sábado, 29 de agosto de 2020

POBRES E MAL AGRADECIDOS

 

Esta nova normalidade, de normal não tem nada. Os acontecimentos sucedem-se a uma velocidade estonteante, que por vezes somos confrontados com o inesperado. Por isso, manda a prudência que todos os responsáveis consigam debruçar-se sobre os assuntos que têm em mãos, com a capacidade de projectar diferentes cenários. Só assim é possível dar a resposta mais adequada a cada situação em concreto.

Vem tudo isto a propósito do que se passou no aeroporto de Faro. Andamos durante uma data de tempo a dizer cobras e lagartos do afastamento do nosso país dos corredores aéreos impostos pelo Reino Unidol. Os argumentos foram muitos e variados, e na maior parte dos casos, com argumentação sustentada. Sabendo da importância que os súbditos de sua majestade representam para o turismo nacional, e em particular para as regiões do Algarve e da Madeira, o caso, apresentava-se aos olhos de todos nós como uma profunda injustiça. Na profunda crise que o país está mergulhado, e na importância das receitas do turismo para o equilíbrio das nossas finanças, quanto por mais tempo esta situação se mantivesse, maiores seriam as suas consequências nefastas.

Eis senão quando, esta situação foi finalmente desbloqueada pelas autoridades inglesas, aconteceu o impensável: as autoridades aeroportuárias, nomeadamente ANA e o SEF, não estavam preparados para fazer face a uma situação, mais do que previsível. Por uma simples conjectura, era fácil de imaginar que alguns turistas ingleses iriam aproveitar este fim de verão para visitarem este seu lugar de eleição, e que, depois do Brexit, teriam de ser submetidos à conferência dos passaportes. Por incúria, falta de planeamento, ou qualquer outra desculpa, assistiu-se àquele espectáculo indesculpável: seria impossível garantir o distanciamento social, com uma tão grande concentração de passageiros, para um tão reduzido número de agentes, segundo a imprensa apenas dois agentes para uma chegada de 18 aviões?!?!

Como habitualmente, remendou-se a situação em cima do joelho. Parece que já foram desenvolvidos esforços para se aumentar o número de agentes. Ou seja, estamos sempre a correr atrás do prejuízo. Para além da triste imagem que se dá do país, acresce o enorme risco sanitário, inerente a tão elevada concentração de pessoas naquele espaço.

Desconfio que, uma vez mais, a culpa vai morrer solteira.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

UMA FOTO DESFOCADA DE REGUENGOS

 Tinha prometido a mim mesmo não votar mais a este assunto. Não resisti pelos últimos desenvolvimentos. Porque se estremaram posições e onde o essencial, nunca foi levado em conta. Ou seja, todos os intervenientes defenderam os seus pontos de vistas, mas o que indignou e preocupa o vulgar cidadão, é a forma como as instituições, tratam os idosos indefesos. No caso de Reguengos, por tudo aquilo que se sabe(?), havia utentes que estavam desidratados, sem tratamento, e/ou sem o seu registo, em condições higiénicas deploráveis, e onde foram registados 18 óbitos.

Aparentemente todos os que, directa ou indirectamente estiveram envolvidos neste negro episódio, tentaram alijar responsabilidades, atirando para cima dos outros o ónus da questão. Se pudéssemos tirar uma fotografia de todo estes imbróglios iriam, certamente, aparecer desfocados todos os seus intervenientes.

Esteve mal a instituição por não ter, atempadamente desenvolvido todos os esforços para resolver, pelo que se sabe, uma situação degradante que se vivia naquele espaço. Esteve mal o presidente da câmara, que por inerência era presidente da fundação que geria o lar. Esteve mal a Segurança Social local na sua responsabilidade de tutela. Esteve mal a ARS local por ter permitido, ou ignorado que tal se tivesse verificado. O facto destes responsáveis terem uma ligação partidária ao PS, quero concluir que é uma mera coincidência. Noutros locais o emblema partidário será outro. Blog TURNO ZERO

Estiveram mal os médicos que se recusaram a prestar serviço no lar, se outra razão não houvesse, havia sempre o seu compromisso com o juramento de Hipócrates. Esteve mal a Ordem dos Médicos por ter extravasado, aparentemente, as suas competências, ao elaborar um relatório que não lhe competia.

Esteve mal a Ministra do Trabalho pela insensibilidade demonstrada, face aos dados constantes do tal relatório da OM e de mais outros três. Por haver alguma contradição sobre aquilo que era revelado nestes relatórios, mais se justificaria a preocupação da srª ministra. Se um relatório oficial (Segurança Social) foi entregue no ministério público, era importante, para total esclarecimento deste assunto, o seu conteúdo fosse tornado público.

Esteve mal António Costa ao dar total cobertura à sua ministra, que se desculpou invocando que as suas palavras estariam descontextualizadas. Em situações semelhantes, o desfecho foi outro!

Esteve mal o líder da oposição pelo evidente aproveitamento político deste triste acontecimento.

Esteve mal o sr. presidente da República, sempre pronto a comentar tudo e mais alguma coisa, pelo seu silêncio.

”Last but not the least” e nem por isso menos importante, esteve mal o Jornal Expresso, pela divulgação de um desabafo do 1º ministro numa situação “off record”, lançando assim, mais gasolina na fogueira. Esta violação da ética e deontologia jornalística, transforma este jornal de referência num sucedâneo de títulos como o Correio da Manhã, sobretudo quando o seu director é irmão do entrevistado. Imperdoável.

Pelo que se vê, nenhum dos intervenientes em toda esta novela cumpriram ou geriram, de melhor forma, as suas actuações, competências e responsabilidades. Não fosse o espectro dos 18 mortos, e de uns tantos idosos abandonados à sua sina, e que teimosamente estavam presentes e bem focados. Todos os outros figurantes, referidos apareceram na “fotografia” totalmente desfocados. É por isso lamentável que o que se passou naquele lar, tivesse sido relegado para um plano totalmente marginal, para dar evidência a tricas corporativas, políticas, partidárias, ou quaisquer outras. Se estamos todos a caminhar para a velhice, o quadro que observamos não é muito animador. Aqueles idosos foram neste caso o elo mais fraco, como se pode observar, e sobretudo feridos na sua dignidade, e isso não pode ser aceitável.

domingo, 23 de agosto de 2020

O DIRECTOR REGIONAL DE SAÚDE – TIAGO LOPES

O COVID 19, veio evidenciar uma realidade completamente nova na nossa vida colectiva. Era um desafio universal e desconhecido, e para a qual ninguém estava preparado. Todos os intervenientes no combate à pandemia, leia-se profissionais de saúde, tiveram um papel fundamental e determinante. Este esforço tem de ser entendido em duas vertentes fundamentais:

1 - Ouve necessidade de preparar as estruturas físicas para este desafio, bem como os profissionais que trataram de todos os que foram atingidos por este flagelo, com um uma dedicação e empenhamento, que ninguém pode esquecer.

2 – Outro aspecto determinante foi a necessidade de informar e esclarecer a população da evolução da pandemia, bem como as recomendações da forma como cada um podia contribuir e evitar a sua disseminação.

Como consequência disto, diariamente os responsáveis do SNS difundiam informação para alcançar este objectivo. Temos que convir que, no continente, nem sempre as coisas foram claras e objectivas. Todos nos lembramos da declarações erráticas e contraditórias de Marta Temido e de Graça Freitas. Há quem diga que se limitaram a seguir os pareceres da OMS. Mesmo que assim tenha sido, fizeram-no sempre aos avanços e recuos, da forma nervosa e autoritária e de indisfarçável submissão ao poder.

Contrastando com isto, o director regional de saúde da Região Autónoma dos Açores, Tiago Lopes, apareceu com uma abordagem muito serena, competente, pedagógica e objectiva, primando a sua actuação por um evidente domínio técnico, fazendo das suas conferências de imprensa, um momento por que todos os açorianos ansiosamente aguardavam. Enfrentou todas as situações de crise de forma rápida e assertiva. Não vacilou perante as dificuldades. Sobressai ainda o facto pouco comum, por se tratar de um enfermeiro a desempenhar aquelas funções. Provando-se assim que não são os títulos académicos que fazem os lugares. Ou seja, imperou o primado da meritocracia, infelizmente, muito arredado dos corredores do poder.

A sua popularidade granjeou a simpatia de todos, que de forma carinhosa o apelidaram de “Tiaguim”. A sua presença pautava-se sempre por um discurso, simples e acessível. Uma postura discreta e recatada, e um domínio da matéria acima dos seus congéneres continentais. A sua popularidade atingiu marcas de uma autêntica estrela nas redes sociais. Grupo de fãs de Tiago Lopes no Facebook foi criado no dia 5 de Abril e já tem mais 33 mil seguidores. [1]

Numa das muitas entrevistas que deu, afastou sempre a possibilidade de assumir um papel na política partidária. Eis senão quando, o vemos como segundo na lista de candidatos do PS, pela ilha Terceira às próximas eleições regionais. O que é que isso tem de extraordinário? Absolutamente nada! A incoerência nestas coisas da política banalizou-se de tal forma que nada disto nos deve admirar. Já a sua decisão de permitir uma tourada na Terceira logo depois de ter inviabilizado a realização, na data prevista, do Azores Rallye 2020, prova de prestígio internacional, levanta algumas dúvidas. Dois pesos e duas medidas, provavelmente. Veio ainda acicatar alguns bairrismos doentios entre estas duas ilhas. Não havia necessidade.

Vamos admitir que existem argumentos tecnicamente válidos para este tratamento diferenciado, Tiago Lopes, mudou. E mudou exactamente quendo decidiu entrar na política partidária. Trocou a imagem de profissional competente, determinado, corajoso; pelo do político submisso à vontade de um qualquer grupo de pressão. Com isto perdeu, pelo menos para alguns açorianos, o capital de confiança nele depositado. E na política o que parece, é!



[1] "George Clooney dos Açores" DN

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

O LAR DE REGUENGOS - UMA VERGONHA

 Ana Mendes Godinho: Dimensão dos surtos em lares não é demasiado ...

Os dados mais recentes deixam-nos alguma perplexidade. Os recentes casos relacionados com os cãos do João Moura e do canil clandestino em Santo Tirso, devem causar-nos a todos uma enorme repulsa, porque casos daqueles não deviam existir. Mais, os responsáveis directos e indirectos, por tais situações deviam ser judicialmente responsabilizados. A Comunicação Social, não deixou passar o acontecimento em vão, chegando mesmo a mostrar­ imagens de uma violência, perfeitamente escusada.

Durante este período de pandemia veio à tona uma realidade, no que aos lares de idosos diz respeito, muitas situações que nos devia envergonhar a todos pelo retrocesso civilizacional que evidencia. Para além da situação de clandestinidade revelada em muitos destes “lares”, com aparente conhecimento das autoridades de tutela, e da comunicação social, que passou por estes episódios com um inconcebível distanciamento, e sem nunca se atrever a por o dedo na ferida. Ou seja, não quis ir ao fundo da questão e dar-lhe o tratamento jornalístico que tais situações mereciam. Não com a finalidade de apontar culpados, mas desenvolver um esclarecimento sobre a causas porque tal acontece e responsabilizar, quem devia ter feito mais e melhor. Muitos destes responsáveis lutam com inúmeras dificuldades e só com muito sacrifício e abnegação conseguem ter as coisas a funcionar. Acontece, que em muitos casos que funcionar, é isso mesmo e nada mais do que isso. O cumprimento de rotinas diárias, em que a preocupação com o bem-estar e a dignidade dos utentes, é uma mera figura de retórica.

Sou de uma geração que foi ensinada a respeitar o idoso, por ser um depositário do conhecimento da vida e de ensinamentos que todos muito respeitavam. Eram acolhidos no seio da família e por ela acarinhados e tratados. Temos que reconhecer que nos dias de hoje, pela intensidade do envolvimento profissional, o acolhimento de um idoso na casa da família, revela-se muito difícil e mesmo pouco saudável para a pessoa idosa, pelo isolamento e solidão que estaria votado a maior parte do dia.

Por isso, o papel e a acção das organizações votadas para tal efeito, deviam ser monitorizadas e acompanhadas com uma frequência muito mais apertada. Para alem das condições físicas e funcionais, a preocupação e o respeito pela dignidade do idoso, devia representar a principal preocupação de quem tem essa responsabilidade: os profissionais destes lares e dos responsáveis da supervisão. A realidade, porém, mostra um cenário muto diferente. São muitos os “lares” que funcionam e vãos de escada, de forma clandestina, mas nem por isso desconhecida. Muitas pessoas, por limitações financeiras, não lhes restam outra alternativa.

O que aconteceu no lar de Reguengos de Monsaraz, onde um surto de covid-19 provocou a morte de 18 pessoas, é disso um lamentável exemplo. Idosos doentes, desidratados, e sem registo da medicação, impossibilidade de garantir o distanciamento social, falta de pessoal, são apenas algumas das falhas encontradas. Segundo este mesmo relatório, muitas eram as falhas observadas, e perante tal situação, a ministra Ana Mendes Godinho, responsável pelo ministério que tutela esta actividade, limita-se a dizer que “a dimensão dos surtos nos lares não é demasiado grande”, “a notícia foi descontextualizada de forma grave”, Reguengos é um dos surtos que tivemos. A minha preocupação tem de ser estrutural.”. Ou seja, para a senhora ministra, a morte de 18 pessoas, numa instituição da sua supervisão, é apenas um número no panorama nacional.

Eu tenho 74 anos, não sei o que o destino me reserva. A probabilidade de ter que recorrer a uma destas instituições pode ser uma realidade dentro em pouco. Não temo ir para um lar. O que me preocupa é, que perante uma situação semelhante à de Reguengos, alguém com responsabilidade, se limite a lavar as mãos como Pilatos. Pela entrevista da senhora ministra, qualquer pessoa na minha situação pode ficar descansada, estas mortes, globalmente, são apenas um detalhe sem importância.

Pior ainda, é que se ouve apontar responsabilidades à Ordem dos Médicos, por não ser essa a sua função. Aos órgãos de comunicação social, pelos termos empregues nos cabeçalhos, mais aos lares que não respeitaram as regras definidas para o exercício da actividade, como se a morte de 18 idosos fosse um mero detalhe.

Triste sina esta de ser idoso em Portugal, aqui e agora.

 

 

 

sábado, 8 de agosto de 2020

JOÃO GALAMBA – UM ELEFANTE NUMA LOJA DE CRISTAIS

 

O ministro João Galamba, está para o PS, como aqueles cães minúsculos, que ladram por tudo e por nada, mesmo contra a vontade dos donos. No entanto, consciente da sua dimensão ladram muito e muito alto, mas não têm arcaboiço para se aventurarem em ir mais além!. Vem isto a propósito dos seus comentários relativamente às opiniões expressas por um catedrático, e com larga experiência em questões de Energia. A sua intervenção dá-se no âmbito de uma entrevista a um órgão de comunicação e onde contrariou as benesses da opção nacional pelo hidrogénio. Nunca foi insultuoso, embora defendesse com veemência os seus pontos de vistas, bem com as suas divergências, relativamente às questões relacionadas com o Hidrogénio. Como técnico foi muito pragmático, objectivo e assertivo, na demonstração da sua posição e nunca foi “politicamente correcto”, o que é algo que a mim me agrada. O seu discurso nunca foi incorrecto ou vulgar, apesar de ter denunciado, sem rodeios, aquilo que ele considera ser um investimento perigoso, mais pela sua dimensão, do que pela sua oportunidade.

Quanto à intervenção de João Galamba foi digna da conversa de taberna, que me perdoem os taberneiros. Revelou um grande incómodo e nervosismo ao afirmar: “É um aldrabão e um mentiroso do pior. Não há outra forma de descrever esse cavalheiro”.  Só fala assim quem não está seguro das suas opções, ou não dispõe de argumentos sólidos para as rebater. O PS viu-se livre de outros dos seus correligionários, por muito menos – Manuel Pinho e João Soares, são disso exemplo. João Galamba tem o mesmo direito em refutar as opiniões de um especialista reconhecido, quanto este tem a defender as suas convicções. João Galamba, em vez de refutar cada uma das afirmações do professor Clemente Pedro Nunes.

Por alguma experiência acumulado em Mecanização Agrícola, estou convencido que o hidrogénio vai ser o combustível do futuro. Também penso, pela informação de que disponho, que esse futuro é ainda muito longínquo. Há algumas experiências feitas por muitos fabricantes de máquinas agrícolas a este respeito, mas nada de concreto se vislumbra no curto e médio prazo.

Relativamente a este respeito, e como cidadão eleitor, merece-me algumas considerações. A primeira prende-se com o individuo em causa. Tem habitualmente uma atitude truculenta, arrogante e desbocada, o que me desagrada em qualquer político. Se nos lembrarmos que é vulgarmente aceite que João Galamba é considerado um delfim do engº Sócrates, que ele nunca renegou. Se pensarmos nos montantes envolvidos neste projecto gigantesco, deixa-me algumas dúvidas quanto á “apetência” de convidar uma série de amigos para dividirem o bolo. Lembra-me o caso da exploração do Lítio e de alguns outros?

Não disponho de informação técnica que me permita corroborar da justeza dos argumentos do professor. Mas como português, enoja-me que um representante da nação, se permita insultar quem quer que seja, a seu belo prazer, mesmo que a razão lhe assista, que não me parece ser o caso. Os políticos, ao assumirem os cargos que ocupam, devem primar por estarem à altura dos cargos que ocupam. Têm que ter uma postura convincente, correcta e educada. Se não conseguem, talvez o melhor lugar para se pronunciarem, seja mesmo a taberna.

“À mulher de César não lhe basta ser séria…”.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

FESTA O AVANTE – PRIVILÉGIO DE ALGUNS

 Por norma procuro evitar a frequência de locais com grandes aglomerações de gente, apenas porque me incomoda. A única excepção são algumas, poucas, Feiras ou encontros de cariz profissional, e mesmo assim, optava pelas horas menos populares. No entanto, nada tenho por quem goste de participar em eventos, sejam de caracter social, político ou religioso. É exactamente por isto que aceito, com a maior naturalidade, todas as organizações político-partidárias, sejam elas: a Festa do Avante, a Festa do Pontal, sejam os Estado Gerais, Festa do Verão, Universidades de Verão e outros quejandos. Tal como nas religiões, os seus patrocinadores necessitam de vender o seu “produto” e os “fiéis”, parecem ansiosos por participar nestas liturgias, como forma de alcançar o Paraíso, creio eu…. Não fazem o sinal da cruz, mas põem a mãozinha no ar, e/ou os dedos em sinal de vitória.

Se isto não fosse suficiente, os 46 anos de Democracia, transformaram os partidos políticos e as suas estratégias em organizações pouco confiáveis. Já sei que o velho argumento de que a democracia é feita na óptica da existência de partidos políticos, mas eu recuso-me contribuir para este peditório. Tão somente porque os protagonistas destas organizações, contribuíram para estado em que este país se encontra. Senão vejamos: 3 bancarrotas, o cidadão ter que suportar os desmandos de uma série de banqueiros corruptos, o estado a que se encontra a nossa justiça; esquemas de favorecimento ilícito, a quantidade de políticos indiciados e condenados em inúmeros casos de corrupção, vergonhosas nomeações de familiares e amigos, etc.

Na minha cabeça, e na cabeça de muitos portugueses, causa alguma perplexidade, que em plena Pandemia, a passividade que as autoridades de saúde têm revelado no que diz a iniciativas da esquerda radical – as manifestações do 1º de Maio e a organização da Festa do Avante. Isto acontece numa altura em que o cidadão comum é aconselhado a praticar um confinamento voluntário, a praticar o distanciamento social, entre outras. Neste período os funerais não podem ter mais do que 20 pessoas, o futebol e outras modalidades, são praticado à porta fechada; os feirantes foram  impedidos de realizar o seu trabalho; os noivos não podem organizar a boda com que sonharam; as escolas estão fechadas, os bares e discotecas, fecham às 20.00 horas; nos estabelecimentos comerciais só é permitida a presença de um reduzidíssimo número de pessoas; se permita ao PCP a organização da sua Festa do Avante, com números que apontam para a presença de 100.000 pessoas.

Vamos por hipótese imaginar que o PCP irá respeitar os distanciamentos sociais recomendados pela DGS, e que cada participante ocupe uma área de 1 m2, e se o número de pessoas se mantiver, iria ser necessário a dispersão das actividades políticas, musicais, culturais, de restauração, por um perímetro de 10 hectares. Alguém acredita nesta possibilidade? Eu não.

Então porque razão o PCP, beneficia de tal regime de excepção? Já a isenção de pagamento de IVA e de IMI às organizações partidárias revolta muitos portugueses, porque razão então que se criou esta regime de excepcionalidade para esta força política? Só encontro uma explicação, o PCP tem António Costa preso pelos “tintins” por forma a viabilizar mais esta legislatura e tudo o que para aí vem.

Em conclusão, a realização da Festa do Avante é um privilégio inadmissível e inaceitável, face aos sacrifícios a que temos sido votados pela Pandemia. Se a polícia impede uma festa de estudantes numa praia, que argumentos existem para se permitir que 100.000 se juntem informalmente, por mais nobres que sejam as razões subjacentes.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

INCÊNDIOS FLORESTAIS – O NEGÓCIO DO FOGO

Estamos em plena época dos incêndios florestais, e a propósito das opiniões de muitos “especialistas”, lembrei-me de uma afirmação de um amigo (engº silvicultor e com larga experiência neste domínio) ter afirmado num debate sobre esta matéria: “enquanto se ganhar dinheiro a apagar fogos florestais, estes nunca irão acabar”, o que causou um grande  desconforto no painel que dirigia os trabalhos. Embora tenha alguma proximidade ao sector florestal, não queria fazer esta reflexão numa base técnica, e muito menos científica. Gostava de reflectir na óptica do cidadão comum, que olha para o panorama como se de uma maldição se tratasse. Será tudo menos isso. E a intervenção deste meu amigo continua a fazer todo o sentido, pelo menos para mim, e para muito mais gente.


1Fonte: ANPC

Pela observação dos quadros anteriores pode concluir-se que o panorama não é animador e revela uma tendência de aumento. Arranjam-se milhentas explicações, na maioria dos casos pouco convincentes, para justificar as ocorrências. Se recuarmos 50/60anos, para não se recuar mais no tempo, fácil será concluir que a estrutura de combate aos incêndios florestais existente na altura, era menos profissional, muito mais mal equipada. Não havia uma estrutura de planeamento, gestão e controle em emergência (Protecção Civil), como há hoje. Não havia o SIRESP de má memória. A estrutura de Sapadores Florestais, era também inexistente na altura (absolutamente indispensável).  Os meios de vigilância e detecção eram em muito menor número, e menos sofisticados. O ordenamento da floresta, era apenas um projecto em desenvolvimento e também não pode justificar tudo (ex: o recente incêndio do Pinhal de Leiria). Os meios aéreos disponíveis na altura, eram muto menos numerosos e de menor capacidade de intervenção. A dificuldade no combate, e que se prendem com a topografia, não poderá ser aceite como uma desculpa, porque ela não se alterou. Os normativos compulsivos dos operadores florestais na limpeza dos matos, é uma norma muito recente e penalizadora para pequenos proprietários.

As razões das ignições não eram muito diferentes das de hoje: ou era fogo posto, ou eram razões climáticas. As motivações sobre o fogo posto, os principais visados eram: as celuloses e os madeireiros. Este argumento, hoje faz muito menos sentido. Quanto às questões de ordem climatológicas, e apesar das alterações climáticas, não explicarem tudo, estas não serão assim tão diferentes das que se observam no passado.

Apesar de tudo isto, havia muito menos fogos daquilo que se verificam actualmente. Os dados mais recentes verificamos que apresentam uma tendência de subida, quer no número de ignições quer na área ardida. E a dúvida instala-se: com mais meios, mais formação, e uma estrutura de comando centralizada e dedicada, porque arde Portugal? O caso de Pedrogão é, deste ponto de vista, paradigmático. Houve condições meteorológicas adversas e excepcionais, mas também se verificou uma inexplicável (?) incompetência na gestão da emergência. Os serviços da Protecção Civil tinham muitos dos seus quadros, gente recentemente formada e sem qualquer experiência operacional. O resultado foi o que foi.

Temos que ter o pragmatismo suficiente para entender a inevitabilidade dos incêndios florestais em Portugal. Mais difícil é encontrar justificações que expliquem o gigantismo dos números associados, se comparados com outras realidades muito semelhantes, como é o caso da vizinha Espanha. Todos os “especialistas”, referem que os incêndios florestais combatem-se no período de Inverno, o que corresponde a um princípio indiscutível. Por isso, fica a pergunta: porque ardem as nossas florestas com esta magnitude? E lembro-me da afirmação do meu amigo. Ou seja, há muita gente a ganhar dinheiro em apagar os fogos! A maior parte dos recursos financeiros é aplicado no combate, em detrimento da Prevenção. Até se fala num Cartel do Fogo. Se não vejamos:

O SIRESP foi um investimento monumental e os resultados operacionais, têm sido desastrosos.

Os contractos dos meios aéreos, são pouco transparentes e as opções são no mínimo, suspeitas, como o caso dos KAMOV’s. Muita gente se questiona, por que razão a gestão e operação dos meios aéreos não-ser uma responsabilidade da FAP?

A promiscuidade entre empresas de venda de equipamentos de combate e alguns elementos de corpos de operacionais de bombeiros é uma realidade que ninguém parece querer investigar.

Porque não criar uma força de Sapadores Florestais distribuída e dimensionada para a nossa realidade florestal.

Muitos políticos ficam muito incomodados, quando lhes perguntam: se os privados conseguem salvar a floresta porque é que o Estado não o faz? “Há em Portugal modelos alternativos de prevenção e combate aos incêndios. Esta é a história da aldeia que comprou fardas e viaturas para combater ela própria as chamas quando a ajuda tarda, dos corpos privativos que guardam fábricas e eucaliptais das empresas de celulose, da corporação de sapadores criada de propósito para defender o maior tesouro natural do país. E da máxima que todos repetem sem cessar: o investimento compensa.”[1]

É preciso que este investimento seja aplicado, maioritariamente, na PREVENÇÃO. Que a celebração dos contractos de meios de combate sejam mais transparentes e fiscalizadas por organismo independente. Que a justiça seja célere e implacável, nos casos de fogo posto; mas muito mais contundente nos negócios duvidosos, que envolvem compras e manutenção de equipamentos, bem como nas contratações dos meios aéreos. Que haja um maior protagonismo dos técnicos florestais e dos sapadores. São eles que conhecem a floresta e com ela convivem em permanência. Nas contratações dos responsáveis pelos organismo de operações, tenham que demonstrar capacidade e experiência operacional, e não apenas formação académica.

Como se pode concluir, não é preciso fazer-se muito mais. È preciso é fazer melhor. È preciso é que haja uma vontade de resolver este flagelo, alocar para este desígnio os mais capazes e competentes, a transparência em todas as acções necessárias e que possam ser entendidas como duvidosas. Caso contrário, faz todo o sentido concluir-se que: há muita gente a ganhar muito dinheiro a apagar fogos florestais!



[1] Notícias Magazine