terça-feira, 25 de outubro de 2022

AS MUDANÇAS NO TRÂNSITO EM SANTARÉM

Sou morador na Av. D. Afonso Henriques, há já muitos anos. Nos finais de 2017, foi anunciado pelo município, um projecto de requalificação desta avenida, onde diariamente confluem um elevado um número de veículos, e do qual foi produzido um vídeo que, por mera curiosidade deixo aqui Requalificação da Avenida D. Afonso HenriquesSe a primeira fase já foi concluída, a intervenção na Av. D. Afonso Henriques aguarda a sua concretização.

Durante Setembro passado foi feita uma repavimentação da dita avenida e introduzido uma série de alterações à circulação viária. Ou seja, não tendo sido feita a tal requalificação anunciada há 5 anos, resolveu-se (?!?) as coisas com algumas alterações à circulação, que salvo melhor opinião, introduzem dois novos constrangimentos: não melhoram a vida dos automobilistas, por um lado, e por outro, “empurram” para o já congestionado Largo Cândido dos Reis (Rotunda do W Shopping), quem pretende cortar à esquerda, para Sul, para a N3, e quem vindo de Sul pretenda entrara na Praceta Pedro escuro, seja para aceder à Rua Pedro de Santarém, ou para seguir rumo a Este, (zona do cemitério, GNR, etc.).

Por curiosidade referir o seguinte anacronismo: foram colocados umas barreiras que impedem a entrada na Praceta Pedro Escuro e a pouco mais de 1 metro se encontre uma passadeira de peões!

Por várias opiniões ouvidas, a solução encontrada não parece satisfazer nem peões, nem automobilistas. Por isso estranhamos que esta decisão tenha sido tomada por alguém que não conhece ou utiliza aquela artéria. Para além disto, é bom não esquecer os reais problemas que ali se podem encontrar e que esta intervenção, não foi capaz de dar resposta. A saber:

1.      Altura do passeio junto ao semáforo no princípio da avenida;

2.      Estado da pavimentação dos passeios da dita avenida;

3.      As saídas e entradas para o estacionamento do Campo Emílio Infante da Câmara, são reguladas por um semáforo, accionado pelos peões que pretendam atravessar a Avenida. Se para os peões, isto é, naturalmente bom, para os automobilistas é bem mais problemático, sempre que tal não aconteça.

Sem deixar de valorizar a oportunidade desta intervenção, fica um amargo por não terem sido resolvidos estes reais problemas com que diariamente nos confrontamos, e ainda pela introdução de alterações de circulação que não beneficiam ninguém.


quarta-feira, 19 de outubro de 2022

O JUDO NÃO MERECIA SER TRATADO ASSIM

 

O meu primeiro contacto com esta modalidade, foi por início dos anos sessenta do século passado. No decorrer de umas férias de Verão, o então aluno do ISEF e praticante da modalidade, Fernando Manuel Carvalho Costa Matos. Tinha por hábito arregimentar os amigos da praia, para a prática desportiva e, nomeadamente, para o JUDO, uma modalidade que estava a dar os primeiros passos em Portugal, pela mão do saudoso Kioshi Kobayashi.

Os Judogis eram feitos de pijamas reforçados pelas costureiras, e os tatamis eram tapetes de palha de arroz, ásperos e duros como cimento, e os treinos decorriam numa sala da cave Ginásio do velhinho Liceu Nacional de Ponta Delgada. Apesar de uma reduzida participação nestes treinos, o bichinho e o reconhecimento de que se tratava de uma modalidade que oferecia algo de diferente, esse ficou para a vida. Anos mais tarde e quando se tratou de envolver os filhos numa prática desportiva, a escolha pelo JUDO foi inquestionável, mas não imposta. Eles iniciaram a actividade desportiva na prática da modalidade na Casa do Benfica de Santarém. Quase logo a seguir Mestre António Anjinho chamou os pais a fazer uma “perninha” com os filhos. Ou seja, iniciei a minha vida de atleta de JUDO por volta dos 45 anos, com uma outra visão do JUDO e dos valores e princípios que Jigoro Kano defendia para este novo desporto por ele criado. Ou seja, a minha ligação ao JUDO, fez-se mais pela admiração dos princípios filosóficos subjacentes, do que pela via competitiva, como é o mais natural. Esta ligação manteve-se por mais cerca de 20 anos, para além da ligação dos filhos à modalidade, como atleta, dirigente associativo e árbitro.

Olhando para trás gostaria de evidenciar que para além dos pontos fortes já enunciados, o privilégio que foi o encontro com muita gente do JUDO, onde aprendi a admirar a postura, a sinceridade, a seriedade, a ética, a cortesia, o respeito pelos outros (especialmente os superiores, leia-se mais graduados), o respeito pelo oponente. Citei aqui apenas dois nomes pelo simples facto de ambos estarem ligados ao meu começo na modalidade. Muitos outros nomes podiam ser aqui enumerados pelo muito que nos transmitiram. Não o faço pelo receio de poder esquecer de alguém, serem muitos, o que seria uma injustiça.

É, pois, com profunda tristeza que assisto nos tempos mais recentes e a dois anos das próximas olimpíadas a este lamentável confronto entre o órgão máximo do JUDO em Portugal com atletas, treinadores e clubes, envolvendo ainda o COP. Ninguém consegue perceber que a falta de verbas, sejam o justificativo para tanta confrontação. Quem já andou pelos dirigismo desportivo sabe que a coisa que mais abunda são a falta de verbas. Não se compreende este estremar de posições. Não se percebe que na véspera de um importante torneio de preparação para os jogos olímpicos, uma das suas principais atletas se veja privada da sua treinadora, despedida na véspera por email pelos órgãos da FPJ.

Durante os anos que me encontrei ligado ao JUDO, sempre assisti a diferendos entre associações e a FPJ. Havia críticas, desentendimentos, oposições e naturais diferenças de opinião. Pelo menos que seja do meu conhecimento, tudo se tratava dentro de portas e com total civilidade. Para além de se lamentar todos os incidentes verificados, é confrangedor ver a postura da FPJ, especialmente na pessoa do seu presidente, usando uma linguagem e comportamento, muito comum noutras modalidades e pelos piores exemplos.

O presidente da Assembleia Geral da FPJ assiste a todo este “diz que disse”, impávido e sereno! Não seria tempo de promover um entendimento entre as partes em confronto para bem da modalidade e da própria FPJ? Perante tanta confusão era tempo de se ver uma intervenção muito mais proactiva por parte do Secretário de Estado da Juventude e Desporto, tendo em conta que a reunião por si promovida entre o presidente do COP, o presidente da FPJ e os atletas subscritores da carta aberta de Agosto, pelos vistos não produziu resultados.

O JUDO merecia mais e muito melhor. É tempo de gritar SOROMADE!