sábado, 28 de março de 2026

CASA VOO DOS PÁSSAROS

 

Chama-se “Casa do Voo dos Pássaros” (House on the Flight of Birds) e localiza-se em Rabo de Peixe, na zona norte da Ilha de São Miguel nos Açores, e foi projectada para estabelecer uma forte conexão com o exterior.

Construída em 2010, esta casa de arquitectura moderna é uma referência internacional na área, tendo já sido destacada e referenciada em diversos sites de arquitectura como ArchDaily.

Dado o microclima típico dos Açores onde existem ventos e aguaceiros frequentes. Nesse sentido a construção foi pensada de forma a bloquear esses ventos com uma grande parede e criando vários pátios cobertos, no caso dos aguaceiros e chuvas. As paredes de vidro permitem apreciar o verde da natureza presente em seu redor.

No piso superior, existem salas privadas mais fechadas e protegidas. A tipologia segue um design de plano central, com altura dupla na sala de estar e, em seguida, duas asas laterais que encerram uma cozinha. Possui ainda um encantador terraço na cobertura, um local perfeito para relaxar, onde os habitantes podem desfrutar de uma vista sobre a costa da ilha.

A casa também usa as chaminés altas da arquitectura residencial popular, um pátio interior coberto e na outra asa tem os acessos para o primeiro andar e para o terraço. No terraço / telhado é possível apreciar uma fantástica vista pela costa norte da ilha. Um projecto com a assinatura do arquitecto Bernardo Rodrigues.

A sua forma contemporânea é definida por uma série de volumes empilhados que se cruzam entre si, unidos apenas por uma forma contornada que personifica o planar de uma ave.


Referências Bibliográficas:

Site: UR - Ultimas Reportagens

Site: ByAçores

Site: Bernardo Rodrigues

Site: Idealista

Site: Archdaily


quarta-feira, 18 de março de 2026

MIRADOUROS DA ILHA DE SÃO MIGUEL

 

A Ilha de São Miguel, a maior do arquipélago dos Açores, é um paraíso luxuriante, onde a Natureza proporciona uma sensação de perder o fôlego. É um verdadeiro tesouro natural onde cada miradouro revela uma paisagem digna de contemplação prolongada. Entre verdes intensos, lagoas vulcânicas e o azul infinito do Atlântico, estes pontos de observação são janelas privilegiadas para a alma da ilha.

São muitos os miradouros espalhados pela ilha, e cada um tem para apresentar uma paisagem distintiva. São normalmente lugares alcandorados em pontos estratégicos para oferecerem as melhores vistas. Para além da observação da paisagem circundante, são locais habitualmente ajardinados com as condições ideais para descanso e descontracção. Muitos deles oferecem aos visitantes, locais para a realização de churrascos. Alguns, pela sua exuberância são imperdíveis numa visita à Ilha. Os que aqui vamos referir, partem de uma escolha pessoal, e naturalmente discutível.

A presença de gatos nos miradouros da Ilha de São Miguel, especialmente no Nordeste, são conhecidos pelas suas atitudes amigáveis que interagem facilmente com os visitantes. Frequentemente, estes animais são cuidados pela população local e visitantes em áreas naturais.

Miradouro da Boca do Inferno (Grota do Inferno) - É um ponto de observação natural localizado na área circundante do complexo vulcânico das Sete Cidades, oferece uma das vistas panorâmicas mais icónicas do arquipélago, abrangendo crateras vulcânicas, lagos e vales verdejantes.

Miradouro do Pico do Ferro - Situado a cerca de 570 metros de altitude, oferece uma vista deslumbrante sobre o Vale e a Lagoa das Furnas, revelando a força geotérmica que molda esta paisagem vulcânica única. 

Miradouro da Ponta do Sossego - Situado sobre falésias elevadas na costa oriental da ilha, oferece amplas vistas do oceano Atlântico e da paisagem verde característica dos Açores.

Miradouro da Ponta da Madrugada – Igualmente situado na costa oriental da ilha, encanta especialmente ao amanhecer. As primeiras luzes do dia iluminam suavemente a costa recortada, criando um espectáculo de cores e emoções que dificilmente se esquece.

Miradouro da Vista do Rei - É um dos mais emblemáticos e fotografados pontos panorâmicos da Ilha de São Miguel, oferecendo uma das vistas mais icónicas de todo o arquipélago dos Açores. Situado na crista da caldeira das Sete Cidades, este miradouro proporciona uma perspectiva ampla e deslumbrante sobre a Lagoa das Sete Cidades, onde as famosas lagoas verde e azul se estendem serenamente no interior de um antigo vulcão.

Miradouro da Ponta da Ferraria – Situado na extremidade ocidental, oferece uma vista imponente sobre a Ponta da Ferraria, uma paisagem marcada por rochas negras de origem vulcânica que contrastam intensamente com o azul profundo do mar. O cenário é simultaneamente austero e fascinante, transmitindo a sensação de estar perante um território ainda em formação, moldado Com uma vista ampla para Vila Franca do Campo e para o Ilhéu de Vila Franca, o Miradouro da Senhora da Paz é popular entre os visitantes da Ilha de São Miguel.

Miradouro da Senhora da Paz - Com uma vista ampla para Vila Franca do Campo e para o Ilhéu de Vila Franca, o Miradouro da Senhora da Paz é popular entre os visitantes da Ilha de São Miguel.

Miradouro da Lagoa do Fogo – É um dos locais mais impressionantes da Ilha de São Miguel, onde a natureza se apresenta em estado puro, quase intocado pelo tempo. A partir deste miradouro, abre-se uma vista magnífica sobre a Lagoa do Fogo, uma das mais belas e preservadas lagoas vulcânicas dos Açores. Envolvida por encostas verdejantes e vegetação nativa, a lagoa reflete o céu com uma serenidade única, criando um cenário de rara harmonia e tranquilidade.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

ANA ABRUNHOSA – Uma autarca deslumbrada

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Estou perfeitamente à vontade para escrever este post, porque anteriormente ter publicamente elogiado a postura de Ana Abrunhosa durante a catástrofe que assolou Coimbra. Tratou do caso com serenidade e sem nunca exigir mais do que as circunstâncias permitiam. Esta forma de encarar o problema foi reconhecido por todos, incluindo os membros do governo e demais autoridades. Ganhou protagonismo, pelas piores razões com uma postura reservada, mas sem se pôr em bicos dos pés. Já o presidente Marcelo, este sim sempre desejoso de protagonismo, não deixou de aproveitar o momento.

Mas a estrelinha de Ana Abrunhosa começou a empalidecer, quando convidada por Ricardo Araújo Pereira para o seu programa dominical em horário nobre. Ana Abrunhosa faz uma aparição teatral, envergando um colete reflector da Protecção Civil, fazendo uma declaração para enaltecer as forças que ajudaram a combater aos efeitos da devastação provocada. Imediatamente depois seguiu-se o segundo acto da performance. Despindo o casaco e atirando-o para longe, porque a hora e o momento exigiam uma postura muito mais formal, apesar do programa ser tudo menos isso.

O ministro deslocou-se para uma conversa com os agricultores da região, provavelmente uma das actividades mais prejudicadas e que até à drenagem dos terrenos só lhes resta que ainda conseguir resistir de forma a tempo de conseguirem que a cultura do arroz seja possível vingar, considerando a escassez de tempo disponível.

Segundo as declarações de José Manuel Fernandes. O seu gabinete, com a devida antecedência, informou a autarca da deslocação do governante e as razões desta visita. Ana Abrunhosa, teve o azar do ministro ter comprido o horário e ela não (chegou com 20 minutos de atraso). O ministro perante as perguntas dos jornalistas que o acompanharam, fez o que seria espectável, respondeu às questões colocadas.

É perante este cenário que Ana Abrunhosa aparece, e manifesta a sua indignação pelo o facto do ministro não podia falar com os jornalistas antes de falar com ela(?). Esta atitude, envolta num clima de grande exasperação, só pode ser encarada como um assomo de uma importância protocolar, que manifestamente as normas não lhe reconhecem. A tentativa do ministro de serenar os ânimos, recebeu por parte de Ana Abrunhosa ainda mais exaltação.

Mais tarde na SIC o ministro deu todas as explicações para justificar que da sua parte limitou-se a cumprimento de um horário com os agricultores que o aguardavam e ela não. Ana Abrunhosa teve o azar do ministro ter chegado a horas. Considerando o que observamos normalmente, é que são os autarcas que esperam pelo ministro, e nunca o contrário.

O papel que autarca de Coimbra desempenhou nesta catástrofe, nunca é demais enaltecer: a sua frieza na tomada de decisões difíceis, a serenidade como as tomou, e a articulação com as forças de segurança no terreno, tornam por isso, estranho o seu comportamento com o ministro.

Podemos talvez concluir que, dada a carga emocional e o stress que viveu, tenha atingido um ponto de rotura, perante uma situação injustificada. Ou como muita gente afirma, que se tratou de um deslumbramento com o reconhecimento que adquiriu por via da catástrofe. Qualquer uma destas desculpas não justificam o seu comportamento. Desta vez não estreve bem. Diria mesmo que esteve muito mal.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

MORGAN MOTOR COMPANY

 

Uma imagem com pneu, roda, veículo, Veículo terrestre

Os conteúdos gerados por IA podem estar incorretos.  Future classic: Morgan Plus Six | Classic & Sports Car

       O novo 3 Weeller                 Morgan Plus Six

A Morgan Motor Company foi criada em 1909 por H.F.S. Morgan. Nasceu em Herefordshire, onde o seu pai, era o pároco local. Frequentou a Escola de Marlborough, mas sofreu de problemas de saúde, possivelmente causados ​​pela subnutrição, e foi retirado da escola pelos pais e enviado para Itália para recuperar. Quando regressou, ingressou na Escola de Engenharia Crystal Palace, e depois juntou-se à companhia ferroviária Great Western como aprendiz.

Deixou a GWR no final de 1904 e, com o seu amigo Leslie Bacon, abriu uma garagem de vendas e serviços de automóveis em Malvern Link em Maio de 1905, com representação para os automóveis Darracq e Wolseley. Em 1908, comprou um motor Peugeot de dois cilindros de 7 cv,m a intenção de construir uma moto, mas mudou de ideias e usou-o para impulsionar o seu primeiro automóvel, que fez em 1909 com a ajuda de William Stephenson-Peach, pai de amigos e professor de engenharia no Malvern College, onde Morgan teve permissão para utilizar a oficina bem equipada. O carro de três rodas tinha um chassis de espinha dorsal, um assento e uma suspensão dianteira independente com mola helicoidal, pouco comum na época.

Com base nesta experiência e com ajuda financeira do pai e da mulher iniciou a produção de um monolugar e em 1910, apresenta-se no Salão Automóvel de Londres com 3 exemplares. Apesar do interesse suscitado, poucos foram os pedidos colocados. Por isso decidiu que era necessário um modelo de dois lugares para satisfazer as exigências do mercado. Em 1911 foi posto à venda nos Armazéns Harrods, pelo preço de venda de 65 Libras. Este primeiro modelo o 3 Weeller foi um sucesso, e é uma narrativa de longevidade, simplicidade e paixão britânica pelo automobilismo. Na altura, eram classificados como motocicletas, o que significava impostos menores e mais competitividade contra os primeiros carros de quatro rodas.

Como forma de impulsionar as vendas, foi estabelecida uma política de envolvimento no desporto automóvel, muitas vezes com o próprio Morgan ao volante. O modelo popularizou-se e granjeou forte simpatia no sector automóvel. As vendas cresceram de forma constante até ao início da Primeira Guerra Mundial. Embora o fabrico de alguns automóveis tenha continuado, a fábrica foi convertida principalmente para a produção de munições e ampliada.

A marca foi ganhando experiência e, em 1936, lançou o modelo 4/4. Desde então, a Morgan Motor Company passou a ser conhecida mundialmente pelo carisma, pela qualidade dos acabamentos e pela dedicação total à construção artesanal. É uma das marcas de automóveis mais tradicionais e antigas do mundo ainda em operação, reconhecida por fabricar esportivos "à mão" com um design que evoca os anos 30 e 40. A principal característica da marca é a fusão única entre técnicas artesanais (incluindo uma estrutura de madeira) e mecânica. Uma das suas características fundamentais está bem expressa no slogan adoptado: “Apaixone-se por conduzir novamente” - (Fall in love
with driving again).

Os diversos modelos mantêm entre si algumas semelhanças: o seu ADN desportivo, e o visual "retro", com guarda-lamas separados, capô longo e linhas clássicas, que pouco mudaram ao longo das décadas, e de carros feitos para desfrutar do prazer da condução.  A construção leve, combinada com motores modernos), resulta em excelente relação peso-potência e uma experiência de condução intensa.

Por ocasião do 110º aniversário a Morgan lançou um novo 3 Wheeler. O modelo mais excitante da Morgan, o 3 Wheeler foi actualizado com a tecnologia do século XXI. Com um fabuloso motor de injecção S&S ‘V-twin’ com 1983cc, acoplado a uma caixa de 5 velocidades Mazda.

Apesar da sua longevidade, os automóveis Morgan continua a despertar o interesse em muitos amantes de uma condução desportiva tradicional.

 

 

 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A HIPOCRISIA DO COMITÊ OLÍMPICO


Vladyslav Heraskevych, da Ucrânia, chega à meta durante uma sessão de treino nos Jogos Olímpicos de inverno de 2026, em Cortina d'Ampezzo, Itália Volodymyr Zelensky condecorou Vladyslav Heraskevych - Foto: Zelensky/X

Vladyslav Heraskevych é uma atleta da modalidade de skeleton, treinado pelo seu pai Mykhailo Heraskevytch, que representou o seu país nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. Foi desclassificado pelo COI por se ter recusado a acatar proibição de não utilizar o equipamento. O equipamento em causa, era apenas um capacete de protecção pintado com imagens de outros compatriotas mortos na guerra da Ucrânia. O capacete não apresentava quaisquer slogans ou símbolos políticos. A justificação assentava na premissa de: “que as regras não permitem manifestações políticas nos eventos".

Mykhailo apelou à Tribunal Arbitral do Desporto para revogar a decisão do COI e retornar às Olimpíadas de Inverno. O tribunal máximo do Desporto, no entanto, rejeitou o seu apelo. Perante a decisão afirmou: "Há coisas mais importantes do que as medalhas", Heraskevych num post no X após a sua suspensão. "Este é o preço da nossa dignidade".

Olhando com distanciamento para os argumentos sustentados pelo COI, podemos admitir a justeza da decisão, se a intenção fosse de cariz objectivamente político. Pode também aceitar-se que o atleta apenas quisesse prestar uma homenagem a companheiros mortos em combate, que nunca mais poderiam participar em qualquer manifestação desportiva.  

Os atletas russos competem nas Olimpíadas (como em Paris 2024 e Milão-Cortina 2026) sob a condição de Atletas Individuais Neutros (AIN), devido à invasão da Ucrânia. Não podem usar bandeira, hino ou símbolos nacionais russos, competindo apenas individualmente (sem equipas) após verificação rigorosa de que não apoiam a guerra e não têm ligações militares. No entanto permite que claques organizadas se manifestem abertamente durante as competições, envergando símbolos russos durante as competições. A hipocrisia do COI é frequentemente debatida, centrando-se na aplicação inconsistente das regras de neutralidade política, como a proibição de homenagens por atletas ucranianos em 2026, enquanto se permitem outros gestos, e na sua ambiguidade em relação à participação de atletas russos durante conflitos, gerando críticas de Volodymyr Zelensky e outros observadores sobre a sua postura moral. 

Este foi apenas mais um facto que aponta à inconsistência das posições do COI, que resultou na exclusão de uma atleta que teve a coragem de recusar uma honrosa participação numa prova que lhe deve ter custado muitas horas sacrifício.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez questão de distinguir o gesto do atleta de sketeton, agraciando-o com a Ordem da Liberdade, uma das principais condecorações civis da Ucrânia.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

PRESIDENCIAIS – VENCEU O CANDIDATO ÓBVIO

 

PRESIDENCIAIS – VENCEU O CANDIDATO ÓBVIO

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As eleições presidenciais de 2026, irão ficar na nossa memória, e não pelas melhores razões. Se numa fase inicial tudo apontava para um vencedor incontestado, o almirante Gouveia e Melo, com dois candidatos em boa posição Marques Mendes e André Ventura. António José Seguro, afastado da política há mais de dez anos, sem o apoio formal do partido e sem que, genericamente ninguém lhe reconhecesse qualidades e competência para o cargo, não aparecia em posição de poder disputar a hegemonia que as sondagens mostravam. A evolução das intenções na primeira volta, revelaram que a auscultação das intenções de voto ia sendo alterada a cada semana que passava. Se o score eleitoral de Ventura podia ser espectável, pela fidelidade dos seus eleitores, a subida de António José Seguro parece inusitada, pela simples razão de ter feito uma campanha inócua e sem tomar posição sobre qualquer assunto fracturante.

Muitas são as teorias para justificar estes resultados. Cada uma delas tão nobre como todas as outras. Mas as escolhas sobre os dois candidatos vencedores da primeira volta, deixaram na opinião de muitos eleitores, como as mais insípidas de que se tem memória! Se isto ainda não bastasse, o comboio de tempestades que assolaram o país não ajudaram nada. O que se pergunta é se uma campanha para a segunda volta, em condições normais, teria sido mais interessante? Receio bem que não!

A máxima que diz que: “Numa eleição a duas voltas. Na primeira escolhe-se e na segunda rejeita-se”, parece justificar-se plenamente. Na primeira volta onde a pluralidade, onde o eleitor vota no candidato da sua preferência. Na segunda volta, é um momento de polarização entre os dois candidatos mais votados. Frequentemente, o voto deixa de ser apenas de apoio a um candidato e passa a ser um voto contra o "menos desejado" ou "menos preferido", ou sobre aquele que personifica “o mal menor”. Ou como uma forma de garantir que o vencedor seja aquele que é menos rejeitado pela maioria do eleitorado. As particularidades da eleição presidencial, com o voto uninominal, esta lógica do “menos rejeitado”, sem deixar de lhe conferir total legitimidade, é, por outro lado, uma representatividade questionável.

Talvez seja por isto que da direita à esquerda todos se uniram no sentido de garantir quem é que seria o próximo inquilino de Belém. Ou uma forma de evitar, à semelhança do que aconteceu em França com Emmanuel Macron, que o extremismo associado a André Ventura não conseguisse esta vitória. Isto permitiu a António José Seguro ser o presidente eleito com o maior número de votos alguma vez eleito. O PS depois de um apoio inicial envergonhado, já começou a capitalizar esta vitória. Esta vitória clamorosa, deve deixar António Costa e os costistas com uma azia tremenda…

O CHEGA conseguiu aquilo que pretendia. Subiu 10 pontos percentuais, e pode arvorar-se agora em líder da direita e com isto manter a retórica habitual em direcção ao governo do país, o seu grande e único objectivo. Tenho visto algumas comparações com resultados em legislativas e mesmo com a primeira volta. No caso das legislativas penso que se trata de uma abordagem intelectualmente desonesta. E com a primeira volta, também não é muito sério, atendendo que eram muitos os candidatos, muitos dos quais apenas pretendia usar o tempo de antena disponibilizado para fazerem a sua “Prova de Vida”

O valor dos Votos Nulos e do Voto em Branco, comparado com a primeira volta, também pode ser observado à luz de uma manifestação objectiva dos eleitores. Se os Votos Nulos não tiveram uma oscilação significativa (1.14 – 1,75), já os Votos em Branco registaram uma subida de 3X (1,06 – 3,17) e isto tem um significado político.

A terminar uma palavra para o papel dos eleitores portugueses que, apesar das condições de intempérie verificadas no dia de hoje, não desmobilizaram e deram um sinal de elevado sentido de cidadania.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O PAPEL DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NA TRAGÉDIA CLIMATÉRICA

 

Portugal foi assolado por uma catástrofe climatérica de dimensões colossais, e que na verdade ninguém avaliou as suas reais consequências. Pelo comunicado da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, do dia 27 nada faria prever a magnitude dos estragos causados na fase inicial da catástrofe! O mesmo comunicado apontava para:

O IPMA prevê um agravamento do estado do tempo em Portugal continental devido à passagem da depressão KRISTIN, com precipitação, por vezes forte, vento forte, agitação marítima forte e queda de neve, salientando-se:

Períodos de 𝗰𝗵𝘂𝘃𝗮, por vezes forte, ocasionalmente de granizo e acompanhada de trovoada;

𝗩𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗳𝗼𝗿𝘁𝗲, com rajadas até 120 km/h nas terras altas e até 140 km/h no litoral a norte do cabo Mondego, bem como no interior das regiões Norte e Centro;

𝗔𝗴𝗶𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗺𝗮𝗿𝗶́𝘁𝗶𝗺𝗮 𝗳𝗼𝗿𝘁𝗲 na costa ocidental, com ondas até 7 metros, podendo atingir os 14 metros de altura máxima;

𝗤𝘂𝗲𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗻𝗲𝘃𝗲 acima de 1600 metros de altitude, descendo a cota para 800 metros, prevendo-se acumulações entre 10 cm e 20 cm acima dos 1000 metros de altitude, nas regiões Norte e Centro.

Antes demais é importante olhar para os números que nos permitem ver este fenómeno com realismo e deixando de lado aspectos emocionais que, naturalmente, podem influenciar a nossa análise neste tipo de situações, de forma enviesada.

Segundo o jornal ECO de 29/1, “774 quilómetros de linhas de muita alta tensão da REN, o que corresponde a 7% de toda a Rede Nacional de Transporte de Electricidade”, e “A tempestade derrubou um total de 61 postes de muito alta tensão e danificou muitos mais“, deixando “mais de 1 milhão e 200 mil pessoas ficaram sem electricidade”.  Isto determinou uma falha nas comunicações que tornou praticamente impossível perceber em tempo útil a verdadeira dimensão da tragédia. Falava-se que nas zonas mais atingidas alguns presidentes de câmara só conseguiam comunicar com os presidentes de junta, passado mais de um dia. Já para não falar das inúmeras estradas bloqueadas, o que dificultou em muito uma avaliação precisa dos estragos.

Isto não isenta ninguém das suas verdadeiras responsabilidades. É desde logo o IPMA e a ANEPC que deveriam ter um papel mais acutilante no domínio da prevenção.

Vem tudo isto a propósito do papel da Comunicação Social, que conseguiu cobrir o acontecimento de uma forma que o malfadado SIRESP não foi capaz. Se no plano operacional fizeram o que se esperava, o mesmo não posso dizer dos aspectos comunicacionais. A sede de “sangue” e de encontrar culpados era a tónica dominante em cada uma das intervenções dos repórteres no terreno. As perguntas eram sistematicamente: já aqui apareceu alguém para vos ajudar? Algum membro do governo já aqui chegou?

Se o país tem um serviço de emergência e de protecção civil, é a ele que compete toda a organização operacional e implementação das medidas que cada situação requer. Entre elas fornecer toda a comunicação quer no que diz respeito às necessidades sentidas, bem como à evolução da situação. A comunicação Social deve funcionar aqui como uma correia de transmissão do evoluir da situação e não como um juiz, em busca de culpados. Isso é para ser apurado depois. Aos governantes exige-se que na retaguarda proporcionem todos os mecanismos de ajuda que permitam minorar os prejuízos. A sua presença e o aparato que estas deslocações se rodeiam, só servem para atrapalhar. Uma vez mais não aprendemos com os erros do passado. A política de electrificação generalizada fomentada por este e outros governos veio a provar-se que estava totalmente errada. Basta ver que uma das coisas a tempestade Katrina veio suscitar, era necessidades de geradores, que trabalham a combustíveis fósseis… Neste caso em concreto, a forma como o governo comunicou foi um desastre,mas isso não pode justificar o modo como a CS cobriu este evento.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

NO RESCALDO DESTAS PRESIDENCIAIS

 

Estas eleições deram o resultado que se esperava. António José Seguro (AJS) restituiu ao PS um entusiasmo há muito perdido. Foi até há pouco mais de uma semana do escrutínio, que esta figura mal-amada por algumas sensibilidades no interior do PS, recebeu o apoio formal que, diga-se em abono da verdade, ele nunca o pediu. Considerando que foi uma candidatura informal, no sentido de desligada do apoio da máquina partidária, foi uma vitória inequívoca. Mais ainda, se considerarmos que AJS, esteve ausente do espaço público e político cerca de dez anos, portanto, desconhecido para muitos, particularmente para as camadas mais jovens do eleitorado e, da esquerda estar completamente fragmentada.

AJS foi sempre visto como alguém politicamente frouxo, sem muitas convicções de relevo e sem nunca se comprometer muito, com decisões importantes, particularmente no interior do seu próprio partido. Mesmo durante a campanha pouco se ouviu sobre um compromisso real e objectivamente importante. A sua preocupação era reunir com o primeiro-ministro para o pressionar a resolver o problema da saúde. Ou seja, a AJS não se conhece um compromisso substancial e ideologicamente sustentado. Alguém dizia que na verdade era “alguém que não sabe bem o que quer”.

Já André Ventura (AV), apesar da sua conversa redonda a volta dos mesmos temas, sabe perfeitamente o que quer e para onde quer ir! Resolveu concorrer as estas presidenciais apenas porque não encontrou uma figura de reconhecido mérito junto dos seus simpatizantes. Mesmo assim, é preciso reconhecer que teve uma prestação aguerrida, como é seu timbre, e os seus indefectíveis apoiantes lhe garantiram uma confortável passagem à segunda volta. Como se sabe, a sua taxa de rejeição junto do eleitorado é elevada, o que pode ajudar a AJS aspirar chegar a Belém sem ter de fazer praticamente nada. A esquerda e o centro vão-se unir à volta de Seguro para evitar a eleição de Ventura, à semelhança do que acontece em França com o partido Rassemblement National de Marine Le Pen.

Os grandes perdedores desta noite eleitoral foram Cotrim de Figueiredo, Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes. Cotrim por dois episódios a uma semana do fim da primeira volta, que deitaram por terra o sonho de uma campanha muito bem-sucedida. O almirante porque parecia um peixe fora de água, e manifestamente tinha alguma dificuldade em deambular num ecossistema que lhe era totalmente estranho. Começou muito alto, mas rapidamente foi perdendo o património alcançado no processo de vacinação. Marques Mendes foi um desastre completo. Tinha na mão a vantagem de durante muitos anos entrar na casa dos portugueses num programa de comentário político bem-sucedido. Por outro lado, tinha muitos anticorpos no PSD, partido que lhe deu todo o apoio formal. Nem a máquina partidária, nem o reiterado apoio de Luís Montenegro foram suficientes para evitar o descalabro.

Todos os demais candidatos da esquerda usaram esta eleição como um estratagema da “prova de vida”.  As suas prestações nos debates até lhes correram bem, mas a mensagem que passam já não colhe junto do eleitorado. Numa análise fria a estes resultados, observa-se uma tendência consistente de falta de representatividade, que tornou irrelevante todo o espectro partidário da esquerda radical.

Lui Montenegro pelo seu lado, não tendo passado à segunda volta o seu candidato, vai ter no palácio de Belém, muito provavelmente um inquilino que vai permitir governar sem grande sobressalto, como se foi dizendo “que AJS era o opositor que a direita gostava”.

sábado, 10 de janeiro de 2026

A UMA SEMANA DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

 

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A pouco mais de uma semana das próximas eleições, estou certo de que os portugueses já devem ter pensado, que este plebiscito se apresenta com particularidades a que não estávamos habituados. Talvez a perturbação maior é o facto de assentar numa pulverização do espectro partidário, de tal forma que veio deitar por terra a lógica do bipartidarismo. Este facto é ainda mais importante considerando que a eleição para a presidência da república, ao contrário das demais, assentar em que cada voto conta. Outro aspecto peculiar resulta de uma aparente simpatia do eleitor pelos candidatos que se dizem fora do sistema. Esta posição é difícil de sustentar, considerando que todos precisam do sistema para ser eleitos. Outra realidade, quase certa, é que a decisão final vai determinar uma segunda volta.

A propósito da premissa de uma segunda volta, o facto de um universo de 5 candidatos registarem um score eleitoral à volta dos 18% e 20%, determina que qualquer um deles estará em condições de passar à segunda volta. E, aparentemente, apenas André Ventura terá garantida essa passagem por se considerar que é aquele que tem um eleitorado mais fidelizado. Aceitando que isto é verdade, resta saber qual será o outro candidato. Acresce ainda que André Ventura, apesar da boa posição que ocupa nas intenções de votos, é também aquele que tem uma maior taxa de rejeição. Portanto, o que está em jogo qual será o candidato que poderá disputar essa segunda volta, em condições de derrotar Ventura?

O apoio partidário aos candidatos, particularmente o PS e o PSD foi. no início muito pífio, considerando que esses candidatos desenvolveram alguns anticorpos, nas habituais sensibilidades partidárias. A uma semana das eleições, parece ter havido um toque a rebate, e estes partidos parece terem esquecido rivalidades antigas, para considerarem um apoio mais robusto aos seus candidatos, o que a princípio não se verificou. António José Seguro parece estar mais confortável, considerando que os outros candidatos de esquerda terem uma muito baixa aceitação. Pelo contrário, Marques Mendes, terá de disputar com mais candidatos, com valores das intenções de votos muito próximos entre eles. João Cotrim de Figueiredo, começou de forma muito modesta, quase um outsider, mas tem tido uma subida constante e continuada e está neste momento dentro da margem de erro, disputando igualmente a possibilidade de passagem à segunda volta. Já Gouveia e Melo, parece estar a verificar-se o contrário.

Estas serão algumas das dificuldades para se fazer uma escolha consciente. Ao contrário do que alguns candidatos afirmam, de que o cargo exigir uma considerável experiência política e governativa, o resultado das diversas sondagens sobre as intenções de voto, parecem apontar em sentido contrário. Ou seja, os eleitores parecem orientar o seu voto para aqueles candidatos que têm um discurso que responde, de alguma forma, às suas reais preocupações.

Uma coisa é certa, são mais as dúvidas do que as certezas. Muitas das opiniões e comentários observados assentam na lógica das diversas sondagens, o que pode constituir um erro tremendo, como já se viu anteriormente.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

PORQUE VOU VOTAR EM JOÃO COTRIM FIGUEIREDO

 

Com as próximas eleições para a presidência da república a pouco mais de duas semanas, penso que aos eleitores se coloca a seguinte questão: quem melhor, do leque de candidatos, se apresenta em condições de substituir a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa? Ou seja, será que queremos um candidato que se proponha fazer algo de semelhante ou queremos alguém com uma visão diferente para a função presidencial?

Apresentaram-se um número considerável de candidatos com propostas muito alinhadas com as suas convicções ideológicas. Destes, todos os que representam a esquerda radical utilizaram a campanha, como habitualmente, para fazer uma “prova de vida”, mas os resultados das tendências, dão-lhes uma representatividade muito marginal. Por isso, vou concentrar a minha atenção nos seis candidatos que podem ter alguma possibilidade de chegar à previsível segunda volta: Marques Mendes, António José Seguro, Gouveia e Melo André Ventura e João Cotrim de Figueiredo.

Marques Mendes - apresenta-se como o candidato da AD, e com propostas muito semelhantes às protagonizadas por Marcelo Rebelo de Sousa. Acresce ainda as polémicas relacionadas com conflitos de interesses mal explicados.

António José Seguro – Foi vítima das indecisões habituais do PS, no que diz respeito ao apoio que nunca pediu. O seu problema é que não se quer comprometer com nada. Sempre foi um político do NIM, quanto a tomar decisões, nem não, nem sim.

Gouveia e Melo – Apareceu na política, apesar de quando questionado a este respeito ter afirmado: “Se isso acontecer, dêem-me uma corda para me enforcar”. Apresentou-se muito cedo e as sondagens foram-lhe muito favoráveis no início. À medida que a campanha foi evoluindo foi fácil perceber alguma inabilidade política e falta de experiência. Apesar que uma queda constante nas intenções de voto, existem forte probabilidade de passar a uma segunda volta.

André Ventura – As suas habituais intervenções histriónicas e de uma retórica repetitiva, tem um público fidelizado e que se revêm nas suas posições- não é o meu caso. Apesar disto as sondagens apontam para uma quase certa passagem à segunda volta.

João Cotrim de Figueiredo – Representa uma visão mais moderna e liberal, que contrasta com a aparente monotonia que viveu a política portuguesa nos últimos 50 anos. Tem conseguido uma forte penetração nas camadas mais jovens e que pretende dar voz a quem não está satisfeito com as opções actuais.

Como já se percebeu, a minha preferência recai sobre João Cotrim de Figueiredo (JCF), pelas razões apontadas anteriormente, mas por um conjunto bem mais alargados de propostas, tendo em vista a sua posição sobre diversos temas. Sobre o processo eleitoral JCF tem uma proposta de dar muito maior importância à diáspora, propondo uma alternativa simplificada através do voto electrónico.

Também tem demonstrado que tem uma visão sobre a economia, onde salienta o nosso fraco crescimento económico mais exigente com foco em produtividade, inovação, competitividade e crescimento, com base na cultura, conhecimento e crescimento como pilares para gerar riqueza.

Aponta o seu discurso para a passividade dos decisores políticos para superar o conformismo que se vice, com menos medo de mudanças e mais ambição para enfrentar desafios estruturais. Tem um curriculum que atesta a sua vasta experiência empresarial, política e internacional é eurodeputado e foi fundador e liderou a Iniciativa Liberal. Apesenta um percurso profissional, assumindo cargos de relevo que passou pelo sector agro-industrial, sector financeiro, pelo audiovisual, pela administração de empresas e no sector turístico.

Com quase oitenta anos de idade, sinto uma enorme frustração pelo rumo que a democracia portuguesa tem seguido e não me sinto representado em nenhum dos outros candidatos. Votei Marcelo Rebelo de Sousa e muito me arrependo, por ter ridicularizado a acção que o mais alto representante da nação devia personificar. JCF é alguém com uma carreira de sucesso, com a disponibilidade e a vontade de servir o país. É um político optimista, motivado e confiável e, aquele que se apresenta como uma lufada de ar fresco e capaz de enfrentar os novos desafios que o mundo atravessa.