A sugestão de Rui Rio em suspender
os debates quinzenais do governo no Parlamento, só pode ser considerada uma ideia
peregrina. A periodicidade passa a ser mais alargada e até com a dispensa da
presença do 1º ministro, em algumas situações. Mais peregrina ainda, se
levarmos em linha de conta que este governo tem tido um percurso descansado no
que à oposição parlamentar diz respeito. A esquerda, apesar dos muito
inflamados discursos, acaba sempre por lhe dar o seu aval naquilo que é mais importante
para um governo, a aprovação do seu orçamento. Quanto à direita, encontra-se
ofegante, moribunda e desaparecida em combate. As únicas voes que se fazem
ouvir com algum ruído, é o Chega com um discurso populista e assente situações
factuais, mas sem uma visão de conjunto para o país. O Iniciativa Liberal tem
um discurso criativo e coerente, mas representa a voz de um homem só e isolado.
Mas pior do que isto tudo o que
disse Rui Rio, é o argumento de que o 1º ministro preciso de tempo para
trabalhar e que os debates parlamentares acabam por se tornarem monótonos e
repetitivo. Se não fosse patética e ridícula uma afirmação destas, seria certamente
para chorar. O papel do chefe do governo é liderar uma equipa, bastante
numerosa é certo, mas foi a sua escolha; e prestar contas no Parlamento do trabalho
e opções do seu gabinete. À oposição cabe-lhe apenas a tarefa de fazer o seu
trabalho que, é ser oposição. A não ser que isso dê muito trabalho!
Por outro lado, a imagem que
transparece dos nossos parlamentares, mesmo que injusta, é de que trabalham
pouco, têm uma série de assessores, com a responsabilidade de lhes prepararem e
aconselharem nas mais diversas áreas em discussão, para as suas intervenções e
participação. Acabando este tipo de debates, os membros do parlamento, pode invocar-se
que, agora sim, irão ter muito menos trabalho. Para além disso, os debates
parlamentares com o 1º ministro, eram também uma forma dos portugueses e
eleitores, formarem a sua opinião, sobre o que se passa e que opções são
apresentadas para cada uma das forças representadas no Parlamento.
A solução encontrada para este diálogo,
é par(a) lamentar.
