Por razões profissionais, e por
um inusitado interesse comecei a seguir o fenómeno da comunicação por volta dos
anos 2000. Foi uma necessidade que me trouxe benefícios palpáveis à minha
actividade, enquanto me permitiu olhar o mundo por uma perspectiva completamente
diferente. Nomeadamente perceber que o discurso oral é muitas vezes contrariado
pelo Body Language do palestrante. Para além do mais, há ainda a considerar que
o processo comunicacional envolve todo um conjunto de factores, que contribuem
de forma decisiva para o resultado – atingir eficazmente um determinado
objectivo.
Esta minha apetência por este
fenómeno, têm-me levado a observar com muita atenção diversas personalidades
que se atravessam no nosso mundo, e onde é possível observar com algum grau de
certeza que a sua linguagem não verbal, contraria muitas vezes o discurso. São
disso exemplo paradigmático os casos de Donald Trump, Vladimir Putin, Jair
Bolsonaro e, entre nós, o caso de André Ventura. Qualquer um destes exemplos é
possível perceber nos seus discursos, que a verdade é algo que não os incomoda,
e que a contradição é revelada na sua linguagem corporal. Ou seja, a intenção
no discurso, é contrariada pela forma como o expressam.
O caso de Pedro Nuno Santos (PNS),
apesar das diferenças dos exemplos mencionados, é muito similar no que diz
respeito à mensagem que traz, e à forma como a expõe. Se começarmos pelo
conteúdo, verificamos que há um certo desnorte com o mote escolhido - Portugal
Inteiro que é repetido à exaustão. Se a repetição pode ser vista como corolário
da lógica comicieira, já o mote não se encaixa na personagem, sobretudo se
levarmos em linha de conta a sua experiência governativa: deixou em cacos tudo
por onde passou: a TAP, a ferrovia e a habitação. Quanto à sua expressão não
verbal, também não foi bem-aconselhado. Senão vejamos: no início da sua
intervenção como candidato, começou por suavizar o discurso, tentando passar a
imagem de um político calmo e seguro das suas convicções - soou a falso. No
debate com LM, voltou ao seu registo natural, e marcou pontos. No entanto a sua
modulação vocal é monocórdica e repetitiva, qualquer que seja a circunstância.
A alteração do vestuário com a opção pela gola alta, também não colou e foi rapidamente
revertida.
Todos os candidatos também têm
cometido vários eros comunicacionais, mas apesar de tudo, têm sido mais
naturais, ou pelo menos, apresentam um registo igual a si próprios. Os casos
mais surpreendentes, ou talvez não, foram o Rui Tavares e Paulo Raimundo. No
caso de PNS e, particularmente depois do desaire dos Açores, Luís Paixão
Martins podia ter dado uma ajuda preciosa. Só a 10 de Março será possível aferir
desta minha análise. Vamos aguardar.


