segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

NO RESCALDO DESTAS PRESIDENCIAIS

 

Estas eleições deram o resultado que se esperava. António José Seguro (AJS) restituiu ao PS um entusiasmo há muito perdido. Foi até há pouco mais de uma semana do escrutínio, que esta figura mal-amada por algumas sensibilidades no interior do PS, recebeu o apoio formal que, diga-se em abono da verdade, ele nunca o pediu. Considerando que foi uma candidatura informal, no sentido de desligada do apoio da máquina partidária, foi uma vitória inequívoca. Mais ainda, se considerarmos que AJS, esteve ausente do espaço público e político cerca de dez anos, portanto, desconhecido para muitos, particularmente para as camadas mais jovens do eleitorado e, da esquerda estar completamente fragmentada.

AJS foi sempre visto como alguém politicamente frouxo, sem muitas convicções de relevo e sem nunca se comprometer muito, com decisões importantes, particularmente no interior do seu próprio partido. Mesmo durante a campanha pouco se ouviu sobre um compromisso real e objectivamente importante. A sua preocupação era reunir com o primeiro-ministro para o pressionar a resolver o problema da saúde. Ou seja, a AJS não se conhece um compromisso substancial e ideologicamente sustentado. Alguém dizia que na verdade era “alguém que não sabe bem o que quer”.

Já André Ventura (AV), apesar da sua conversa redonda a volta dos mesmos temas, sabe perfeitamente o que quer e para onde quer ir! Resolveu concorrer as estas presidenciais apenas porque não encontrou uma figura de reconhecido mérito junto dos seus simpatizantes. Mesmo assim, é preciso reconhecer que teve uma prestação aguerrida, como é seu timbre, e os seus indefectíveis apoiantes lhe garantiram uma confortável passagem à segunda volta. Como se sabe, a sua taxa de rejeição junto do eleitorado é elevada, o que pode ajudar a AJS aspirar chegar a Belém sem ter de fazer praticamente nada. A esquerda e o centro vão-se unir à volta de Seguro para evitar a eleição de Ventura, à semelhança do que acontece em França com o partido Rassemblement National de Marine Le Pen.

Os grandes perdedores desta noite eleitoral foram Cotrim de Figueiredo, Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes. Cotrim por dois episódios a uma semana do fim da primeira volta, que deitaram por terra o sonho de uma campanha muito bem-sucedida. O almirante porque parecia um peixe fora de água, e manifestamente tinha alguma dificuldade em deambular num ecossistema que lhe era totalmente estranho. Começou muito alto, mas rapidamente foi perdendo o património alcançado no processo de vacinação. Marques Mendes foi um desastre completo. Tinha na mão a vantagem de durante muitos anos entrar na casa dos portugueses num programa de comentário político bem-sucedido. Por outro lado, tinha muitos anticorpos no PSD, partido que lhe deu todo o apoio formal. Nem a máquina partidária, nem o reiterado apoio de Luís Montenegro foram suficientes para evitar o descalabro.

Todos os demais candidatos da esquerda usaram esta eleição como um estratagema da “prova de vida”.  As suas prestações nos debates até lhes correram bem, mas a mensagem que passam já não colhe junto do eleitorado. Numa análise fria a estes resultados, observa-se uma tendência consistente de falta de representatividade, que tornou irrelevante todo o espectro partidário da esquerda radical.

Lui Montenegro pelo seu lado, não tendo passado à segunda volta o seu candidato, vai ter no palácio de Belém, muito provavelmente um inquilino que vai permitir governar sem grande sobressalto, como se foi dizendo “que AJS era o opositor que a direita gostava”.

sábado, 10 de janeiro de 2026

A UMA SEMANA DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

 

Uma imagem com atletismo, vestuário, sapatos, pessoa

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A pouco mais de uma semana das próximas eleições, estou certo de que os portugueses já devem ter pensado, que este plebiscito se apresenta com particularidades a que não estávamos habituados. Talvez a perturbação maior é o facto de assentar numa pulverização do espectro partidário, de tal forma que veio deitar por terra a lógica do bipartidarismo. Este facto é ainda mais importante considerando que a eleição para a presidência da república, ao contrário das demais, assentar em que cada voto conta. Outro aspecto peculiar resulta de uma aparente simpatia do eleitor pelos candidatos que se dizem fora do sistema. Esta posição é difícil de sustentar, considerando que todos precisam do sistema para ser eleitos. Outra realidade, quase certa, é que a decisão final vai determinar uma segunda volta.

A propósito da premissa de uma segunda volta, o facto de um universo de 5 candidatos registarem um score eleitoral à volta dos 18% e 20%, determina que qualquer um deles estará em condições de passar à segunda volta. E, aparentemente, apenas André Ventura terá garantida essa passagem por se considerar que é aquele que tem um eleitorado mais fidelizado. Aceitando que isto é verdade, resta saber qual será o outro candidato. Acresce ainda que André Ventura, apesar da boa posição que ocupa nas intenções de votos, é também aquele que tem uma maior taxa de rejeição. Portanto, o que está em jogo qual será o candidato que poderá disputar essa segunda volta, em condições de derrotar Ventura?

O apoio partidário aos candidatos, particularmente o PS e o PSD foi. no início muito pífio, considerando que esses candidatos desenvolveram alguns anticorpos, nas habituais sensibilidades partidárias. A uma semana das eleições, parece ter havido um toque a rebate, e estes partidos parece terem esquecido rivalidades antigas, para considerarem um apoio mais robusto aos seus candidatos, o que a princípio não se verificou. António José Seguro parece estar mais confortável, considerando que os outros candidatos de esquerda terem uma muito baixa aceitação. Pelo contrário, Marques Mendes, terá de disputar com mais candidatos, com valores das intenções de votos muito próximos entre eles. João Cotrim de Figueiredo, começou de forma muito modesta, quase um outsider, mas tem tido uma subida constante e continuada e está neste momento dentro da margem de erro, disputando igualmente a possibilidade de passagem à segunda volta. Já Gouveia e Melo, parece estar a verificar-se o contrário.

Estas serão algumas das dificuldades para se fazer uma escolha consciente. Ao contrário do que alguns candidatos afirmam, de que o cargo exigir uma considerável experiência política e governativa, o resultado das diversas sondagens sobre as intenções de voto, parecem apontar em sentido contrário. Ou seja, os eleitores parecem orientar o seu voto para aqueles candidatos que têm um discurso que responde, de alguma forma, às suas reais preocupações.

Uma coisa é certa, são mais as dúvidas do que as certezas. Muitas das opiniões e comentários observados assentam na lógica das diversas sondagens, o que pode constituir um erro tremendo, como já se viu anteriormente.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

PORQUE VOU VOTAR EM JOÃO COTRIM FIGUEIREDO

 

Com as próximas eleições para a presidência da república a pouco mais de duas semanas, penso que aos eleitores se coloca a seguinte questão: quem melhor, do leque de candidatos, se apresenta em condições de substituir a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa? Ou seja, será que queremos um candidato que se proponha fazer algo de semelhante ou queremos alguém com uma visão diferente para a função presidencial?

Apresentaram-se um número considerável de candidatos com propostas muito alinhadas com as suas convicções ideológicas. Destes, todos os que representam a esquerda radical utilizaram a campanha, como habitualmente, para fazer uma “prova de vida”, mas os resultados das tendências, dão-lhes uma representatividade muito marginal. Por isso, vou concentrar a minha atenção nos seis candidatos que podem ter alguma possibilidade de chegar à previsível segunda volta: Marques Mendes, António José Seguro, Gouveia e Melo André Ventura e João Cotrim de Figueiredo.

Marques Mendes - apresenta-se como o candidato da AD, e com propostas muito semelhantes às protagonizadas por Marcelo Rebelo de Sousa. Acresce ainda as polémicas relacionadas com conflitos de interesses mal explicados.

António José Seguro – Foi vítima das indecisões habituais do PS, no que diz respeito ao apoio que nunca pediu. O seu problema é que não se quer comprometer com nada. Sempre foi um político do NIM, quanto a tomar decisões, nem não, nem sim.

Gouveia e Melo – Apareceu na política, apesar de quando questionado a este respeito ter afirmado: “Se isso acontecer, dêem-me uma corda para me enforcar”. Apresentou-se muito cedo e as sondagens foram-lhe muito favoráveis no início. À medida que a campanha foi evoluindo foi fácil perceber alguma inabilidade política e falta de experiência. Apesar que uma queda constante nas intenções de voto, existem forte probabilidade de passar a uma segunda volta.

André Ventura – As suas habituais intervenções histriónicas e de uma retórica repetitiva, tem um público fidelizado e que se revêm nas suas posições- não é o meu caso. Apesar disto as sondagens apontam para uma quase certa passagem à segunda volta.

João Cotrim de Figueiredo – Representa uma visão mais moderna e liberal, que contrasta com a aparente monotonia que viveu a política portuguesa nos últimos 50 anos. Tem conseguido uma forte penetração nas camadas mais jovens e que pretende dar voz a quem não está satisfeito com as opções actuais.

Como já se percebeu, a minha preferência recai sobre João Cotrim de Figueiredo (JCF), pelas razões apontadas anteriormente, mas por um conjunto bem mais alargados de propostas, tendo em vista a sua posição sobre diversos temas. Sobre o processo eleitoral JCF tem uma proposta de dar muito maior importância à diáspora, propondo uma alternativa simplificada através do voto electrónico.

Também tem demonstrado que tem uma visão sobre a economia, onde salienta o nosso fraco crescimento económico mais exigente com foco em produtividade, inovação, competitividade e crescimento, com base na cultura, conhecimento e crescimento como pilares para gerar riqueza.

Aponta o seu discurso para a passividade dos decisores políticos para superar o conformismo que se vice, com menos medo de mudanças e mais ambição para enfrentar desafios estruturais. Tem um curriculum que atesta a sua vasta experiência empresarial, política e internacional é eurodeputado e foi fundador e liderou a Iniciativa Liberal. Apesenta um percurso profissional, assumindo cargos de relevo que passou pelo sector agro-industrial, sector financeiro, pelo audiovisual, pela administração de empresas e no sector turístico.

Com quase oitenta anos de idade, sinto uma enorme frustração pelo rumo que a democracia portuguesa tem seguido e não me sinto representado em nenhum dos outros candidatos. Votei Marcelo Rebelo de Sousa e muito me arrependo, por ter ridicularizado a acção que o mais alto representante da nação devia personificar. JCF é alguém com uma carreira de sucesso, com a disponibilidade e a vontade de servir o país. É um político optimista, motivado e confiável e, aquele que se apresenta como uma lufada de ar fresco e capaz de enfrentar os novos desafios que o mundo atravessa.