sexta-feira, 16 de agosto de 2024

A INVASÃO DE KURSK PELOS UCRANIANOS

 

A invasão de Kursk pelos ucranianos foi uma manobra militar, que na realidade, ninguém ainda consegue identificar os objectivos. Isto não invalida que possamos reconhecer nesta operação militar tenha sido um sucesso. Foi um sucesso pelo secretismo que a envolveu, porque apanhou os russos de calças na mão, permitindo um importante número de militares presos, e ter obrigado os russos a uma manobra de desvio de forças de locais críticos na Ucrânia (Dombass), para fazer frente a esta emboscada. O número de prisioneiros (algumas centenas) e o terreno ocupado (1000 Km2), constituem um importante argumento negocial.

Representou para as autoridades russas uma grande humilhação. Uma vez mais o segundo maior e melhor exército do mundo(?), foi obrigado a engolir mais esta pesada derrota. Todos nos lembramos das declarações de responsáveis russos no início da invasão que afirmavam que em questão de dias tomavam Kiev. Também é bom lembrar a forma muito eficaz como os ucranianos com “drones” de produção própria, deram cabo da frota russa do Mar Negro. Nem o maior número de meios humanos, nem a sua superioridade em armamento e munições, conseguiram vitórias esmagadoras.

Estou crente que esta operação em Kursk, pelo menos por agora, conseguiu alcançar dois efeitos imediatos:

A necessidade de os russos estabelecerem uma operação de evacuação das populações próximas (algumas centenas de milhar), para além da humilhação interna e externa, bem como a necessidade de deslocalizar tropas de outro cenários de guerra;

Permitiu às forças ucranianas alcançar uma motivação especial, e as populações continuarem a acreditar na luta pela liberdade do país.

Acreditamos que os ucranianos não tenham com esta operação nenhuma intensão expansionista, até porque a possibilidade de êxito seria diminuta. Até agora, o secretismo da operação, e o alcance obtido pode considerar-se um êxito. No entanto, acreditamos que as forças ucranianas envolvidas irão retirar-se em breve. Ao retirarem-se irão ser recolocadas nos locais onde são mais necessárias – na frente de combate. Enquanto os russos, vão ter necessidade de repensar toda a sua estratégia de defesa fronteiriça e com isso envolver um número significativo de forças e armamento.

SLAVA UKRAINI

terça-feira, 13 de agosto de 2024

As Olimpíadas de 2024

A edição de 2014 chegou ao fim, e a representação portuguesa tem razões para ficarmos contentes pelos resultados alcançados. Esta satisfação não pode ser dirigida unicamente aos atletas medalhados, mas para todos aqueles que alcançaram uma posição de destaque numa competição em que todos os atletas, sem excepção, dão tudo o que têm. Qualquer um dos títulos alcançados têm por detrás muitas horas de treino, muito sacrifício pessoal e familiar envolvidos; e também muita privação daquilo que cada um de nós entende como os prazeres do ócio. Também a nossa posição relativa, no ranking dos países participantes são de modo a reforçar este sentimento de satisfação pelos resultados alcançados.

O mesmo já não se pode dizer se nos compararmos com países da nossa dimensão, como apontava João Miguel Tavares: “a Grécia, que tem 10 milhões de habitantes, como nós, e é um dos poucos países da União Europeia mais pobres, tem sete medalhas.  A Irlanda, que tem menos de cinco milhões de habitantes, também tem sete medalhas, quatro de ouro. A Bélgica (11 milhões) tem cinco. A Hungria (10 milhões) tem oito. A Suíça (nove milhões) tem sete. A Croácia (quatro milhões) tem cinco. A Suécia (10 milhões) tem oito – e nos últimos Jogos Olímpicos de Inverno teve mais 18”.

Se pensarmos que a modalidade que mais nos honrou nestas olimpíadas - o ciclismo de pista, ser desconhecida para a generalidade dos portugueses, obriga-nos a uma reflexão mais profunda. Esta reflexão deve incidir sobre a forma como o desporto no seu todo é tratado no nosso país. Desde logo verificamos uma diferença no tratamento entre disciplinas como: o futebol, o basquetebol, o andebol, o ciclismo de estrada, o rugby, apenas para referir aquelas que merecem uma maior financiamento e cobertura mediática. Como se pode observar, nenhuma destas disciplinas esteve representada nos Jogos Olímpicos de Paris, apesar disso!

O Desporto Escolar que deveria ter um papel fundamental no desenvolvimento desportivo dos jovens, a par da descoberta e encaminhamento de talentos, é algo que ninguém sabe bem se existe, e o que faz. O desporto universitário é também algo praticamente inexistente. Quando em muitos outros países, representam um alfobre do aparecimento de grandes talentos.

De uma maneira geral o desporto, particularmente aquele que se pratica fora dos grandes centros urbanos, assenta na “carolice” de meia dúzia de entusiastas que, com sacrifício pessoal e familiar, preparam e acompanham atletas para que nada lhes falte, apesar da exiguidade dos meios e dos financiamentos. As estruturas associativas locais lutam com enormes dificuldades para a sua gestão corrente, muito mais para as dificuldades de proporcionarem aos seus atletas as condições competitivas de nível superior.

O JUDO uma modalidade que acompanhei localmente durante alguns anos, é disto mesmo um exemplo paradigmático. Particularmente no distrito de Santarém, temos um movimento associativo pujante, dinâmico e preocupado. Talvez por isto mesmo, das 4 medalhas olímpicas conquistadas no Judo, dois atletas tenham tido origem em clubes desta associação. Isto não significa que tenham melhores condições do que outras estruturas semelhantes, muito antes pelo contrário. Significa que para se conseguirem atletas de elite é preciso: quantidade, formação, trabalho continuado, e competição ao mais alto nível. Mas é essencial, para além disto, que estes organismos tenham possibilidade de planear a longo prazo – um atleta de eleição demora uma década a conseguir atingir o topo.

A terminar, o meu profundo respeito e admiração por todos aqueles que, com muito sacrifício nos encheram de orgulho pelos feitos alcançados. Todos estes participantes merecem que não se fale deles apenas durante as semanas que duram os Jogos. É preciso repensar o desporto desde já, se queremos uma real e efectiva melhoria no desporto nacional. A alternativa, é continuarmos a ser diariamente bombardeados com infindáveis debates sobre futebol, tudo mais não interessa!