terça-feira, 30 de julho de 2024

O CAPOTE E CAPELO – UM TRAJE TIPICAMENTE AÇORIANO

 







Relembro de na minha juventude ter ainda visto na cidade de Ponta Delgada, algumas senhoras que usavam este traje estranho, conhecido por Capote e Capelo. Nessa altura já começava a cair em desuso e, eram já raras as senhoras que o usavam. O característico “Capote e Capelo” faz parte da identidade social e cultural dos Açores.

Era constituído por duas peças: uma capa que descia dos ombros até aos pés, e um “capelo” armado que escondia o rosto de quem o usava e que assentava sobre os ombros por uma estrutura de osso de baleia. Eram, invariavelmente, de cor azul-escuro, ou pretos. O Capote e Capelo era um conjunto que se herdava, passando de geração em geração, e, por vezes, servindo toda a família. Peças obrigatórias do dote da noiva, serviam também como traje de noivado. Por isso, para as mulheres mais pobres, a grande ambição era possuir um Capote e Capelo. Era utilizado em todas as ilhas, com ligeiras diferenças.

Raul Brandão, na sua obra “As Ilhas Desconhecidas”, descrevia estas figuras como “tenebrosas” uma vez que escondiam a identidade e causava algum espanto a quem via passar aqueles vultos negros. Também reconhece um aspecto prático no uso deste traje, que era permitir á senhora sair de casa sem necessidade de vestir uma roupa adequada a uma determinada circunstância. Do mesmo livro, esta deliciosa prosa: "A gente segue pelas ruas desertas, e, de vez em quando, irrompe duma porta um fantasma negro e disforme, de grande capuz pela cabeça. São quase sempre as velhas que o usam, mas as raparigas, metidas na concha deste vestuário, que pouco varia de ilha para ilha, chegam a comunicar encanto ao capote monstruoso (...) Começo a achar interesse a este fantástico negrume e resolvo que devia ser o único trajo permitido às Mulheres açorianas."

Embora seja difícil de comprovar a sua origem, a justificação mais plausível é que tenha sido trazido pelas famílias flamengas que povoaram as ilhas em pleno século XV e XVI. Apesar de algumas semelhanças, também não parece haver qualquer relação entre este traje e o “Biôco algarvio”, também conhecido como a “Burca Portuguesa”. Este parece estar relacionado com uma herança do tempo da ocupação muçulmana do território português.

terça-feira, 2 de julho de 2024

O REI ABDICOU NO SEU PRIMOGÉNITO

 

O PS no seu mantra da confiança pessoal, assemelha-se em muito a uma monarquia. Em nome não se sabe bem porquê, vão se convidando pessoas pertencentes à mesma classe, porque é muito melhor a confiança política do que o eventual mérito exigido para o cargo. Algumas monarquias justificam-se por um desígnio divino, ou pela pureza da estirpe. Basta lembrar o governo de António Costa onde à volta da mesa do conselho de ministros se sentavam vários familiares, ou a pose imperial de Mário naquele episódio do autocarro, quando impediu o polícia de fazer o seu trabalho.

Temos agora o caso de Francisco César foi eleito presidente do PS/Açores, num acto eleitoral em que foi o único candidato, tendo obtido 93,3% dos votos.  Por muito democrático que tenha sido todo o processo, e quero acreditar que sim; não deixa de ser curioso que mais um familiar do patriarca tenha conseguido um cargo com tanta facilidade e por um score tão elevado! Mesmo entre os socialistas açorianos não havia ninguém tão, ou mais capacitado do que Francisco César? E já foi garantindo que seria possível ter feito muito mais do que o actual executivo conseguiu até agora. Pelos visto parece ter esquecido a pesada herança deixada pelo paizinho. Vinte anos de poder absoluto, discricionário e que atirou os Açores opara os piores índices de desenvolvimento registado no país, e a generalidade das empresas públicas em objectiva falência técnica.

Parece que estamos perante uma Ínclita Geração de iluminados, perante a qual o povo humildemente se curva apesar de uma reconhecida e comprovada incapacidade, a que os açorianos disseram um definitivo NÃO aos desmandos do PS, enquanto responsável pelos últimos vinte anos de poder socialista.

Esta eleição de Francisco César cheira muito à mãozinha do seu progenitor, seja por confiança política, seja por simples herança paterna. Está na altura de os açorianos dizerem que “O Rei vai nu”