A novela do Orçamento do Estado
(OE), teve ontem mais um desenvolvimento – Pedro Nuno Santos (PNS), veio
finalmente, clarificar a sua posição sobre o assunto. Depois de muitas hesitações,
contradições, avanços e recuos, viu-se na necessidade de vir clarificar aquilo
que ainda não estava claro, no que diz respeito à posição do PS sobre este
tema.
É voz corrente dizer-se que PNS
tem o “aparelho” do partido todo consigo. Mas este aparelho, e apesar disso.
também manifestou a sua discordância do rumo que o Partido estava a seguir,
preocupados com a execução do PRR e das Eleições Autárquicas que terão lugar
dentro de um ano. Mas será que este “aparelho” representa todas as
sensibilidades do PS, e muito em particular a sua ala mais moderada? Pelos
vistos não. Personalidades como José Luís Carneiro, Sérgio Sousa Pinto, Álvaro
Beleza, Vieira da Silva, apenas para referir os mais conhecidos, foram
categóricos em pôr o dedo na ferida relativamente à forma como o líder estava a
conduzir a novela do OE.
A diferença na liderança do
partido, mudou radicalmente em pouco mais de 6 meses. António Costa era um líder
experimentado, que conhecia profundamente os meandros da política portuguesa.
Era dotado de uma habilidade para lidar com situações difíceis, com uma
retórica que, por antecipação resolvia as coisas em seu benefício. Exemplo
disto, foi a forma como António Costa resolveu o problema de Sócrates com duas
frases lapidares: “à Justiça o que é da Justiça e à política o que é da
política” e “… (ele – Sócrates) vai certamente lutar pelo que acredita
ser a sua verdade.”
Enquanto António Costa foi capaz
de pacificar todas as tendências e sensibilidades no interior do PS, já Pedro
Nuno Santos não resistiu à reprimenda de condicionar a comunicação do Partido. Como
alguém dizia muito recentemente, PNS está muito mais próximo da retórica bloquista
do que da tradição centrista do PS, enquanto partido charneira do nosso ecossistema
político partidário.
Deixou arrastar a novela do OE por tempo infindo, contradizendo-se frequentemente, para finalmente dar a mão à palmatória aos que desde o início recomendaram esta solução (os moderados).
Além disso, o body language
não lhe assenta bem. Do discurso inflamado, ao dedo em riste na sua
comunicação, transparece o desconforto de quem veste uma roupa apertada. Ou
seja, fala grosso para impressionar, para depois chegar à conclusão de que
assim não chega lá, e contradizer-se no final. Todos nos recordamos da sua comunicação
quanto à localização do aeroporto, para ser destratado no espaço de um dia pelo
primeiro-ministro. A sua célebre intervenção num congresso do PS, sobre os
banqueiros alemães causou algum desconforto nas hostes socialistas! A sua
práxis política parece mostrar alguém muito mais próximo das teses Bloquistas,
do que das do PS. Resta saber se o partido lhe irá perdoar este comportamento
errático, particularmente num momento em que o poder está noutras mãos.
Se as próximas autárquicas não
lhe derem uma vitória expressiva, poderá PNS ser confrontado com uma situação idêntica
á de António José Seguro. Resta-lhe pouco menos de um ano para arranjar um fato
à sua medida, ou fazer uma dieta para caber no que agora veste.

