sábado, 25 de maio de 2024

Explorando os benefícios terapêuticos da arte da queima de madeira – a Pirografia

 A Pirografia como actividade de alívio do stress

Iniciei-me nesta actividade durante a Pandemia. A primeira intenção foi a pura ocupação do tempo, nunma altura em que todos estávamos confinados e pouco nos restava que a penosa observação da informação sobre aquele terrível pesadelo que a todos atormentava. 

Como tinha em casa um pirógrafo artesanal, sem controlo de temperatura, comecei um processo de iniciação a esta modalidade artística. Fiz o percurso habitual de observação de vídeos no Youtube, e na consulta de documentação dispersa. Comecei por escolher desenhos muito simples para que a decepção não fosse muita  quando terminasse a peça. Na realidade o resultado foi entusiasmante por três ordens de razão: o processo revelou-se mais simple s do que à primeira vista tinha imaginado; o resultado foi uma agradável surpresa numa primeira experiência; e o tempo envolvido em todo o processo (a escolha do desenho e do suporte e o seu acabamento) colmatou aquela necessidade. Para além disto, a sensação de alegria e contentamento, resultaram num benefício de satisfação pessoal indescritíveis. Para além disso, permitiram esquecer as preocupações que na altura se viviam, e desfrutar de uma sensação de calma e relaxamento. 

É sobre este aspecto em concreto que gostaria de vos falar. A Pirografia , não sendo um processo complicado em si, requer por parte do executante algum foco e concentração. Esta atenção (trabalha-se com temperaturas elevadas e qualquer erro cometido é de difícil reversão), conduz-nos a um estado de atenção plena. Este foco permite que nos escapemos  temporariamente das tensões da vida diária e mergulhemos no processo criativo, independentemente da complexidade envolvida. 

Mergulhar na Pirografia pode ser uma actividade altamente eficaz para aliviar o stress. O processo requer um alto nível de foco e concentração. à medida que queimamos meticulosamente  padrões intricados na madeira, entramos num estado de atenção plena, sem que isso represente um esforço. Ou seja, entramos naquele estado de concentração de forma natural. Este nível de foco pode ajudar a melhorar as nossas habilidades motoras e destreza, a capacidade de atenção e melhorar a clareza mental geral. 

Esta necessidade de concentração, para além dos aspectos já referidos, parecem ter um impacto observável sobre a nossa criatividade uma vez que o processo inicia-se muito antes da queima. Isso ajuda a explorar os nossos instintos criativos e deixa a nossa imaginação fluir livremente. Este processo de auto-expressão revela-se libertador traduzido num incrível bem-estar emocional. 

No meu caso, não trabalho em Pirografia com intuitos de ordem comercial. Invariavelmente as peças destinam-se a ofertar a familiares e amigos. É altamente compensador perceber a satisfação com que as peças são recebidas e, entendo-as como a melhor recompensa pelas muitas horas "perdidas", e na satisfação que todo o processo me traz. muito mais valiosa que qualquer compensação monetária. É por isto mesmo, uma maravilhosa realização e de aumento de auto-estima.


quinta-feira, 16 de maio de 2024

O AEROPORTO EM SANTARÉM AINDA FAZ SENTIDO?

 


Ontem ficamos a saber que, finalmente, foi tomada uma decisão sobre o novo aeroporto. Até já lhe atribuíram um nome – AEROPORTO LUIS DE CAMÕES. Honra seja feita, pelo facto de lembrarem o nome do nosso poeta maior em ano de comemoração dos 500 anos do seu nascimento, à falta de uma melhor iniciativa.

A solução que todos esperavam, acabou por se concretizar. Ou seja, os poderes instituídos acordaram em constituir uma Comissão Independente, para estudar uma solução definitiva para a construção do aeroporto que iria servir a capital e que, fatalmente, iria a chegar à solução que todos esperavam – o Campo de tiro de Alcochete.

A solução apresentada, não deixa de ter algumas (muitas) fragilidades! Entre elas salientamos: uma orçamentação em que ninguém acredita 6 MM€, apresentar uma série de fragilidades ambientais incontornáveis, como sejam: em Alcochete se situar o maior aquífero da Europa (estuário Tejo/Sado), para além da destruição de 250.000 sobreiros, e ter uma intervenção directa sobre toda uma fauna que habita aquele estuário; Implicar um terceira travessia do Tejo, e a necessidade de construir toda uma complexa estrutura aeroportuárias e de acessibilidades, para além da necessidade de oferta de uma ferrovia em alta velocidade.

As conclusões da Comissão Independente, vamos tomá-las como boas como base de partida. Todos sabemos que não sendo uma decisão definitiva, foi, do ponto de vista político uma decisão há muito esperada. Mas muito estranho é ouvir da boca do ministro das infra-estruturas que toda esta realização não, iria ser concretizada com um tostão do Orçamento do Estado! Manifestamente há uma profunda ilusão nos resultados quer em termos de realização temporal, quer em termos de custos finais. Além da necessidade de realização de obras urgentes no aeroporto da Portelas, aumentando a sua resposta de 38 para 45 movimentos/hora.

Temos que nos congratular que a decisão política tenha sido finalmente tomada, existem ainda um longo caminho a percorrer. Também é certo que a decisão final ainda tenha que ultrapassar alguns obstáculos difíceis. Convém não esquecer que o estudo de impacto ambiental, ainda não está feito e tem de vencer inúmeros impedimentos de caracter ambiental.

Como aqui em tempos escrevi, a solução de Santarém, tem duas grandes fragilidades: a distância à capital e a coincidência com os corredores aéreos que servem a base de Monte Real. Mas no outro prato da balança há que colocar aquilo que são os principais trunfos que o Magellan 500 tem para oferecer – Contribuir para o desenvolvimento de uma zona de interior (distritos de Santarém, Leiria e Coimbra), ser um projecto promovido por promotores privados, e evitar a necessidade de uma terceira travessia do Tejo.

Sendo que esta decisão agora tomada vai ter de percorrer um longo caminho e não ser definitiva, a aposta em Santarém, ainda faz algum sentido. Os promotores do Magellan 500, não ficaram satisfeitos e têm estado activos na promoção deste empreendimento. Pensamos que ainda é muito cedo para atirar a toalha ao chão. Vamos aguardar para ver.

sábado, 11 de maio de 2024

CÃO DE FILA DE SÃO MIGUEL

 

Figura 1 Dois bonitos exemplares

O povoamento das ilhas dos Açores começou por volta de meados de 1400. Desde logo que os primeiros povoadores se aperceberam das condições muito favoráveis, que as ilhas dispunham para a criação de gado. Calcula-se que logo no início do séc. XVI já os cães pastores desempenhavam um papel importante.

Os especialistas afirmam que todos os primeiros cães introduzidos nos Açores foram os <mastins e alões. Foram também estes cães que estão na origem das três principais raças de cães açorianas: o Cão de Fila de São Miguel, o Barbado da Terceira e o Cão de Fila da Terceira, infelizmente já extinto. Se esta foi o ponto de partida, cada uma das raças seguiu caminhos distintos, porque as necessidades eram também distintas. Essa evolução, apesar disto, não revela grandes diferenças morfológicas antes, porém um caminho muito similar em termos funcionais. Ou seja, desenvolveram-se tendo em conta a necessidade de um cão de trabalho, que ajudassem o pastor no seu dia a dia.

O Cão de Fila de São Miguel é, por definição um cão pastor e, por isso mesmo, é referido frequentemente como o “Cão das Vacas”. Foi originado a partir de muitas raças introduzidas no arquipélago. Pelo que consegui apurar não houve nem um caminho, nem um projecto para conseguir um animal com características perfeitamente definidas. É natural que este trabalho de selecção tenha tido a participação de muita gente, de muitos animais, até se fixar um animal com características morfológicas, funcionais e temperamentais muito bem definidas


Figura 2 Estátua do Cão de Fila de São Miguel em Vila Franca do Campo

As raças mais referidas como as que estiveram na origem do Cão de Fila de São Miguel são: o Rafeiro Alentejano, o Mastim Inglês, o Dogue de Bordéus, o Bulldog Inglês, o Cão de Santo Huberto, e ainda um cão espanhol, originário das Ilhas Canárias o Dogo Canário.

O Cão de Fila de São Miguel pode caracterizar-se como sendo um animal muito inteligente, de uma grande robustez física, destemido e auto-confiante. Tem um temperamento arguto, apresenta alguma vivacidade, rústico, revela alegria no trabalho de condução dos animais. Obedece cegamente ao dono, embora revele alguma desconfiança com estranhos. Tem um temperamento meigo e protector, apesar do seu aspecto algo agressivo (peitorais desenvolvidos e olhar fixo e enérgico).

Embora existam referências ao Cão de Fila de São Miguel desde o início do séc. XIX, só em 1982 e pela iniciática de António José Amaral e de Maria de Fátima Machado Mendes Cabral, que se começa a realizar um censo dos animais existentes, bem como o trabalho de registo para a definição do estalão. Mas só em 2008 a raça é homologada pela Fédération Cynologique Internationale. Desde esta altura, a raça tem ganho um estatuto como animal de companhia pelas suas características, que tanto têm atraído criadores e famílias.

O Cão de Fila de São Miguel também tem foi adoptado pelas forças de segurança para integrarem as suas equipas cinotécnicas.

Não resisto em contar um episódio vivido por mim, ao observar um pastor a dar ordens muito específicas a um fila: ”vai buscar a vaca tal”, e o cão ter ido cumprir rigorosamente a ordem recebida. Lembro-me de ter comentado ao dono do animal que só lhe faltava falar e de ele me ter respondido que não era necessário – ele não precisava!









sexta-feira, 10 de maio de 2024

SINFONÍA Nº 9 DE LUDWIG VAN BEETHOVEN

 


A Nona Sinfonia foi executada pela primeira vez no dia7 de Maio de 1824. Há pouco mais de 4 dias completou a bonita idade de 200 anos. É provavelmente uma das mais apreciadas peças em toda a cultura erudita ocidental.



Esta icónica Sinfonia é bem mais do que uma música composta há dois séculos. Foi uma encomenda feita pela Philharmonic Society of London (actual Royal Philarmonic Society, em 1817, só a tendo terminado em 1824. De salientar que Beethoven compôs, esta que foi a sua última Sinfonia, num adiantado estado de surdez. De tal forma que, sua estreia no teatro Kärntnertortheater, em Viena de Áustria, tendo como regente Michael Umlauf por receio dos patronos, que a sua surdez pudesse comprometer a primeira apresentação desta peça. Consta que Beethoven teria preferido que a apresentação tivesse ocorrido em Berlim, por recear que o público de Viena estivesse “contaminado” pelos compositores italianos da época.

Foi na composição desta Sinfonia que, pela primeira vez, Beethoven teve uma preocupação na introdução da componente vocal desta obra, tendo feito diversas tentativas para atingir o resultado pretendido e, respeitasse o poema de Friedrich Schiller “A Ode à Alegria”, cantado por solistas e por um coro, e que integra nesta Sinfonia o seu último movimento.

A Ode à Alegria, foi adoptada como Hino da União Europeia, segundo um Arranjo do conhecido maestro Herbert von Karajan.