domingo, 31 de outubro de 2021

ANTÓNIO COSTA ESTÁ INOCENTE NESTA CRISE?

No meu último escrito apontava para Jerónimo de Sousa como o pai e o carrasco da Geringonça, e penso não estar muito enganado quanto ao comportamento do PCP, que sempre foi um partido de oposição e de rua. É à rua e ao mundo sindical que os comunista melhor funcionam. Talvez por isso mesmo, quer nos resultados eleitorais, quer no sector autárquico viu fugirem-lhe muitos eleitores fiéis, provavelmente optando pelo voto útil no PS. É isso que pode explicar a sua intransigência na aprovação deste OE, apesar das inúmeras cedências feitas por António Costa.

Já António Costa também não parece estar inocente em todo os desenvolvimentos recentes. Ou seja, será que a António Costa interessava governar com um executivo, cansado, com o país em ebulição por causa do preço dos combustíveis, com o SNS em derrocada, com a previsibilidade de vários conflitos laborais eminentes. Aproveitar a ruptura com os parceiros e forçar eleições antecipadas, poderia ser algo muito favorável nos resultados das próximas eleições. Senão vejamos:

O PSD está num processo de reformulação interna. Qualquer que seja o líder que venha a corporizar a nova direcção, não tem o partido preparado para o desafio, e os prazos são muito curtos para uma preparação adequada.

O CDS está em processo de autofagia, pela deserção dos seus melhores quadros, e qualquer que seja o desfecho das directas, o processo tem alguma similitude com o PSD.

Não será difícil prever que o PCP e o BE irão sofrer o desgaste pela posição que tomaram, junto do seu eleitorado, que dificilmente vão concordar com a não aceitação do OE mais à esquerda apresentado por este governo.

Restam os partidos mais pequenos. O PAN fez um repentino desvio à esquerda e esqueceu um pouco a sua matriz animal. Os resultados deste comportamento serão imprevisíveis. O LIVRE provavelmente desaparecerá pela falta de visibilidade, sobretudo depois do abandono da deputada eleita por este partido.

O IL e o CHEGA irão capitalizar o descontentamento dos eleitores da direita e, certamente, irão subir objectivamente.

Na actual conjuntura parece que apenas os pequenos partidos têm razões para acreditar que podem subir o número de deputados eleitos. Por muito grande que seja essa subida nunca irão fazer sombra às intenções de votos concentradas no PS. No PSD, pese embora algumas considerações optimistas, os resultados estarão muito longe de conferirem uma confortável posição negocial, até porque António Costa rejeitou liminarmente essa possibilidade. Mais ainda considerando que o método de Hondt, irá sempre beneficiar PS e PSD.

Já em tempos aqui afirmei que António Costa era um político intelectualmente desonesto. Não tenho razões para alterar o meu pensamento, muito antes pelo contrário. Por isso acredito, que este raciocínio tenha feito António Costa cavalgar esta onda, aproveitar para beneficiar com a posição extremada dos antigos parceiros, e ficar com a aura de tudo ter feito para evitar a crise. Esta atitude irá gerar uma onda de simpatia no eleitorado de esquerda, transferindo o ónus da rejeição para BE e PCP. Ou seja, vai beneficiar duplamente: por um lado fica com o benefício de ter feito tudo para que o orçamento passasse; por outro lado, vai beneficiar do voto útil dos descontentes daqueles dois partidos.

António Costa é um político experiente e matreiro. Acredito que não tenha factualmente provocado esta crise. Mas também é verdade que é ele e o PS que mais têm a ganhar com ela. Agora já não precisa de remodelar o actual executivo. Com as próximas eleições esse assunto fica arrumado.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

O PAI E O CARRASCO DA “GERINGONÇA”


Segundo o Dicionário Digital PRIBERAN, o termo geringonça é utilizado para significar: "coisa ou construção improvisada, ou com pouca solidez". Penso que não se encontrava outro termo que melhor tipificasse aquilo que piudemos observar ao longo dos 6 anos da sua vigência.

Para melhor se entender a origem e o fim da Geringonça, im porta contextualizar as circisntâncias que ditara o seu aparecimento:

António Costa "afastou o secretário-geral do PS (António José Seguro), invocando que no contexto político que então se vivia, as vitórias que o  PS tinha conseguidio, sabiam a "poucochinho". Nesta conjuntura, António Costa ganhass as directas e ascende ao cargo de secretário-geral. Disputa as legislativas de 2015 contra Passos Coelho e obtém um score de 32,50% (menos 6,15 relativamente às Legislativas de 2011. Para quem ironizava com o seu antecessor com o "poucochinho", é preciso ter um poder de encaixe monumental para corporizar tudo o que se passou de seguida. Em circunstâncias idêntiucas faria sentido que um líder responsável e integro, reunisse os órgãos do partido e pusesse o lugar à disposição.

Acontece que, na própria noite das eleições, Jerónimo de Sousa, declara aos órgãos de comunicação soccial: O que conta verdadeiramente e determina as soluções para a governação são as maiorias na Assembleia da República e dão suporte a um governo e não um partido político". Adiantiou ainda: "António Costa só não forma governo se não quiser."

É lógico concluir que Jerónimo de Sousa, aproveita a ocasiãio e oferece condições a António Costa salvar a face da derrota política sofrida, bem como o seu futuro partidário. Por outro lado, coloca o PCP, pela primeira vez, no conjunto de partidos do Arco da Governação. Apesar das insanáveis divergências objectivas entre os parceiros (UE, NATO, Euro, etc.). Arrana-se um entendimento, assinado isoladamente e à porta fechada, por imposição de Cavaco Silva. António Costa, pela mão de Jerónimo de Sousa, consegue assim as condições para formar governo, com legitimidade e suporte parlamentar.

Mas se a geringonça permitiu salvar a face e aumentar a sua credibilidade como primeiro-ministro: teve resultados desastrosos para os restantres parceiros, dados os resultados nos diversos escrutínio: europeias, presidenciais e autárquicas. Para fazer passar o OE para 2022, António Costa teve que ceder e muito às reeinvidicações dos parceiros. Durante o debare os parceiros elevaram a fasquia, esticaram acorda e recusaram o seu aval a mais um orçamento, forçando a queda do governo a novas eleições.

A conclusão que podem,os tirar é que António Costa lideropu esta solução durante 6 anos. Durante os primeiros 4 anos governou com alguma estabilidade, mas os últimos dois orçamentos foram negociados com alguma crispação e muitas exigências. Nunca como até agora se tinham radicalizado tanto as posições, mas quem realmente ditou o início e o fim da Geringonça, foi Gerónimo de Sousa, sempre visto como o parceiro preferencial. António Costa não se cansa de enumerar as inúmeras cedências e a bondade deste OE. Impossibilitando qualquer entendimento à dioreita, António Costa ficou refém de quem lhe deu a mão, para depouis lhe retirar o tapete. Por isso, só se pode queixar das suas escolhas.

Muitas são as vozes que se indignam contra tudo e contra todos. Tenho ouvido, sistematicamente afirmar que a culpa, continua a ser do Passos, tal é o desepero.

Vamos para um novo processo eleitoral, em que muito poucos têm a ganhar. O país está em convulsão e muitas são as razões de queixa dos portugueses: o caos no SNS, o conflito com , forças armadas, bombeiros, professores, médicos, e restantes profissionais de saúde, ordens profissionais e outras entidades reguladoras. Sºão os custros de diversos bens de consumo: electricidade, combustíveis, etc.

Apesar da bondade do actual OE, segundo António Costa, o pais está de rastos, os parceiros não se entendem, não agradou nem à esquerda, nem à direita. Os responsáveis por se ter chegado a esta situação limite parecem estar bem identificados. O país vai viver uma crise que não pediu e na pior altura que se podia esperar. As eleições antecipadas, que ninguém queria(?), vão ter um mérito determinante: clarificar a solidez do actual espectro político e permitir aos portuguese, apesar da crise, escolherem o que pretendem e recusar o que não querem. Todo o ruído sobre os culpados é precisamente por esta razão. "Quem semeia ventos, colhe tempestades"

 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

AFINAL ESTAVA ERRADO

 

De facto, a farsa do Orçamento, ao contrário do que eu aqui afirmei, não irá ser aprovada. Estou convencido não ter sido o único a alinhar por esta lógica. A Geringonça que se arrastava penosamente há já algum tempo, caiu de podre. António Costa cedeu até onde foi possível ou a EU europeia permitia, mas o parceiro privilegiado do primeiro-ministro deu por findo o seu aval. O nosso presidente da República, que durante toda a vigência da geringonça esteve mudo e quedo, vem agora radicalizar a sua posição e ameaçar com eleições antecipadas. Este desfecho, certamente não é bom para a generalidade dos portugueses, e vamos juntar mais uma crise às muitas já existentes. Vamos viver durante alguns meses com duodécimos, e vamos comprometer a entrada em vigor e distribuição dos dinheiros da bazuca. Também, estou convencido que os partidos políticos, à excepção do CHEGA e da IL, só têm a perder com esta solução.

Portanto o cenário mais que provável é o de eleições antecipadas, e vai ter como vantagem, o clarificar do xadrez político e perceber se no futuro que arranjos políticos serão possíveis de implementar. Tudo parece apontar para que o panorama actual (maioria de esquerda), pouco se vá modificar. Estaremos então numa situação em que a formação de um governo estável, poderá só ser possível com uma nova geringonça, em tudo semelhante `à actual. Estariam esses mesmos parceiros disponíveis para entendimentos, que no presente se revelaram inconsequentes? Neste cenário, que evolução iriam ter os representantes do PEV, PAN, Joacine Katar Moreira, deputadas não inscritas? Que futuro para o PSD e CDS, com lideranças contestadas? Em boa verdade, estou seguro de que ninguém sabe o que nos vai trazer este novo escrutínio. Vai ter certamente uma vantagem, abanar a árvore e fazer cair muita fruta podre. E o mais certo é pensarmos que nunca mais iremos ter maiorias absolutas, e ainda bem. Mas será que os nossos partidos políticos estão preparados para viver esta nova realidade?

Uma reflexão final, a probabilidade do PS ganhar as eventuais eleições antecipadas, é mais do que evidente. Que futuro nos reserva António Costa? Estará disponível para governar em minoria, com os mesmos parceiros? Irá retirar-se da vida partidária e abraçar um cargo internacional como seria seu desejo, embora este cenário seja, neste momento mais difícil? Irá ter a dignidade de António José Seguro e abandonar a vida pública? Se optar pelo seu afastamento, que figura socialista irá emergir, e que aceitação irá ter junto do eleitorado? De que forma o desgaste de muitos ministros do actual executivo, vai condicionar o voto socialista?

Muitas são as dúvidas, e quase nenhumas certezas. Esta experiência da geringonça, pese embora a sua legitimidade, que sentimento despertou no cidadão eleitor não alinhado? Vamos aguardar serenamente que este cenário que paira no horizonte, não pode ser uma desgraça, mas antes um elemento clarificador.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

AS IRRITAÇÕES DE ANTÓNIO COSTA

 

António Costa com a sua habitual arrogância, pensou que toda a sua governação era de uma aceitação incontestável, e quem dissesse o contrário seria antipatriótico. As autárquicas eram favas contadas, que apesar da vitória pífia, saiu-lhe na verdade a fava n este bolo-rei., pela perda de alguns municípios emblemáticos.

No Orçamento de Estado também se convenceu que tinha tudo sob controle, mas os parceiros ga geringonça, escaldados pêlos desastrosos resultados eleitorais, reconhecem que têm muito mais a perder na continuidade deste “namoro”. A primazia dada ao PCP revelou-se “poucochinho”, e agora tem de negociar em situação de inferioridade com o BE.

Apesar da discussão do Orçamento ser o cerne da actual conjuntura, os sinais de nervosismo acentuam-se, e os apaniguados desta solução política, disparam em todas as direcções defendendo a bondade das soluções propostas. Qualquer opinião contrária, por mais legítima que seja, venha ela da esquerda ou da direita, é mimoseada com os habituais impropérios de quem se sente acossado e reage por instinto, e com muito pouca serenidade.

Ficaram muito nervosos com a inusitada vitória de Carlos Moedas em Lisboa. Goste-se ou não de Carlos Moedas, há que reconhecer que é um homem sério e tem curriculum.

Ficaram em pânico com um artigo de Cavaco Silva no jornal Expresso. Mesmo tratando-se de uma múmia, pelos vistos, continua a assustar muita gente.

Até a intenção de Paulo Rangel se candidatar á liderança do PSD, causou muita urticária em pessoas de outros partidos.

Irritam-se com os OCS e a opinião dos seus comentadores.

Ficam muito irritados quando alguém se queixa do preço dos combustíveis, argumentando que é um problema conjuntural, apesar da fiscalidade sobre os combustíveis ser um problema muito nosso, e aparentemente, a insensibilidade gritante da parte de quem pode fazer alguma coisa (2 cts/lt é muito pouco).

Há quem aponte estes sinais como uma mudança de ciclo político. Estou convencido que ainda não, pelo menos em termos definitivos. Mas que os tempos que se aproximam vão, certamente, exigir de António Costa uma atitude de muito mais humildade. Pese embora o facto de António Costa ter governado com oposição quase inexistente, numa conjuntura internacional muito favorável e com um Presidente da República muito colaborante. Há, no entanto, alguns sinais de que as coisas estão a mudar, e tenho dúvidas de que António Costa, tenha estofo e disponibilidade para governar em minoria real. Até agora contou com o apoio do PC e do BE, porque isso lhes convinha. As coisas mudaram. E como estes parceiros já não têm nada a perder, extremaram as suas posições. Quem semeia ventos, colhe tempestades.

Há vários sinais de muita insatisfação em vários sectores da sociedade: são os profissionais de saúde, que passaram por um período muito difícil e que a administração não foi capaz de reconhecer o seu esforço abnegado. É a eterna insatisfação das forças de segurança. Os professores estão insatisfeitos e prometem luta. Os tempos que se avizinham não são muito favoráveis à vida deste governo. Vamos assistir a um agudizar das irritações. Por outro lado, ninguém sabe, durante quanto tempo o pagode está disposto a aturar este comportamento.

Ernest Hemingway disse: “O segredo da sabedoria, do poder e do conhecimento é a humildade”. E como ele tem razão! Penso que o futuro próximo nos vais brindar com muitas irritações, por parte dos irritados habituais.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

O BLUFF DO ORÇAMENTO DO ESTADO

No rescaldo dos resultados das últimas eleições autárquicas, ouvimos as interpretações habituais. Ou seja, de um modo geral todos saíram vitoriosos, apesar dos habituais exageros. Mas quer PSD, quer PS podem reclamar algumas vitórias baseadas fundamentalmente em questões de quantidade (PS), e em questões de qualidade (PSD). Por outro lado, estes mesmos resultados condicionaram de forma indelével as reacções de todos os partidos. Para o que se ia seguir – a aprovação do Orçamento de Estado (OE). Dito de outra forma, PCP e BE viram o seu score autárquico arrasado por resultados eleitorais desastrosos, mas apesar disso, têm na mão a capacidade de, como partidos charneira da geringonça, influenciar de forma determinante a aprovação do orçamento.

O momento da discussão do Orçamento de Estado, revela-se determinante, para a afirmação daqueles dois partidos, como prova de vida no espectro partidário português. Como seria de esperar, a solução para esta prova de vida era esticar a corda do OE, aumentando a exigências da negociação com o PS e inviabilizando o seu contributo, caso não fossem cumpridas as suas exigências. Na sequência disto, Marcelo Rebelo de Sousa veio afirmar que sem OE, haveria eleições antecipadas e uma crise que ninguém quer assumir.

Mas será que alguém quer eleições antecipadas? Naturalmente que os partidos da geringonça, a nenhum deles interessa submeter-se a um escrutínio, que tudo indica traria resultados piores do que os obtidos nas últimas autárquicas. PSD e CDS também não sentem o terreno muito favorável, para embarcarem nesta aventura de resultados imprevisíveis e, naturalmente, pouco consistentes como alternativa de poder.

Restam a Iniciativa Liberal e o Chega, esses sim, animados pêlos resultados autárquicos, tudo teriam a ganhar com um novo plebiscito. Mas dada a sua expressão ultraminoritária, nem contam nesta contabilidade.

O folhetim dos OE na vigência da geringonça, continua a cumprir o guião habitual: começa com a dramatização da prova de vida, e termina em comédia quando todos se sentam à mesa e decidem aprovar o maldito Orçamento. Tudo parece indicar que estes entendimentos são mais por razões de sobrevivência política, do que por razões de interesse nacional. Tudo indica que, apesar do evidente estremar de posições registado neste momento, tudo vai acabar como habitualmente – a geringonça a falhar por todo o lado, mas com o Orçamento aprovado, por mais um ano de vida.

Admito que esta minha análise possa estra errada e o OE não ser aprovado. A Bélgica sobreviveu durante um ano sem governo, e nem por isso desapareceu como nação. Também é certo que estamos a sair de uma terrível crise pós pandémica, e com a gestão do dinheiro da bazuca que exige um rigoroso controle da sua aplicação. Esta é mais uma razão para que este OE não caia, embora me pareça, não ser a mais importante para que o irá aprovar.