quarta-feira, 18 de junho de 2025

DONALD TRUMP – A ASSINATURA DE UM NARCISISTA

 

A personalidade do 45º Presidente dos Estados Unidos da América, é tão forte que não deixa ninguém indiferente. Trump revelou-se sempre um homem de negócios, pouco escrupuloso, com uma personalidade fora de série um forte senso para o negócio. O sucesso de Donald Trump no sector imobiliário ajudou-o a evidenciar-se como uma figura global. A marca Trump é sinónimo de riqueza, luxo, extravagância, poder e influência, e a sua presidência, incorpora essa marca de forma significativa.

Aos olhos de um europeu, esta maneira de governar pode parecer exótica e até mesmo, condenável. No entanto, temos de admitir que num país considerado o farol da democracia, a sua legitimidade é inquestionável, mesmo considerando os inúmeros erros, recuos, percalços e insucessos da sua governação.

O seu narcisismo reflecte isso mesmo. A marca TRUMP aparece nos seus edifícios e investimentos imobiliários (Trump Tower, Avião Trump, uma companhia de comunicações móveis Trump, campos de golfe Trump, casinos Trump). Nos discursos enaltece as suas próprias qualidades(?) e de todos os que lhe são próximos. Mas a sua assinatura, prece ser o expoente máximo do seu narcisismo.

As assinaturas presidenciais, tornaram-se numa peça de memorabilia[1] disputadas por muitos coleccionadores, por representarem momentos marcantes da vida de um presidente e das suas proclamações. Ora Donald Trum fez do acto de assinatura de um documento um verdadeiro espectáculo. A encenação é perfeita: as coisas acontecem numa sala pequena, pejada  de jornalistas, sobre uma mesa de reduzidas dimensões, utiliza uma caneta de traço grosso e executa a assinatura com movimentos firmes e constantes. O espectáculo termina invariavelmente, com Trump a exibir o documento, revelando o seu sorriso estudado e muito pouco natural, de onde sobressai uma assinatura de tamanho gigantesco!

Um especialista em logotipos comerciais afirmou: “Com ênfase na ousadia e no brilho, a assinatura de Donald Trump é um reflexo de seu carácter e da sua marca. Os loops enormes e longos transmitem confiança e poder, enquanto os ângulos agudos e a nitidez das letras sugerem uma disposição para assumir riscos e ser proactivo nos negócios.”

Também parece que a sua assinatura também evolui com o tempo. Inicialmente era simples e clara, foi evoluindo à medida que os seus êxitos de empreendedor lhe foram enriquecendo o ego. Ou seja, tudo é estudado ao pormenor. Uma simples assinatura, pode conseguir algo que as suas promessas eleitorais até agora, parecem não ter alcançado.



[1] Conjunto de coisas, objectos ou acontecimentos memoráveis.



 

quarta-feira, 4 de junho de 2025

E AS PRESIDENCIAIS JÁ MEXEM!

Acabados de sair de uma inusitada eleição legislativas, para termos em Outubro novas eleições autárquicas (talvez o plebiscito mais importante para o comum dos cidadãos). Porém, o que temos na ordem do dia são as presidenciais, que só terão lugar em Janeiro de 2026! O assunto já vinha sendo debatido com alguma insistência, só interrompido durante a campanha para as legislativas. De facto, a bolha mediática ansiosa por marcar a agenda, vai aproveitando tudo e mais um par de botas, para manter os portugueses anestesiados, como convém.

Isto não significa que não reflictamos sobre quem será o próximo inquilino do palácio de Belém. Depois de muitas hesitações eles aí estão, passeando sobre a passadeira vermelha, que os órgãos de comunicação lhes vão estendendo à frente. São nomes mais ou menos conhecidos, mas que muito pouco se sabe do seu pensamento político, particularmente nos tempos actuais e a nova realidade político partidária.

As sondagens, como é hábito vão alimentando a tal bolha, não vá o assunto cair no esquecimento. Depois de muita reflexão, os nomes vão aparecendo de forma mais ou menos ruidosa, enquanto os habituais comentadores de serviço, vão vaticinando sobre os perigos, ou as oportunidades que cada um representa.

Na óptica dos partidos políticos, temos dois cenários distintos: os que rapidamente elegeram um candidato que pretendem apoiar e outros como o PS, que não encontra um nome consensual para uma tomada de decisão agregadora.

Henrique Gouveia e Melo, que só anunciou a sua candidatura em finais de Maio, foi o “segredo mais mal guardado” destas presidenciais. Sempre soubemos que Gouveia e Melo não resistiria à tentação da proeminência obtida no processo das vacinas, como uma plataforma para lanças a sua candidatura presidencial. Mas, uma coisa é o rigor na implementação de um processo vacinal, outra completamente diferente, é a responsabilidade da primeira figura do país. Mas Gouveia e Melo, não deixou de cavalgar a onda das sondagens, sabendo que quanto menos falasse mais teria a ganhar com o assunto. Mesmo agora, depois de anunciada a sua candidatura e algumas entrevistas depois, o tom das intervenções soa a discurso de miss - “peace and love for all”. O seu posicionamento ideológico, fica algures entre a social-democracia e o socialismo democrático (?), que é algo que apenas ele sabe o que é! O apoio velado do CHEGA ao almirante, deixa-o visivelmente incomodado. Os seus apoiantes confessos, são um conjunto de deserdados da política partidária (Ângelo Correia, Alberto João Jardim, o Chicão, Isaltino Morais, António Capucho, Fernando Seara, etc.), como é o caso de Rui Rio, seu mandatário nacional. O almirante apresenta-se aos olhos dos portugueses como alguém que vem de fora do sistema, um pouco à semelhança do crescimento do CHEGA, que se reclama contra o sistema. Algo que os portugueses parecem gostar.

Marques Mendes tem feito tudo para sair da sombra do almirante. Foi o primeiro a anunciar a sua disponibilidade, tem o apoio formal do PSD, constituiu uma Comissão de Honra com gente de peso, tem uma visibilidade como nenhum outro, pela sua intervenção dominical na antena da SIC durante os últimos anos, e ainda por ser aquele que tem maior experiência política. Mesmo assim, a acreditar nas sondagens, as intenções de voto ficam muito aquém de Henrique Gouveia e Melo.

O PS, por sua vez tem encontrado muita dificuldade em apresentar uma figura consensual dentro do Partido. Depois de um deslize de Pedro Nuno Santos afirmando que o nome de António José Seguro daria um bom presidente, para pouco tempo depois dar o dito por não dito. Muitos outros nomes têm surgido na área de influência do PS: António Costa, António Guterres, António Vitorino, Mário Centeno e Santos Silva. Todos estes nomes têm suscitado apoios e vaias dentro do PS, o que também já é habitual. Mais recentemente, o nome de Sampaio da Nóvoa, que não sendo militante do PS, tem merecido alguma simpatia nas hostes socialistas e nas esquerdas em geral. A decisão de António José Seguro, anunciada ontem, vem dificultar ainda mais a posição do PS, como se já não bastasse a estrondosa derrota eleitoral nas últimas legislativas.

O CHEGA, já havia anunciado André Ventura como o seu candidato. Mas depois da vitória retumbante nas legislativas, parece ter feito um pouco de marcha-atrás, por recear que umas eleições com características diferentes, pudessem constituir um desastre. Parece haver alguma disponibilidade para apoiar o candidato mais bem posicionado, como estratégia para desviar as atenções de uma hipotética derrota.

Quanto às restantes forças políticas, apenas vão usar estas eleições, como forma de garantirem alguma visibilidade das suas posições políticas, Quanto ao resto, são perfeitamente irrelevantes.

terça-feira, 3 de junho de 2025

A LUTA UCRANIANA E O CAVALO DE TRÓIA

 

Há muito que me escusava a falar sobre o conflito russo-ucraniano, não porque tenha mudado de opinião relativamente à invasão da Ucrânia, e à minha total oposição às teses de Putin. Fi-lo porque comecei a observar um progressivo amaciamento da posição de muitos observadores credenciados, relativamente a este conflito.

O desencadear da operação com o nome de código “spider web”, bem no interior do território russo, fez-me mudar de opinião. Foi uma operação preparada com mestria, com um ano e meio de antecedência, e com a finalidade de enfraquecer o poderio aéreo russo. O ataque aconteceu quando camiões, transportando drones ucranianos, conseguiram não só entrar no país, mas chegar a cinco bases aéreas. Tanto quanto é possível saber neste momento, a operação foi preparada tal como os gregos conceberam um cavalo de madeira, para conquistar Tróia. A única diferença é que no caso dos gregos, parece tratar-se de uma lenda, enquanto o ataque ucraniano revelou-se uma triste realidade para os russos.

Pelo que se vai sabendo, foram destruídos cerca de 40 diversos caças e bombardeiros estratégicos, responsáveis pelos constantes ataques à Ucrânia. E ao contrário dos russos, os objectivos atingidos eram militares e não escolas, hospitais, centros comerciais e zonas residenciais.

Tudo isto aconteceu no mesmo dia em que na Turquia se realizava mais um encontro entre delegações russas e ucranianas, com vista a atingir-se um cessar-fogo, a que a Rússia sempre se negou a aceitar. Como se isto não fosse suficiente, acabei de saber que os ucranianos lançaram dois ataques à ponte estratégica que liga a Rússia à Crimeia, com recurso a explosivos colocados debaixo de água.

Se a obtenção de um acordo de paz neste conflito, já parecia muito difícil, receio bem que a partir desta grande humilhação para a Rússia, para Putin e para os Serviços Secretos russos, vai tornar estas conversações bem mais complicadas. Igualmente, o papel de Trump que prometia acabar com a guerra em 24 horas, ficou sem chão por só ter tido conhecimento do ataque depois deste estar concluído.

Resta-me confessar a minha profunda admiração por este povo, que teima em defender-se de um agressor poderoso e implacável. O que a Ucrânia acaba de fazer à Rússia, com estes ataques causou espanto e, já é comparado a mais um acto de David contra Golias.