O conflito entre judeus e palestinianos, não é uma coisa nova e assenta em questões insanáveis, e em diferenças de vária ordem: seja do ponto de vista religioso, político, cultural, social, seja ainda dos valores que defendem. Acresce que o conflito terminaria no momento que o Hamas entregasse os cerca de quarenta reféns que ainda tem sob sua guarda (provavelmente a maioria já estará morta). Para além disto, há que entender que este conflito é “sustentado”, por potências estrangeiras. De um lado o Irão e do outro os Estados Unidos.
O Irão (xiita) é o grande aliado
do Hamas e do Hezbollah. Teerão compreende que o apoio financeiro, logístico e
militar dado a estes grupos terroristas é fundamental, uma vez que alarga a sua
esfera de influência no Médio Oriente, particularmente contra Arábia Saudita,
Emirados Árabes Unidos e Egipto, todos eles de maioria sunita.
Os acontecimentos de 7 de Outubro
resultaram por uma falha épica dos serviços secretos israelitas por um lado, e
por outro de um ataque impiedoso e indiscriminado sobre um grupo de jovens que
se divertia num festival de música. Este ataque não poupou ninguém, porque aparentemente
pretendia tomar reféns o maior número de pessoas, para serviriam de moeda de
troca neste conflito.
A chamada "solução de dois
Estados" - ou seja, a criação de um Estado palestiniano independente
convivendo lado a lado com Israel, ambos coexistindo em paz e segurança foi uma
proposta diplomática defendida por décadas por parte da comunidade
internacional, incluindo a ONU, os EUA, e a União Europeia, que prevê: um Estado
de Israel seguro e reconhecido e um Estado da Palestina soberano e viável, nos
territórios da Cisjordânia, Faixa de Gaza e com Jerusalém Oriental como
capital. Nesta solução, parece não atender aos instáveis equilíbrios geopolíticos
regionais.
O termo "utopia" aqui parece-nos
totalmente ajustado porque, embora a ideia pareça justa ou desejável, é vista
como irrealista ou inatingível nas condições actuais. Estas razões incluem: o
abandono dos territórios ocupados por parte de Israel; pelas divisões políticas
internas entre os próprios palestinianos (Fatah na Cisjordânia e Hamas em Gaza);
pela desconfiança mútua profunda, por um histórico de violência e por uma aparente
falta de vontade política de lideranças de ambos os lados. Já foram aduzidas
outras propostas como sejam: um estado binacional, uma confederação, ou a
manutenção do status quo. Qualquer uma delas é tão irrealista como a
solução dos dois estados com uma capital comum.
Chamar a "opção dos dois
Estados" de uma utopia é expressar descrença na sua realização prática,
mesmo que ela ainda seja considerada a melhor solução por muitos governos e
especialistas. O termo "utopia" não necessariamente nega o valor da
ideia, mas destaca o fosso entre teoria e realidade.
Esta incapacidade de solucionar o
conflito, está muito mais dependente de razões externas (o tal equilíbrio geopolítico
regional), do que das internas (entre os dois estados), com referiu Clara
Ferreira Alves: “A ‘causa palestiniana’ nunca ajudou a Palestina a nascer.
Pelo contrário, sem a ‘causa’ e a interferência externa, há muito que os dois
povos teriam chegado a um módico de convivência.”
A situação que se vive em Gaza,
aproxima-se a passos largos de um genocídio condenável e que só parece ter
solução quando uma das partes ceder, o que parece ser muito improvável. Tal
como o reconhecimento da Palestina por um grande número de países não passa de “penso
rápido” para apaziguar consciências.
