Como todos já percebemos, estamos
no limiar de uma nova crise económica e social, e provavelmente, de
consequências ainda mais devastadores, daquela resultante da última bancarrota.
A intervenção da Troika, foi devastadora para todos nós, especialmente para a
classe média, que sistematicamente, assume o papel de bode expiatório dos
desmandos da classe política. Para cumprimento das determinações da Troika, os
portugueses foram sujeitos a severas medidas de contenção económica, que
resultaram em sacrifícios monumentais para todos. Se a crise de 2011 foi consequência
de uma desastrosa governação de um megalómano insensato, a crise que se avizinha
é planetária; não tem um responsável objectivo e vai afectar globalmente toda a
humanidade. Se quisermos, o mundo, tal qual o conhecemos, nunca mais será o
mesmo.
Segundo os entendidos na matéria,
a nossa recuperação no pós Troika, assentou no sucesso da actividade turística,
no incremento das nossas exportações, e num brutal aumento da nossa carga
fiscal, como contributo determinante, para o equilíbrio da nossa balança
comercial. Para além disto, os portugueses foram chamados a suportar o colapso
do sistema bancário, consequência de razões muito mal explicadas, e cujos
responsáveis, ainda gozam de uma imoral impunidade.
É obvio que quando tivermos
condições de voltar à “normalidade”, vamos encontrar um país depauperado, com o
tecido empresarial severamente afectado, com um aumento do desemprego e uma
consequente baixa dos rendimentos das famílias. Resolver este problema
aumentado os impostos terá consequências inimagináveis. Ou seja, a uma mais que
provável crise económica, juntarmos uma crise social.
Os contribuintes portugueses não
têm condições para suportar e resolver uma outra crise que agora se avizinha. A
nossa Carga Fiscal (uma das mais altas da EU), atingiu um valor que se aproxima
do limite que o português comum tem capacidade para suportar. Certamente que nos
irão ser pedidos mais sacrifícios. Naturalmente que os nossos rendimentos irão
ser afectados. Consequentemente a nossa qualidade de vida vai baixar, e temos
que estar preparados para tempos muito difíceis. Apenas se exige que haja uma
maior equidade na distribuição dos sacrifícios. A crise vai passar, mas não
vamos ficar todos bem. Apela-se ao bom senso para que as medidas que terão de
ser tomadas, levem em consideração que já não aguentamos muito mais.
As condições em que foram
negociadas as PPP’s da auto-estradas e da Lusoponte, em que apenas um lado colhe
os benefícios, e o outro suporta todos os prejuízos, encontra nesta situação de
emergência uma razão plausível, para ser denunciada.
A vergonhosa atribuição das
Pensões Vitalícias a muitos governantes, constitui por si própria uma afronta a
quem diariamente luta por um salário de miséria e uma aposentação cada vez mais
tardia. A fixação de um tecto máximo das pensões, como existe em muitos países,
poderia revelar-se como uma boa solução na moralização do sistema de pensões.
Uma baixa no salário da classe
política teria, para além dos efeitos práticos objectivos, poderia constituir
um exemplo de desapego pelo poder e um exemplo desinteressado. A redução do
número exagerado de assessores políticos nos gabinetes ministeriais, seria
também uma medida de elevado sentido estado.
Os apoios às inúmeras fundações
existentes, parecem não se justificar numa situação como a que se avizinha.
Estas são apenas algumas das
medidas que, para além de moralizadoras, poderiam ajudar os tempos difíceis que
se aproximam. Cada um de nós sentiria que as decisões que terão que ser
tomadas, vão ter a preocupação de distribuir por todos, de forma igualitária,
os sacrifícios que se impõem, nestas circunstâncias.
Estou certo que estas medidas,
acima referidas, são uma gota no mar das necessidades que vão emergir, logo que
o país volta à normalidade possível. Não vão, com certeza, resolver a situação
económica e social que todos esperamos. Mas teria o efeito benéfico de que,
pelo menos destas vez, não seriam os mesmos a resolver a crise.