sábado, 28 de setembro de 2019

VOTAR NOS MESMOS, NUNCA MAIS!


Estamos a escassos dias das eleições legislativas. É bom não esquecermos o que foram estes 45 anos de vida em Democracia. Muita esperança de vermos um país que já foi grande, realinhar-se com o desenvolvimento dos países que seriam a nossa referência. Estes 45 anos de Democracia, sofreram muitos percalços iniciais, porque se queria conduzir o país para um rumo, que seguramente, não diferia muito do anterior, apenas de sinal contrário.
Com o 25 de Novembro retomou-se a ideia inicial e apareceram políticos com sentido de estado, com uma matriz ideológica observável pelo cidadão comum e que se preocuparam com colectivo. Apesar das muitas diferenças que entre eles havia a sensação de que lutavam pelo bem comum. Era muito mais importante colocar o país no rumo certo, do que as conveniências de grupo, ou individuais. As naturais sensibilidades ideológicas que cada um defendia eram objectivas. Ou seja, cada um de nós sabia com o que podia contar. Portanto a escolha era fácil. Personificaram esse ideal, homens como, Mário Soares, Sá Carneiro, Álvaro Cunhal, Adelino Amaro da Costa, apenas para referir os mais conhecidos.
Daí para cá a qualidade e o carácter dos políticos tem,-se pautado por um ideário individualista ou partidário. O país é muito importante nos discursos oficiais, mas depois o que se verifica é um aproveitamento em benefício próprio, para os correligionários, para os amigos ou para o partido, das muitas benesses que o poder sempre tem para distribuir.
É claro que foi muito importante a nossa adesão à EU, é claro que o país se desenvolveu e progrediu, é óbvio que os portugueses vivem hoje muito melhor do que noutros tempos, é consensual que alguns indicadores que medem o desenvolvimento dos povos estão hoje a um nível muito melhor. Mas isto não explica tudo, e o que nos prometiam, com o passar do tempo não passam de promessas vãs. Por isso, o que temos que reivindicar é que podíamos estar muito melhor. Aliás, como muitos outros dos nossos parceiros que passaram por processos semelhantes, como por exemplo o caso espanhol, apesar no enorme problema das autonomias que eles têm, a Irlanda e todos os novos países que recentemente aderiram à UE.
O que eu sinto após todos estes anos, é uma enorme frustração por ter a consciência que teria sido possível fazer muito mais e melhor. Apesar da tão apregoada convergência com os nossos parceiros, o que verificamos é que, a maior parte dos países com os quais nos podemos comparar, vão-nos passando à frente.
Os partidos políticos transformaram-se em agências de emprego, onde a capacidade, o curriculum e a entrega desinteressada à causa pública, deixaram de ser a norma. Apareceram as juventudes partidárias, que produzem políticos como cogumelos. São estes jovens que são iniciados, nos níveis mais baixos da intervenção político-partidária, e que paulatinamente vão subindo na hierarquia. Se isto nada tem de condenável, não traduz qualquer critério de mérito na escolha e promoção destes jovens. Se quisermos fazer um exercício de memória, é ver quantos dos nossos líderes partidários mais recentes fizeram este percurso, sem poderem apresentar uma experiência de vida ou de trabalho, que possa justificar a escolha.
A nossa frágil Democracia, nos último 45 anos sofreu muitas das naturais convulsões, e isso todos nós aceitaríamos com a naturalidade possível. Neste fim de vida posso afirmar que vivo com uma razoável dignidade. Não posso aceitar é que muitos dos portugueses, não o consigam da mesma forma, É inadmissível que os nossos jovens não tenham perspectivas de futuro garantidas. Estamos a investir na educação dos nossos jovens e, por não encontrarem saídas profissionais dignas, tenham que emigrar. Ou seja, estamos a investir na qualificação e quem disso vai beneficiar, são os países que os acolhem. Por oposição estamos a receber muitos mais imigrantes bem menos qualificados.
O problema, quanto a mim, é que tudo aquilo que correu mal tem nome, foi o Centrão. Temos sido governados, alternadamente, por os dois principais partidos, e já vimos que eles afinam pelo mesmo diapasão. Os ciclos de prosperidade aparente, alternam com convulsões escusadas, como as três bancarrotas que tivemos que ultrapassar. Esta “experiência” da geringonça não provou ser melhor do que as anteriores. Eu diria que fenómenos como a corrupção, o compadrio, e a subserviência ao poder económico, não se alteraram substancialmente. Muita incompetência, desleixo e desresponsabilização, podem ser a justificação para os casos dos fogos, de Tancos e das guerras intestinas com vários sectores de actividade e pela descredibilidade que o sistema político faz transparecer. Muitos indicadores económicos também revelam dados preocupantes, apesar do Ronaldo das contas certas.
Temos uma Imprensa servil e obediente ao poder político e económico. Vejam-se os programas mais atrevidos, são silenciados de uma maneira escandalosa.
Do outro lado da barricada, e da alternância democrática, o panorama não será muito diferente e têm ser igualmente co-responsabilizados pelo estado a que chegamos. Ou seja, se olharmos para as sondagens, vamos ter mais do mesmo, quer o PS tenha ou não maioria absoluta. O que em meu entender seria um desastre completo. Votar nos mesmos é perpetuar este estado de águas turvas em que temos vivido ao longo deste processo democrático. As alternativas, também não abundam. Mesmos as ditas forças progressistas têm os seus podres, e precisam de manter a estrutura partidária activa, senão os clientes fogem. Restam-nos alguns poucos partidos emergentes e alguns com ideias interessantes. Se tiver que optar pelo voto útil, terá que ser numa destas soluções. Podemos dizer que no nosso sistema eleitoral, pulverizar os votos beneficia o partido mais votado, é verdade. Mas para este peditório eu não dou mais. As sociedades não mudam de um dia para o outro, mas todos nós temos a responsabilidade de protagonizar a tal pedrada no charco das águas muito turvas, sob pena de hipotecarmos o futuro dos nossos filhos e netos.
Ficar em casa é que nunca. Só temos uma oportunidade, e é de quatro em quatro anos. Cada um de nós é uma gota neste oceano de comodismo e da idéia que impera, de que isto não é connosco. A Abstenção pêlos valores que tem alcançado, obtinha facilmente uma “maioria absoluta” Entregar a arma ao bandido, é uma solução suicida. Bem bastam as aritméticas par(a)lamentares, para a viabilização de soluções aparentemente inusitadas e incompreensíveis. Ou então não nos podemos queixar.


segunda-feira, 16 de setembro de 2019

PORQUE NÃO VOTAR NO PS


Segundo alguns dados recentes o PS prepara-se para ter um resultado eleitoral extraordinário e, muito provavelmente, atingir uma maioria absoluta.
Já anteriormente escrevi sobre as maldades das maiorias absolutas e muito especialmente de uma conquistada por António Costa. É preciso não esquecer que este homem chega a primeiro ministro por uma jogada habilidosa, com um objectivo muito claro – garantir a sua sobrevivência política no interior o partido. Não esquecer que ele chega a líder partidário, depois de afastar António José Seguro, acusando a sua liderança de ter ganho por poucochinho, apesar da conjuntura que na altura se vivia (os governos da Troika de Pedro Passos Coelho).
Nas primeiras eleições disputadas, obtém um resultado desastroso, muito inferior em comparação com o do seu antecessor. Aquilo que qualquer político sério faria era, junto dos órgãos do partido, por o seu lugar à disposição, como manda a muito propalada ética republicana. Mas António Costa que é um político matreiro, sabia que isso o conduziria a uma longa caminhada no deserto. Ele que nada fez na vida senão política, seria uma solução desastrosa.
Apesar do PS se ter posicionado sempre como um partido de centro e social democrata, António Costa dá um valente golpe de rins e, como hábil negociador que é, alia-se á extrema esquerda e forma uma coisa a que se chamou de geringonça, baseada exclusivamente numa habilidade aritmética, entre PCP, Verdes e BE. Apesar das enormes diferenças ideológicas, lá se arranjou um equilíbrio que permitiu governar com alguma serenidade, apesar de tudo. Lembrar que foram muito os casos (Fogos Pedrogão Grande, Tancos, Corrupção, Familygate, guerra com os professores, enfermeiros, forças de segurança, SNS, etc.)
Lembrar que esta solução encontrada fragilizou muito os partidos de centro direita, PS e CDS, que praticamente saíram de cena, e  que nunca aceitaram esta maioria aritmética, apesar a sua legitimidade.
O país, durante os quarenta anos de democracia, escolheu sempre soluções políticas de centro. Esta orientação estava em concordância, com a maioria dos países da União Europeia, traduzindo-se na alternância de partidos do centro, por escolha objectiva dos eleitores. A solução encontrada (a geringonça), veio introduzir uma nova realidade, que causou uma enorme perplexidade – o entendimento entre partidos que do ponto de vista edeológico e programático, propõem soluções muito diferentes e que, em relação à própria presença e do país na EU e à nossa participação na NATO, tem uma posição completamente oposta.
A geringonça tomou posse e António Costa foi cedendo aqui e ali, para que os seus parceiros pudessem viabilizar a sua sobrevivência política. Nessa perspectiva e beneficiando de uma extraordinária conjuntura internacional (aumento do turismo e respectivas receitas, preço baixo dos combustíveis, aumento das exportações), lá foi levando este barco com algumas medidas de forte impacto social, como a devolução de rendimentos e a diminuição das horas de trabalho. Para tal era importante ter as contas públicas em dia. Mário Centeno foi a personalidade que se encontrou para ar crédito a este desiderato, uma vez que os socialistas sempre estiveram ligados a uma forma de exercer o poder, sem esta preocupação. As três intervenções externas em Portugal foram sempre protagonizadas por socialistas. Mário Centeno, um funcionário do Banco de Portugal, conseguiu era o “milagre”. Apesar do natural aumento da despesa, foi possível implementar as tais medidas.
Tudo isto foi conseguido através de uma habilidosa engenharia financeira, deitando mão de um mecanismo – as cativações que, se por um lado permitiram os tais ganhos de rendimento, por outro deram cabo de alguns serviços essenciais, como o Serviço Nacional de Saúde, os sectores dos transportes, da educação, apenas para referir os mais importantes. Tudo o que acontecia de bom era obra deste governo, tudo o que acontecia de mau era da responsabilidade do governo anterior. Devo salientar aqui, que sem nutrir uma simpatia especial por Pedro Passos Coelho e por muitas medidas do seu governo, elas foram resultado do (des)governo de José Sócrates, que conduziu o país a uma situação que todos sabemos e eu se limitou a executar um programa assinado pelo PS e PSD com a Troika.
Os êxitos deste governo são difíceis e explicar ou de entender, se tivermos em linha de conta a enorme conflitualidade que, nos mais diversos sectores de actividade, se fizeram sentir. Os professores, os motoristas de substâncias perigosas, os médicos, os enfermeiros, os guardas prisionais, os elementos do SEF, da PSP, os funcionários das Finanças, os bombeiros, os estivadores, etc. O rol é imenso.
Por outro lado, a acção deste governo fica manchada por uma série de outros acontecimentos que o deveria deixar muito pouco confortável. Os fogos de Pedrogão Grande, que responsabiliza este governo por uma acção, desleixada, incompetente e desastrosa, com a morte de mais de 100 portugueses. Os inúmeros casos e corrupção de gente ligada ao PS. As inúmeras ligações familiares que atingem valores nunca antes vistas em parte nenhuma. A nomeação de boys a uma escala exagerada, e que além de incompetente é excessiva, como no Caso da Protecção Civil. É a sombra incómoda de Sócrates, pela presença neste governo de muitos dos seus elementos, a começar pelo próprio António Costa. No plano das contas públicas, apesar de se dizer que estão “controladas”, temos a maior carga fiscal de sempre, uma dívida externa que não para de crescer, uma taxa de crescimento muito abaixo das nossas necessidades, a degradação dos serviços públicos, um sector de transportes que está literalmente a “cair” de podre, a desastrosa e injusta forma de resolver a falência da banca, a forma discriminatória como são tratados os sectores público e privados, a vergonhosa situação que se passa na justiça com um silêncio ensurdecedor dos políticos com responsabilidade. Muitos podiam ser os exemplos.
Aproximam-se as eleições legislativas já no início de Outubro com as sondagens a apontarem para uma muito provável maioria absoluta do PS: Por tudo aquilo que foi descrito anteriormente, esta solução pode ser ruinosa para o país. Com uma direita em frangalhos. Com um conflito objectivo entre o PS e BE, perante a subida deste último nas intensões de votos, mesmo levando em linha de conta os enormes disparates de Catarina Martins, a probabilidade de António Costa poder governar sozinho é bem palpável.
Acreditamos que tal eventualidade não iria trazer nada de bom para o país. Com António Costa em rédea solta, o regresso às loucuras da escola de Sócrates, são por demais evidentes. A possibilidade de uma alteração da constituição, com uma viragem à esquerda, poderá fazer-nos recuar aos tempos do PREC.
Quaisquer que sejam os resultados das próximas eleições, vamos ter sem dúvida uma maioria de esquerda, e talvez reforçada. O estado em que se encontra a direita, desiludida e fragmentada, nunca pode ser encarada como uma solução de alternância. Mas o pior de tudo seria uma maioria absoluta de António Costa.
A opção do voto útil, representa algo que sempre combati, por não ser uma solução de compromisso. Ou seja, é a escolha de um mal menor. Neste momento e, atendendo às circunstâncias, esta parece-nos ser, apesar de tudo, a solução mais inteligente, a dispersão dos votos pelos partidos de menor dimensão à esquerda ou á direita.
Conferir a António Costa a possibilidade de governar em maioria absoluta, pode representar um desastre. Deixar de votar é que NUNCA.


sexta-feira, 6 de setembro de 2019

IDENTIDADE E IDEOLOGIA DE GÉNERO


Este assunto preencheu algum tempo durante o meu período de férias, quer nas Redes Sociais, quer em muitos órgãos de informação.
Daquilo que consegui ler, verifiquei alguma confusão dos conceitos desenvolvidos, o que em nada contribui para um verdadeiro esclarecimento de um tema que faz parte da agenda actual.
Por convicção sou um activo defensor das teorias evolucionistas. E estas, confrontam-nos com a nossa realidade “animal”. Ou seja, apesar do processo evolutivo que coloca o homem no topo da pirâmide, não deixamos de lutar por aquilo que na Natureza é comum a todos os seres vivos: sobreviver e garantir a continuidade da espécie. Este objectivo para ter sucesso, obrigou as diferentes espécies a criar mecanismos de adaptação ao meio e ás suas múltiplas condicionantes, que determinaram que as diversas espécies consigam adaptar-se aos mais diversos ambientes, por mais difíceis e inóspitos que estes se revelam.
Para a sua sobrevivência, as espécies procuram que a sua descendência consiga ter as melhores condições de adaptação e resistência às muitas dificuldades que irão enfrentar. Estes mecanismos podem apresentar muitas e variadas formas. Algumas palavras chave para evidenciar este fenómeno: o macho alfa, o dimorfismo sexual, os vários bizarros, complexos e curiosos rituais de acasalamento, estratégia de poligamia, etc., são apenas alguns dos mecanismos para cumprir este objectivo - garantir descendências fortes e saudáveis e devidamente adaptadas. Na Natureza a diferença entre os géneros é bastante acentuada e seguem um padrão para cada género. No aso dos humanos, os machos mais fortes e corpulentos e as fêmeas mais frágeis e mais pequenas. O género masculino é mais forte e corpulento, orientado para o trabalho físico, para a luta, tem uma morfologia, mais rectilínea; a voz mais grave, maior quantidade de pelos; enquanto que o género feminino, apresenta uma morfologia, mais curvilínea e de menor estatura, desprovia de pelos e de voz mais suave. Biologicamente falando, homens e mulheres possuem diferenças bem marcantes, tanto anatómica quanto fisiologicamente, quer ainda no plano hormonal, o que caracteriza o “dimorfismo sexual”. Também no plano comportamental, o homem é um ser racional e um com um comportamento mais prático, com maior poder e orientação espacial, emocionalmente mais desligados e a mulher um ser mais emocional, fisiologicamente mais orientada para a procriação. Embora seja uma questão polémica, não é só por factores puramente culturais que a menina prefere as bonecas e os meninos, a bola e os carrinhos. Resumindo, a mãe Natureza definiu um padrão entre os géneros, facilmente observável e com objectivos muito bem definidos.
Identidade de género é, a percepção de uma pessoa sobre seu género não é uma escolha, é um entendimento sobre sua identidade e sobre a forma como ela se reconhece como indivíduo, independentemente de seu sexo biológico. Ou seja, nestas circunstâncias a Natureza prega uma “partida” ao provocar um desequilíbrio entre as componentes do Padrão. Ou dito de outra forma, alguns indivíduos descobrem que a sua componente física, não está em harmonia com a correspondente componente psíquica. Nestas circunstâncias de desvio á normalidade, provoca no indivíduo, um terrível problema de identidade de género. Por isso, a sociedade tem que entender e ajudar as pessoas que apresentem esta anomalia.
Quanto á ideologia de género, os defensores desta "ideologia" argumentam, não existir apenas o género masculino e feminino, mas um espectro que pode ser muito mais amplo do que a identificação somente com masculino e feminino. Por curiosidade, o Facebook, como a maior rede social do mundo propões 56 opções e género (Link), o que parece para além de um exagero, uma perfeita tolice! Mais ainda, propositadamente ou não, misturam ainda o conceito de orientação sexual, identidade de género, como um meio de resolver o problema, o que até se compreende no plano individual, mas impossível de aceitar num universo alargado. Ou como propõe o Bloco de Esquerda, a retirada do nome de Cartão do Cidadão, porque atribui a esta designação uma forma sexista de tratar o indivíduo!
Mas quando se quer resolver o problema de forma administrativa, as coisas tornam-se particularmente mais incompreensíveis. Tornar o acesso às casas de banho das escolas, como uma escolha livre e espontânea do indivíduo, de acordo com a sua identidade de género, é ver o assunto, apenas com um sentido único. Exclui-se totalmente deste contexto, todos aqueles que têm muito bem definida a sua identidade de género, e acordo com o padrão (masculino ou feminino) e que são a maioria. Estou a referir-me ao Despacho sobre as casas de banho nas escolas. Ou seja, pretende-se impor um modelo (discutível) a uma maioria, para resolver um problema de uma minoria, apesar da sua importância.
Admitindo que a publicação do Despacho n.º 7247/2019, teve os mais nobre intuitos, parece-nos ser um despropósito, sem que antes tenha havido um debate alargado, entre, pais, alunos, professores, pedagogos, terapeutas, médicos, psicólogos, etc., para que as propostas apresentadas não se limitem à escolha da casa de banho de acordo com a identidade de género de cada qual. É preciso também entendera posição de todos os alunos, que têm a sua identidade de género em consonância com o padrão (masculino e feminino), e que representam por larga margem, a maioria. Será que nestas circunstâncias, o direito à sua privacidade e individualidade não estão a ser invadido? Será que a sua opinião, exactamente por serem uma maioria, não deveria ter um peso maior? A proposta apresentada, a ser cumprida, irá despoletar, certamente, inevitáveis fenómenos de bullying, sempre condenáveis?
Obviamente que o assunto é sério e deverá merecer um tratamento especializado. No meu fraco entender, o tema é muito complexo e a sua resolução, e irá suscitar sempre grande controvérsia. Cada caso é um caso e, como tal, a abordagem deverá ser muito individualizada. A solução proposta é demasiado administrativa, tratando um assunto que tem uma componente emocional considerável, como se de um simples Manual de Procedimentos se tratasse. Um pouco mais de razoabilidade impunha-se.
Vénus e Marte por Alessandro Botticelli