quarta-feira, 22 de outubro de 2025

FRANCISCO PINTO BALSEMÃO UM PIONEIRO E UM VISIONÁRIO

 


"Hoje e sempre, a única obrigação moral que pode ser exigida ao Homem é que procure deixar o Mundo onde nasceu melhor do que o encontrou"

(Francisco Pinto Balsemão)

Há uns anos a esta parte, e por razões que seria fastidioso estar agora a elencar, apaixonei-me pelos fenómenos que envolvem o mundo da Comunicação, particularmente nos aspectos conceptuais. Como este ecossistema era novo para mim, passei pelo processo de aprendizagem, tentando informar-me de forma consistente, de tudo o que tudo o que o envolvia. Recordo-me, em particular, do esforço que tive de fazer para entender os paradigmas associados ao conceito de comunicação como um todo.

Apesar da pouca literatura existente e da perspectiva portuguesa deste fenómeno, esbarrava sistematicamente com o nome de Francisco Pinto Balsemão, o que me obrigou também, a tentar perceber um pouco mais sobre esta personalidade, para além da espuma dos dias. Percebi que tinha um percurso de vida multifacetado e deu o seu contributo como político, como advogado, como professor, como empresário, como jornalista e como homem de cultura.

Era um jurista de formação. Foi um político que integrou um grupo parlamentar conhecido pela Ala Liberal, durante o Estado Novo, que pretendia marcar uma nova forma de olhar para o país que permitisse uma mudança pacífica para a democracia. Teve um papel preponderante no pós 25 de Abril, como um dos fundadores do então PPD. Na política desempenhou cargos de elevada preponderância. Mas foi no jornalismo que o seu pioneirismo alcançou maior relevo.

Assumiu a chefia do governo em circunstâncias muito difíceis. Foi na sequência da morte de Francisco Sá Carneiro e o país a tentar livrar-se das amarras revolucionárias que o novo regime enfrentava.

Depois de trabalhar como jornalista na imprensa diária, resolve criar o seu próprio projecto jornalístico, inspirado nos semanários que se publicavam noutros países da Europa e funda em 1973 o Jornal Expresso. O Expresso tornou-se desde a sua génese um título de referência da imprensa escrita portuguesa, pela seriedade, isenção e qualidade dos colaboradores.

É e nesta vertente que mais admiro o Homem e a sua obra. Foi um humanista e preservou sempre os valores da liberdade e da independência jornalística. Mesmo quando assumiu a funções de primeiro-ministro, o jornal que fundara não se coibiu de o criticar, sem que isso o motivasse a uma atitude revanchista.

Francisco Pinto Balsemão foi um homem muito à frente do seu tempo. Foi sempre um vanguardista e um visionário. São disso exemplo o seu pioneirismo como: criador do primeiro canal de televisão privado, o primeiro canal de notícias, da primeira plataforma de streaming nacional, cria o Prémio Pessoa, e é um apaixonado pelas abordagens comunicacionais com recurso às novas tecnologias, criando, em nome próprio um podcast para assinalar o início das comemorações dos 50 anos do Expresso e edita em formato digital as suas memórias recorrendo à clonagem da sua voz por Inteligência Artificia. 

Mas foi sobretudo, a sua carreira, o seu humanismo, o seu vanguardismo, a sua isenção e o seu amor pela liberdade, desde logo a liberdade de Imprensa, que me habituei a admirar. Foi um homem muito à frente do seu tempo e deixa para as novas gerações uma obra de referência a ser seguida.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

O PS A DAR UMA TRISTE IDEIA DE SI MESMO

 



A queda estrondosa do PS nos últimos dois plebiscitos, contrasta com a subida fulgurante do CHEGA no mesmo espaço de tempo. À pergunta existencial de: “O que faço aqui?” e “Para onde quero ir”, o PS foi respondendo com hesitação atrás de hesitação. Há cerca de um ano Pedro Nuno Santos, assumiu que António José Seguro, seria um bom candidato para o PS, para em muito pouco tempo se arrepender do que havia dito. Depois, muitos foram os nomes atirados para o ar de putativos candidatos, que certamente estariam muito mais alinhados com a matriz ideológica socialista, por oposição ao perfil mais moderado de António José Seguro. António Vitorino, Artur Santos Silva, Mário Centeno, Ana Gomes, Sampaio da Nóvoa, como os que melhor representavam o PS actual. Porque será que não aceitaram?

É bom relembrar que sempre que o nome de António José Seguro era ventilado, muitas vozes se levantavam, particularmente da facção “costista”, enumerando uma série de questões que o tornavam um alvo a abater. Como nenhum dos putativos candidatos, anunciados como escolhas naturais, se mostrou disponível, foi ontem anunciado o apoio formal do PS à candidatura de António José Seguro, com ênfase de que António José Seguro é um digno defensor do socialismo democrático!

É caso para perguntar porque tanto tempo a reconhecer algo que parecia obvio? Outra pergunta que se pode colocar, é o facto deste anúncio ter sido feito lado a lado com o presidente do partido Carlos César, que nunca foi um defensor confesso do candidato?

A indefinição do PS quanto a esta e outras questões tem sido pautada por avanços e recuos. Desde que António Costa abraçou o conforto e prestígio de um cargo europeu, que o partido e, sobretudo, os seus militantes ficaram órfãos. Foi assim no apoio do partido às próximas eleições, foi assim no incómodo causado pelas recentes declarações do autarca de Loures, no caso das barracas.

Se Pedro Nuno Santos tinha uma forma de estar que cortava a direito, sem respeitar as vozes críticas, tivesse ou não razão, José Luís Carneiro que o sucedeu, representa uma facção oposta, que herdou um partido em frangalhos, e lá vai de cedência em cedência procurando um caminho que eu suspeito o irá conduzir a um precipício.

Com a fragmentação do espectro partidário, o mantra de ser socialista numas vezes, e social-democrata noutras, parece não convencer os seus eleitores tradicionais. Entre o não e o sim o PS tem, sistematicamente preferido o NIM. Além de falta de coerência ideológica, ou talvez por isso mesmo, o partido está a dar uma triste ideia de si próprio. E a riquíssima história do partido no nosso processo democrático, parece não ser suficiente para impedir o desgaste inexorável que o poderá conduzir à irrelevância.

Acresce ainda que não se entendeu que o ambiente político, em Portugal e na Europa vive um período de mudança a que a esquerda parece fechar-se numa bolha e recusa-se a ver as evidências, abrindo um caminho a populismos e radicalismos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

MÁRIO CENTENO – UM HINO GROTESCO

 

Mário Centeno saltou para a ribalta pela mão de António Costa, no ainda delicado período do pós-Troika. Até então, o seu nome era talvez conhecido no âmbito do ecossistema bancário e pouco mais. No entanto, o comum dos cidadãos só passou a conhecer esta personagem quando assumiu a pasta das Finanças no XXI Governo Constitucional de Portugal e Ministro de Estado e das Finanças no XXII Governo Constitucional de Portugal.

Em pouco mais de uma década, Mário Centeno, um quase desconhecido economista, funcionário do Banco de Portugal tornou-se numa "marca" de sucesso do PS Costista, e um dos protagonistas da vida política portuguesa. Foi o inventor das cativações, que de algum modo, garantiram a sobrevivência dos governos da geringonça. E foi neste período governativo que se tornou no “Ronaldo das Finanças”. A ascensão de Mário Centeno na política portuguesa começou aos tropeções e com muitas reservas, para se tornar no mais importante elemento dos governos de António Costa.

Mário Centeno, o “patinho feio”, ascendeu no seio da geringonça a um lugar cimeiro, sem que ninguém o previsse, para se transformar numa estrela política, conseguindo ser a escolha para presidir ao Eurogrupo. Um tecnocrata que não queria ser, ou alguém que ficou deslumbrado pelo ensejo de se tornar num político de reconhecido valor. Quando abandonou o Governo do PS para poucos dias depois assumir a liderança do Banco de Portugal, foi alvo de duras críticas. Por esta razão foi acusado de não ter respeitado um razoável período de luto, ao passar de regulado a regulador, demonstrando uma sede de se manter na crista da onda, atitude que foi condenada por questões de ética republicana, muito apreciada pelas hostes socialistas.

Quando se olha ao seu percurso fácil é depreender que se tornou em pouco tempo de um mero desconhecido, para alguém que, depois de um percurso meteórico na vida política, olha para um futuro bem mais ambicioso. Chegou a ser indicado para o lugar de 1º ministro, quando António Costa apresenta a sua demissão após suspeitas de corrupção no seu Governo e buscas à sua residência oficial. Depois disto o seu nome é apresentado como protocandidato à Presidência da República.

Todo este percurso representa um período político com vicissitudes muito particulares, onde Mário Centeno desempenhou um papel crucial. Foi um percurso com êxitos e fracassos. Com tomadas de posição, eventualmente, questionáveis. Isto, representa, no entanto, uma natural e legítima ambição do visado.

Mo final do seu mandato Mário Centeno não resistiu à tentação de, há semelhança de outros políticos, deixar uma marca do culto da (sua) personalidade. Um hino de louvor do seu exercício como governador. Pelo pouco que se sabe, Mário Centeno compôs um Hino de louvor, musicado pelo Carlos T, por um ajuste directo de 15.000,00 €! Este culto da personalidade e o desplante de gastar o dinheiro dos contribuintes com uma manifestação de gosto duvidoso, só lembra as figuras representativas das autocracias mundiais. Digamos que alguém que foi ministro das Finanças, presidente do Eurogrupo, governador do Banco de Portugal, para não citar outras funções relevantes que desempenhou, este fim de mandato, merece um estudo de caso.” Shame on You”