Com as próximas eleições para a
presidência da república a pouco mais de duas semanas, penso que aos eleitores
se coloca a seguinte questão: quem melhor, do leque de candidatos, se apresenta
em condições de substituir a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa? Ou seja,
será que queremos um candidato que se proponha fazer algo de semelhante ou
queremos alguém com uma visão diferente para a função presidencial?
Apresentaram-se um número
considerável de candidatos com propostas muito alinhadas com as suas convicções
ideológicas. Destes, todos os que representam a esquerda radical utilizaram a
campanha, como habitualmente, para fazer uma “prova de vida”, mas os resultados
das tendências, dão-lhes uma representatividade muito marginal. Por isso, vou
concentrar a minha atenção nos seis candidatos que podem ter alguma
possibilidade de chegar à previsível segunda volta: Marques Mendes, António
José Seguro, Gouveia e Melo André Ventura e João Cotrim de Figueiredo.
Marques Mendes - apresenta-se
como o candidato da AD, e com propostas muito semelhantes às protagonizadas por
Marcelo Rebelo de Sousa. Acresce ainda as polémicas relacionadas com conflitos
de interesses mal explicados.
António José Seguro – Foi vítima
das indecisões habituais do PS, no que diz respeito ao apoio que nunca pediu. O
seu problema é que não se quer comprometer com nada. Sempre foi um político do
NIM, quanto a tomar decisões, nem não, nem sim.
Gouveia e Melo – Apareceu na
política, apesar de quando questionado a este respeito ter afirmado: “Se isso
acontecer, dêem-me uma corda para me enforcar”. Apresentou-se muito cedo e as
sondagens foram-lhe muito favoráveis no início. À medida que a campanha foi
evoluindo foi fácil perceber alguma inabilidade política e falta de experiência.
Apesar que uma queda constante nas intenções de voto, existem forte
probabilidade de passar a uma segunda volta.
André Ventura – As suas habituais
intervenções histriónicas e de uma retórica repetitiva, tem um público
fidelizado e que se revêm nas suas posições- não é o meu caso. Apesar disto as
sondagens apontam para uma quase certa passagem à segunda volta.
João Cotrim de Figueiredo –
Representa uma visão mais moderna e liberal, que contrasta com a aparente
monotonia que viveu a política portuguesa nos últimos 50 anos. Tem conseguido
uma forte penetração nas camadas mais jovens e que pretende dar voz a quem não
está satisfeito com as opções actuais.
Como já se percebeu, a minha
preferência recai sobre João Cotrim de Figueiredo (JCF), pelas razões apontadas
anteriormente, mas por um conjunto bem mais alargados de propostas, tendo em
vista a sua posição sobre diversos temas. Sobre o processo eleitoral JCF tem
uma proposta de dar muito maior importância à diáspora, propondo uma
alternativa simplificada através do voto electrónico.
Também tem demonstrado que tem
uma visão sobre a economia, onde salienta o nosso fraco crescimento económico
mais exigente com foco em produtividade, inovação, competitividade e
crescimento, com base na cultura, conhecimento e crescimento como pilares para
gerar riqueza.
Aponta o seu discurso para a
passividade dos decisores políticos para superar o conformismo que se vice, com
menos medo de mudanças e mais ambição para enfrentar desafios estruturais. Tem
um curriculum que atesta a sua vasta experiência empresarial, política e
internacional é eurodeputado e foi fundador e liderou a Iniciativa Liberal. Apesenta
um percurso profissional, assumindo cargos de relevo que passou pelo sector
agro-industrial, sector financeiro, pelo audiovisual, pela administração de
empresas e no sector turístico.
Com quase oitenta anos de idade,
sinto uma enorme frustração pelo rumo que a democracia portuguesa tem seguido e
não me sinto representado em nenhum dos outros candidatos. Votei Marcelo Rebelo
de Sousa e muito me arrependo, por ter ridicularizado a acção que o mais alto
representante da nação devia personificar. JCF é alguém com uma carreira de
sucesso, com a disponibilidade e a vontade de servir o país. É um político
optimista, motivado e confiável e, aquele que se apresenta como uma lufada de
ar fresco e capaz de enfrentar os novos desafios que o mundo atravessa.