, não se compreende a diferença de critérios adoptado. As permissões concedidas foram todas para iniciativas da esquerda. Será que António Costa, por alguma razão “desconhecida” está refém dessa esquerda? Será que as hesitantes tomadas de posição de Marcelo Rebelo de Sousa, não apontam no mesmo sentido?
A mim impuseram-me um confinamento cerca de 3 meses, ao qual acedi com total compreensão. Aceito que por razões de segurança sanitária, possam ser impostas algumas ilimitações. Já me custa mais aceitar dualidades de critério em situações, que basicamente, são iguais entre si. Se outras razões não houvessem, impunha-se algum respeito pelo trabalho e o risco que tiveram os profissionais da saúde e de todas as forças envolvidas na contenção inicial do surto.