sábado, 25 de janeiro de 2025

UM PILHA GALINHAS QUE NOS ENVERGONHA A TODOS

 

Os recentes acontecimentos com um deputado eleito pelo CHEGA nas últimas legislativas, deixam qualquer açoriano envergonhado, muito especialmente os micaelenses. Não existe uma sociedade só de gente boa, como também não se pode generalizar o pecado de um, a todos os seus conterrâneos. Mas os açorianos e permitam-me destacar os micaelenses, sempre foram conhecidos pela sua dedicação ao trabalho, pela honradez dos seus princípios e pelo respeito ao seu semelhante.

Os Açores produziram, ao longo dos anos, gente muito distinta e que desempenharam um importante papel no panorama político nacional. São exemplos disto mesmo, nomes como: Manuel de Arriaga (1º Presidente da República eleito) e Teófilo de Braga, como Presidentes da República, Ernesto Rodolfo Hintze Ribeiro 1º Ministro da República. Mais recentemente tivemos nomes de açorianos que na política nacional honraram a terra que os viu nascer: Jaime Gama, João Bosco Mota Amaral, José de Medeiros Ferreira, Natália Correia, apenas para citar os mais importantes. Também neste mesmo âmbito da política nacional, não podemos ignorar os casos como de um deputado que roubou o gravador aos jornalistas e doutro que arranjou empregos para toda a família. Claro que estes dois exemplos, muito menos graves, mas apesar disso mesmo, mancharam o nome dos Açores e dos açorianos

Muitos outros no campo das artes, das letras, das ciências, da música, do jornalismo, tiveram um papel de destaque, que muito contribuiu para o reconhecimento da nobreza das gentes das ilhas.

Voltando ao caso do deputado Miguel Arruda, pela singularidade do que até agora se vai sabendo, parece mais tratar-se mais de um desvio patológico, do que a intenção de ganhar quantias avultadas. Este comportamento faz lembrar os motivos por que se apelidava de pilha galinhas, um desgraçado que roubava para comer, o que não parece ser o caso presente. A sua continuidade como deputado independente, parece apontar em sentido oposto.

Os dados reputacionais não ficam apenas com quem praticou este ilícito, nem com o seu próprio partido e com a imagem dos políticos em geral. Eles vão ficar colados como uma mancha indelével à sua condição de ilhéu, o que nos envergonha a todos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

SEGURANÇA - UM QUESTÃO ACTUAL

 

Muito se tem falado ultimamente sobre o problema da segurança no país, e muito em particular na área metropolitana de Lisboa. O caso mais recente, assentou na intervenção da polícia na rua do Bemformoso, que despoletou uma discussão, traduzida numa visão maniqueísta entre aqueles que acham justificável a acção policial, e dos outros que consideram um abuso condenável. As recentes manifestações realizadas no Martin Moniz, apenas mostram uma visão radicalizada de um problema real.

A segurança ou a falta desta é uma preocupação de qualquer um de nós. Quem se já se debruçou sobre esta questão, sabe que ela constitui uma necessidade fisiológica (Maslow 1943). Ou seja, definiu-se que as necessidades de segurança são, em conjunto com a alimentação, o sexo, o abrigo, as condições necessárias para o seu bem-estar. Maslow vê a segurança numa perspectiva global que pressupõe a segurança, pessoal, de saúde, financeira e social.

O assunto também tem suscitado uma acesa discussão sobre a realidade observável e documentada, em oposição à percepção que as pessoas têm da sua segurança. No meu modesto entendimento, uma realidade observável, não invalida uma percepção de insegurança. Considerar que um local é tranquilo e seguro, porque as pessoas não o frequentam por uma percepção do contrário, não justifica nem uma nem outra posição.

A título de exemplo, podemos considerar Santarém uma cidade pacata, e segura, corroborado por baixos índices de criminalidade. No entanto, percorrer o seu centro histórico à noite pode revelar-se uma experiência assustadora.  Muito provavelmente, é isso que justifica que após o por do sol, esse mesmo centro histórico fique deserto. O facto de apesar disto, o município ter mandado instalar 26 câmaras de vídeo com o objectivo de: “…prevenir crimes, ajuda a monitorizar as áreas de risco, ajuda a prevenir o vandalismo, vai ajudar a dissuadir este tipo de actividades…”, aponta também no mesmo sentido – revela a percepção que é preciso estar atento. Por outro lado, uma cidade pode considerar-se segura se os seus habitantes, estejam recolhidos em casa, apenas porque assim se sentem mais seguros?

Varrer o assunto para debaixo do tapete não será, certamente, a solução ideal. A emigração não é, por si só, um problema de segurança. Mas não podemos ignorar que, associado a isto existem factores preocupantes como sejam, as redes de tráfico humano, constituídas por gangues organizados que disputam entre si o domínio de certas áreas. Esta nova onda migratória, em nada se parece com movimentos recentes de emigrante de leste, quer no que diz respeito à sua integração, quer ainda pelo exotismo de uma cultura que em nada se parece com a nossa.

Pelos vistos, o momento impõe uma discussão séria sobre o assunto, sem preconceitos nem radicalismos. A própria situação de Portugal ser considerado um país seguro, deve impor que tudo se faça para que tal se continue a verificar. Mas mais importante ainda, é que cada um de nós não encontre razões para por isto em causa.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

ALEXANDRA LEITÃO UMA ESCOLHA ACERTADA?

 

Pedro Nuno Santos (PNS), como líder do PS tem sido acusado de alguma inépcia no que diz respeito à nomeação dos candidatos para as autárquicas e presidenciais. As hesitações do “enfant terrible” do Partido Socialista no nosso entendimento, ainda não percebeu a sua condição de líder partidário. Resulta do facto de não ter entendido que a postura militante de base, ou mesmo de um ministro, são as suas responsabilidades restritas e, está num patamar completamente diferente àquelas exigidas para um líder partidário. Ou dito por outras palavras, um líder partidário (candidato natural a primeiro-ministro), tem de actuar internamente como um polo catalisador das diferentes sensibilidades dentro do partido, e transmitir para o exterior, a dimensão de um verdadeiro estadista. Esta premissa, tem-se revelado como um fato demasiado justo, para o corpo do líder do PS.

A nomeação de Alexandra Leitão (AL) como a escolha do PS para o município da capital são disto um exemplo paradigmático. A aposta de PNS num candidato de esquerda revela-se como uma manobra estratégica para ir buscar os votos ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista Português. Se esta foi a estratégia que presidiu à sua escolha, ela não poderia ter encontrado melhor opção. Ora, é fácil reconhecer que AL como a mais fiel representante da sensibilidade da esquerda radical no interior do PS. Há mesmo quem afirme que AL, pelas ideias que defende, tanto poderia estar no BE, como no PCP. Resta saber se o PS pretende arrear Carlos Moedas do poder autárquico, não seria mais avisado uma aposta num candidato socialista mais ao centro?

As eleições autárquicas estão aí à porta. Carlos Moedas não tem tido um mandato particularmente isento de críticas. Mas a surpresa da sua própria eleição, residiu no facto de que os eleitores da capital fizeram a sua escolha, e ela foi feita ao centro.

Alexandra Leitão foi a escolha do PS como cabeça de lista por Santarém às últimas eleições legislativas. Santarém é a cidade onde vivo e a sua escolha não agradou as Scalabitanos, mesmo aqueles que são socialistas convictos. A senhora não tem qualquer ligação à cidade, e tanto quanto sei, nunca a vi defender os interesses de Santarém nas suas intervenções parlamentares. Pelo menos no caso desta candidatura, a sua naturalidade alfacinha pode constituir um voto a seu favor.

Quanto às presidenciais, o desnorte do PS é igualmente inquietante. E falar-se em primárias para a escolha do representante do PS as eleições presidenciais, é porque a lógica na preferência para a Camara de Lisboa de Alexandra Leitão, naturalmente não irá funcionar para a escolha do presidente. Até porque os putativos, ou proto candidatos são mais de maia dúzia!