domingo, 29 de dezembro de 2019

CINQUENTA ANOS DE UMA VIDA PREENCHIDA


Completei cinquenta anos de casamento. Uma vida bem preenchida. Com muitas alegrias, algumas tristezas, muitas conquistas e algumas derrotas, com muitos sacríficos, mas sempre muito bem vivida.
Habitualmente dou pouca importância a comemorações formais, exactamente por serem formais e, muitas vezes como uma exigência que a vida em sociedade nos impõe. Nesta altura das nossas vidas, em que conseguimos concretizar os nossos principais objectivos, fiz questão em não deixar passar este momento sem o partilhar com todos aqueles que foram importantes. Estiveram e estão sempre sempre disponíveis sempre que deles precisamos. Foram também eles que nos deram a força e o alento para seguir em frente. Refiro-me, naturalmente, à família e aos amigos.
Considero-me um bafejado pela sorte. Nasci numa família como tantas outras, mas que nos incutiram sempre os dois maiores valores que se podem encontrar num ser humano: a humildade e a gratidão. Tentei sempre que estes fossem os guias que orientassem a nossas vidas. Apesar do esforço, acredito que nem sempre o tenha conseguido, da mesma forma que o pude observar nos meus pais. Alegra-me muito que a minha numerosa família tenha assumido e praticado estes ensinamentos. E que, apesar dos tempos que correm, a unidade e harmonia seja uma realidade nesta numerosa família.
Foi também esta preocupação que tive, na educação dos meus filhos e na transmissão destes valores. Embora não queira ser juiz em causa própria, estou muito orgulhoso dos filhos que tenho e dos homens em que eles se tornaram. Não posso esquecer o papel importante da minha companheira de uma vida, nesta longa jornada. Juntos e com muita cumplicidade, partilhamos os mesmos valores e estamos em sintonia perfeita em tudo aquilo que é essencial.
Os amigos são um bem, tanto ou mais valiosos do que a família. Existem por escolha nossa, ou porque nos escolheram eles. Considero que são bênçãos que fomos cultivando ao longo das nossas vidas, com respeito e consideração. São o suporte nos maus momentos e companheiros nos bons, e a razão que nos faz seguir em frente e ter sempre um motivo para estarmos uns com os outros. Tenho os melhores amigos do mundo. A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor. A minha gratidão é para eles por me terem aceite, com os meus erros e temperamento difícil.
Foi um dia de muita alegria e de emoções muito fortes, que vou guardar para sempre no fundo do meu coração. Conseguimos reunir muitos dos que são parte integrante das nossas vidas e nos ajudaram nesta caminhada. Foi uma enorme satisfação ter podido reunir as nossas família e amigos. Quatro gerações de Silvas estiveram presentes o que, naturalmente, me fez viver um sentimento que não consigo descrever por palavras.
Quero a finalizar, expressar a minha mais profunda gratidão pelo dia inesquecível que me fizeram viver. É um privilégio ter uma família e amigos assim e ter vivenciado este momento.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

AS MARAVILHAS DO SUPERAVIT



Impostos só baixam quando houver "superavit", garante Mário Centeno… Observador 17/04/2018
INE confirma carga fiscal em 35,4%, a maior de sempre. A receita dos impostos atingiu no ano passado os 71,4 mil milhões. Diário de Notícias 13/05/2019.
Parece que vamos encerrar o ano com um superavit. o que parece agradar a muita gente, especialmente ao PS e, mais especialmente ainda, a Mário Centeno, digo eu! Isto aparentemente está em contradição com as palavras e Centeno em 2018. Mais ainda está em contradição com a lógica de que, quando temos dinheiro a mais, este deveria ser aplicado no investimento, de modo a criar riqueza, ou na redução da brutal dívida pública.
Aparentemente, vai haver superavit, mas mesmo assim a carga fiscal, irá atingir um valor recorde de 35%. Duas dúvidas se levantam: ou não há superavit, ou este não passa de uma manobra contabilística, para alcançar um determinado fim. Dito por outras palavras, ou o superavit é uma manobra de cativações e outras habilidades financeiras, para Centeno brilhar e reivindicar outros voos pessoais, ou o superavit é qualquer coisa fictícia.
A política de desinvestimento registada nos serviços públicos, pode ser a explicação para as tão apregoadas “contas certas” do governo, e a justificação para o superavit. Mário Centeno teve um papel decisivo na obtenção destes resultados. Muita gente afirma e, algumas evidências apontam nesse sentido, que o fez por ambição pessoal. Seja qual for a justificação, quem perdeu fomos todos nós. Com o SNS em rotura total e uma ministra permanentemente desautorizada pelo ministro das finanças. Com as escolas a funcionar de forma muito deficiente e a eterna questão do amianto por resolver. Com um sistema de transportes a apresentar falhas graves, nomeadamente no sector ferroviário. O superavit deixa-me a mim uma sensação de que faria mais sentido ter melhorado as condições de vida dos portugueses, do que apresentar este brilharete.
O discurso de Natal do primeiro ministro deixou-nos a sensação de que ele, apenas agora, reparou no estado em que se encontra o SNS e que tudo vais fazer para recuperar o tempo perdido. Esta repentina assunção da responsabilidade, parece evidenciar que agora vai ser muito difícil justificar estas roturas. invocando a responsabilidade a Passos Coelho ou a Troika, agora que ele inicia uma segunda legislatura.
Vou ainda admitir que sou um ignorante em matérias financeiras. O que corresponde à realidade. Ainda procurei nas livrarias uma edição de “O Superavit para Tótós”, mas estava esgotado. À falta de uma qualificação científica na matéria, e fazendo uma analogia com o controlo de um orçamento familiar responsável, quando há dinheiro a mais, primeiro pagam-se as dívidas, em segundo investe-se no que fazia falta e só no fim se fazem as estravagâncias. Provavelmente sou um totó e nada do que afirmei faz sentido!

sábado, 21 de dezembro de 2019

O CHEGA E ANDRÉ VENTURA AGRADECEM


Não nutro nenhuma simpatia especial por André Ventura, pelo CHEGA, nem pelo discurso agressivo, incoerente, populista e destituído de conteúdo. No entanto, o CHEGA constitui-se como um epifenómeno, que materializa na sua prática política o descontentamento latente na sociedade, relativamente aos inúmeros sacrifícios que as populações têm sido sujeitas. Fenómenos como a corrupção, a insegurança, os fluxos migratórios e a sua associação directa a actos terroristas. Talvez por isto mesmo, o discurso simplista assenta nos valores do nacionalismo, da (in)segurança, do racismo e da xenofobia, encontrem eco em muitas camadas da população que sentem de forma directa alguns destas realidades.
Se pensarmos bem, as linhas e força deste parlamentar, assentam em duas ou três ideias: a insegurança e o medo com ela relacionada, os migrantes e os fenómenos associados ao terrorismo, a descredibilização das instituições e um nacionalismo primário. Um discurso agressivo, populista e demagógico, encontram eco em muitos dos nossos concidadãos. Para tal utiliza tudo o que tem à mão. As facturas dos coletes anti bala, a sua participação na marcha das forças da ordem às portas do Parlamento, são disso prova inequívoca. Ou seja, aproveitando o descontentamento das forças de segurança, deitou mão de uma fake news, para fazer passar o discurso.
O CHEGA apoia-se numa bem urdida estratégia comunicacional, explorando exaustivamente as redes sociais, pela permeabilidade dos seus utilizadores a tudo o que seja bombástico, sem o mínimo critério de aprofundar a origem e a verdade da notícia. Vão alimentando a ideia de um herói forte, corajoso e desafiante, sempre pronto para confrontação, desenvolvida com um único propósito: que se fala muito dele. Bem ou mal, pouco interessa.
Este marketing político tem atingido os seus objectivos. Raro é o dia que os diversos órgãos de comunicação social (OCS), não lhe dediquem parte do seu tempo e espaço. Tudo aquilo que o CHEGA e o André Ventura pretende – que se fale deles.
A recente ingénua e desastrada intervenção de Ferro Rodrigues, nos trabalhos no hemiciclo, vieram atirar gasolina para a fogueira. Assim, este incidente está a ser aproveitado até à exaustão e, permitir a André Ventura explorar outro filão que tanto lhe agrada, a vitimização! Se não é admissível aceitar todos estes exageros a André Ventura, o Presidente da AR, não pode descer ao nível do arruaceiro e entrar em confrontação directa com ele. A democracia não é perfeita e concede-lhe toda a legitimidade de intervir e da forma que melhor o entender. E convínhamos. a palavra vergonha e vergonhosos, utilizada naquele contexto não era ofensiva,  no nosso modesto entender. Por isso, a intervenção de Ferro Rodrigues representa tudo aquilo que não deveria ter sido feito.
 Com isto não pretendo aceitar resignadamente, que este tipo este de intervenção política seja ignorada e, muito menos desvalorizada. É um fenómeno crescente, preocupante e transversal. Importa equacionar as causas que estão na sua origem e desenvolver um combate assente num contraditório inteligente, responsável e que tenha a capacidade de desmontar as falácias utilizadas. Dar-lhe espaço vital, é contribuir para a estratégia montada. É descer à boçalidade e alimentar esta fogueira. E, é precisamente isto que tem sido feito por opinion makers, OCS, políticos, e demais intervenientes. O CHEGA e André Ventura agradecem.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

A VERGONHOSA INTERVENÇÃO DE FERRO RODRIGUES


Todos temos que concordar que o nosso Parlamento tem revelado alguma mediocridade no desempenho dos seus representantes, deputados e governantes. O recente episódio, protagonizado por Ferro Rodrigues e André Ventura, é disso um exemplo flagrante. Confesso que na minha memória, já ter ouvido reproduzida aquela palavra por outros deputados, em situações semelhantes e, nem por isso foram admoestados pelo presidente a AR, como no caso do representante do Chega.
As redes sociais encheram-se, de imediato, de comentários, referindo a pouca legitimidade de Ferro Rodrigues, para uma intervenção daquele teor.
Muitos consideram que Ferro Rodrigues tem telhados de vidro e, não esquecem a sua resposta a um jornalista, emitida há já alguns anos, “estou-me cagando para o segredo de justiça” e, do seu indisfarçável incómodo no processo Casa Pia.
Se pensarmos ainda nos gestos de Mário Centeno, levantando o dedo do meio em pleno hemiciclo, e os cornos do ministro Manuel Pinho dirigiu a um deputado do PCP, temos que convir que abona muito pouco da elevação que deve ser dada ao debate político.
Ferro Rodrigues, antes de repreender o deputado André Ventura, devia recordar-se dos lamentáveis comportamentos de muitos deputados. Ele que afirmou recentemente que temos que credibilizar a função parlamentar, parece estar esquecido dos lamentáveis episódios das presenças falsas, das moradas falsas como forma de deitar a mão a um subsídio de deslocação, o Subsídio de Mobilidade atribuído a todos os deputados residentes na Madeira e nos Açores, a que despudoradamente deitam a mão. Todos estes exemplos são também vergonhosos aos olhos dos portugueses, que diariamente têm de lutar muito para terem uma via condigna. Ou seja, quando a casa da democracia não se dá ao respeito, não pode ficar ofendida, quando alguém no uso legitimo da palavra, livremente escolhe o termo vergonho, para qualificar um acto político, seja ele qual for.
Vergonhosos são as listas de espera. Vergonhoso é o tratamento diferenciado dado aos trabalhadores do sector público e privado, por ser discriminatório. Vergonhoso são os apoios concedidos a banqueiros corruptos, como vergonhoso é o tratamento dados aos depositantes lesados. Vergonhoso é um cidadão esperar 2, 3, 4 e 5 anos por um acto médico, seja uma consulta, ou uma cirurgia. A lista seria interminável.
O ridículo da intervenção de Ferro Rodrigues hoje na AR, foi mexer no vespeiro da “liberdade de expressão” e com isso justificar a “defesa da honra” de André Ventura. Ou seja, com esta tomada de posição permitiu o populismo ter o seu momento de glória. O Chega e André Ventura agradecem. Ou como diz o povo, foi dar a arma ao bandido.
Não havia necessidade!