"Hoje e sempre, a única obrigação moral que pode ser exigida ao Homem
é que procure deixar o Mundo onde nasceu melhor do que o encontrou"
(Francisco Pinto Balsemão)
Há uns anos a esta parte, e por razões que seria fastidioso estar agora a elencar, apaixonei-me pelos fenómenos que envolvem o mundo da Comunicação, particularmente nos aspectos conceptuais. Como este ecossistema era novo para mim, passei pelo processo de aprendizagem, tentando informar-me de forma consistente, de tudo o que tudo o que o envolvia. Recordo-me, em particular, do esforço que tive de fazer para entender os paradigmas associados ao conceito de comunicação como um todo.
Apesar da pouca literatura
existente e da perspectiva portuguesa deste fenómeno, esbarrava sistematicamente
com o nome de Francisco Pinto Balsemão, o que me obrigou também, a tentar
perceber um pouco mais sobre esta personalidade, para além da espuma dos dias.
Percebi que tinha um percurso de vida multifacetado e deu o seu contributo como
político, como advogado, como professor, como empresário, como jornalista e
como homem de cultura.
Era um jurista de formação. Foi
um político que integrou um grupo parlamentar conhecido pela Ala Liberal, durante
o Estado Novo, que pretendia marcar uma nova forma de olhar para o país que
permitisse uma mudança pacífica para a democracia. Teve um papel preponderante
no pós 25 de Abril, como um dos fundadores do então PPD. Na política desempenhou
cargos de elevada preponderância. Mas foi no jornalismo que o seu pioneirismo
alcançou maior relevo.
Assumiu a chefia do governo em circunstâncias
muito difíceis. Foi na sequência da morte de Francisco Sá Carneiro e o país a
tentar livrar-se das amarras revolucionárias que o novo regime enfrentava.
Depois de trabalhar como
jornalista na imprensa diária, resolve criar o seu próprio projecto
jornalístico, inspirado nos semanários que se publicavam noutros países
da Europa e funda em 1973 o Jornal Expresso. O Expresso tornou-se desde a
sua génese um título de referência da imprensa escrita portuguesa, pela
seriedade, isenção e qualidade dos colaboradores.
É e nesta vertente que mais admiro
o Homem e a sua obra. Foi um humanista e preservou sempre os valores da
liberdade e da independência jornalística. Mesmo quando assumiu a funções de
primeiro-ministro, o jornal que fundara não se coibiu de o criticar, sem que
isso o motivasse a uma atitude revanchista.
Francisco Pinto Balsemão foi um
homem muito à frente do seu tempo. Foi sempre um vanguardista e um visionário.
São disso exemplo o seu pioneirismo como: criador do primeiro canal de
televisão privado, o primeiro canal de notícias, da primeira plataforma de streaming
nacional, cria o Prémio Pessoa, e é um apaixonado pelas abordagens
comunicacionais com recurso às novas tecnologias, criando, em nome próprio um podcast para
assinalar o início das comemorações dos 50 anos do Expresso e edita em formato
digital as suas memórias recorrendo à clonagem da sua voz por Inteligência Artificia.
Mas foi sobretudo, a sua carreira,
o seu humanismo, o seu vanguardismo, a sua isenção e o seu amor pela liberdade,
desde logo a liberdade de Imprensa, que me habituei a admirar. Foi um homem
muito à frente do seu tempo e deixa para as novas gerações uma obra de
referência a ser seguida.






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