segunda-feira, 26 de maio de 2025

NO RESCALDO DAS ÚLTIMAS LEGISLATIVAS – AS LIÇÕES DA HISTÓRIA

 

Segundo os entendidos, o valor da História reside na capacidade de nos conectar com o passado, de nos fornecer ferramentas para compreender o presente, e de nos orientar para o futuro. Ou seja, encontrar no passado os ensinamentos para o projectarmos o futuro não praticando os erros então cometidos.

No rescaldo destas eleições, encontramos dois factos políticos de uma relevância extraordinária e de contornos, que nem os mais avisados, poderiam antever: uma subida considerável do CHEGA, roubando votos a toda a esquerda(?), e a estrondosa derrota do PS. Se no caso do CHEGA se pode estabelecer alguma relação com o que se passa, um pouco por toda a Europa, já no caso do PS, os problemas parecem ser uma consequência de diversas razões. Alguns apontam para a desastrosa liderança de Pedro Nuno Santos, por arrogância, incompetência e ao radicalismo a que ele tentou fugir, mas que nunca fugiu dele. Tudo isto pode ser verdade, mas seria injusto atribuir a Pedro Nuno Santos toda a responsabilidade desta pesada derrota.

Na nossa modestíssima opinião, o desaire socialista tem um responsável de PESO – António Costa. Pode dizer-se que ele já nem liderava o partido, mas mesmo isso não o iliba dos erros cometidos no passado. É bom lembrar que António Costa chega à liderança do partido, derrubando um antigo líder. Acusando-o de as vitórias obtidas sobre o governo do tenebroso Pedro Passos Coelho, soarem a “poucochinho”. Para logo a seguir perder umas eleições para o mesmo PPC. Este facto obriga-o (para salvar a pele, e o seu futuro político), a quebrar algumas linhas vermelhas, traçadas pelo histórico Mário Soares, na recusa de qualquer entendimento com o PCP. Foi António Costa que quebrou essa regra, por puro egoísmo, e afirmava sentir-se orgulhoso de ter derrubado esse muro.

Pedro Nuno Santos foi, por consequência, o senhor que se segue. Não está isento de culpas, mas estas residem, fundamentalmente, mais nas suas idiossincrasias pessoais, do que nos princípios políticos que defendeu. As palavras de Alexandra Leitão de que “a estabilidade, progresso e democracia com liberdade e justiça social só podiam ser alcançadas com um voto no PS”, demonstra isto mesmo. É exactamente neste contexto que é imperioso olhar para o passado, e tirar os devidos ensinamentos.

O PS teve sempre os melhores resultados eleitorais quando se posicionou ao centro. A sua deriva à esquerda, iniciada por António Costa e continuada por Pedro Nuno Santos parecem, de alguma forma, confirmar uma das explicações para o desaire eleitoral. É certo que a formação da “geringonça” e a maioria absoluta conseguida, parecem contrariar este raciocínio. No entanto, o exemplo do desaparecimento do Partido Socialista Francês podia ser um sinal de aviso para meditar.

A ascensão de partidos populistas da direita radical (Front Nactonal e o Rassemblement National, em França, Fratelli d'Italia em Itália e o Vox em Espanha), foi obtida pela abordagem populista de temas que eram incómodos à esquerda, mas representavam as preocupações do eleitor comum. Para consolidarem as conquistas atingidas e alcançarem uma posição cimeira, bastou-lhes suavizarem o discurso.

Em 2017, a antiga candidata presidencial socialista Ségolène Royal, defendia que as disputas internas são responsáveis pela decadência socialista. “Os eleitores já não aguentam (...) os franceses querem que, quando os partidos existem, pelo menos se entendam entre si e não mostrem essas divisões”. É precisamente isto que o PS persiste em não reconhecer. Não aprender com os ensinamentos da História, e não reconhecer que os tempos mudaram, tal como a conjuntura político-partidária também mudou. Não reconhecer o óbvio, só pode contribuir para um desastre ainda maior.

A mais que provável indigitação de José Luís Carneiro como o novo líder do PS, aponta exactamente na reorientação do PS ao centro. A questão é saber se não se justificaria, antes de uma indigitação acelerada, uma profunda reflexão sobre as razões que conduziram à situação actual. O PS é importante demais no nosso sistema democrático. Ignorar as razões do último desastre eleitoral, é condicionar o futuro de um partido com história e, eventualmente caminhar para se tornar irrelevante.

sábado, 24 de maio de 2025

O MUNDO DOS CORDOFONES

 

A Universidade da Terceira Idade de Santarém, por iniciativa da sua turma de Cordofones, realizou uma viagem a Braga para visitar duas empresas familiares, que se dedicam à arte de Luthier (que me perdoem os puristas).

A visita permitiu-nos observar duas realidades distintas. Uma fábrica moderna, propriedade de senhor António Pinto Carvalho, com uma implantação internacional e com uma componente manual considerável, mas organizada numa perspectiva meramente industrial. Por outro lado, visitamos também um Museu dos Cordofones, propriedade do senhor Domingos Machado e a sua oficina de produção de instrumentos musicais portugueses.

Foi uma visita imersiva, conforme se diz agora, nesse mundo fascinante nos mais conhecidos instrumentos de corda portugueses. Os alunos da disciplina puderam observar os métodos de trabalho, os processos de fabrico, os materiais utilizados e as várias fases da construção de um instrumento.

A minha participação nesta visita resumiu-se, fundamentalmente, à curiosidade deste mundo de como as coisas se fazem. Não está nos meus horizontes vir a tocar um instrumento de corda, como muitos dos colegas que nos acompanharam. Mas tão somente a curiosidade de ver como se trabalha com profissionalismo e dedicação.

Se os métodos de trabalho numa área que desconhecemos poderão resumir-se a uma simples observação, já o mesmo não se pode dizer dos dois personagens que deram corpo às duas empresas referidas inicialmente. Foi-nos referido que têm uma relação de parentesco próxima.

terça-feira, 20 de maio de 2025

UM ELEFANTE NA SALA CHAMADO CHEGA

 

No rescaldo destas eleições temos todos de parar para pensar um pouco sobre as causas que determinaram os resultados que ninguém esperava. As sondagens apontavam a um expectável crescimento do PSD, e genericamente apresentavam valores que oscilavam ora para o lado da AD, ora para o lado do PS. Os “comentadeiros”  de maneira geral, assumia-se um decréscimo da esquerda, mas nunca com a extensão verificada. No que diz respeito ao CHEGA, os ditos “comentadeiros” desvalorizaram sempre a relação deste partido com o eleitorado. Era referido que o caso das malas, da pedofilia e a pouca qualidade dos seus parlamentares, dava como garantido que o seu crescimento estaria condenado, ou pelo menos não assustaria muito.

Penso que de uma maneira geral faz-se uma avaliação errada sobre quem suporta o CHEGA. Naturalmente que 1,3 milhões de votos expressos, não são dos saudosos de 24 de Abril, e muito menos de Salazar. Pela análise que faço deste fenómeno, estou convencido que estes serão uma minoria. Pelo contrário, os votantes do CHEGA são mais jovens, com melhores qualificações, sem uma esperança num futuro risonho, que se reconhecem nos slogans de Ventura, uma resposta às suas preocupações. O CHEGA também é um partido muito mais de casos, do que de ideologias. Conseguiu a sua maior implantação no país do interior, no Sul e Alentejo profundo (terreno comunista desde sempre), e um pouco por todo o lado. As grandes bandeiras do CHEGA foram sempre: a corrupção, os emigrantes, os ciganos. São temas de que todos falam e comentam, mas onde há um pudor enorme de o discutir nos média!

Também é bom não esquecer o passado recente e lembrar dois protagonistas que brincaram com o fenómeno Ventura, sem medir as verdadeiras consequências. Estou a referir-me a António Costa e a Augusto Santos Silva. Os dois tudo fizeram para comprometer o PSD com uma provável ligação com O CHEGA, e condicionaram Luís Montenegro ao seu “não é não”!

A copiosa derrota do PS nestas legislativas, tem em meu fraco entender dois responsáveis: um António Costa que deixou o partido em cacos, para depois correr para Bruxelas para assumir um cargo doirado; e o outro, Pedro Nuno Santos que foi, como se pode ver, uma aposta no cavalo errado. Aliás, a tradição mostra que o PS só ganhou quando se posicionou ao centro, A única excepção foi a formação da geringonça, que foi inventada, para salvar o futuro político de António Costa.

Com a mais provável conquista do segundo maior partido da oposição, resta saber como é que os partidos, particularmente o PSD e o PS, vão lidar com esta nova realidade. Por quanto tempo mais, vai ser possível continuar a menorizar este partido? Há quem antecipe que o CHEGA vai fatalmente ter de se moderar. Há quem anteveja que Ventura se irá converter numa Meloni à portuguesa; e outros que apontam que os resultados obtidos lhe darão a força para se transformar num Salvini. Uma coisa é certa, o CHEGA transformou-se num Elefante na Sala, que já ninguém pode ignorar.

Por outro lado, Luís Montenegro não conseguiu a tal maioria absoluta que tanto almejava. Por isso, o PS vai desempenhar um papel fundamental, se quiser moderar-se a viabilizar algumas propostas do governo, sob pena de caminhar irremediavelmente para se tornar irrelevante. Basta observar o que aconteceu com o BE e a CDU, que não sendo a mesma coisa, pode representar o sinal de aviso. Neste caso o futuro estará na forma de como estes partidos irão lidar com esta nova realidade.

domingo, 18 de maio de 2025

COMO EU VI AS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS 2025

 

Os portugueses foram chamados, uma vez mais, às urnas por puro capricho dos líderes dos dois principais partidos políticos. Todo o ruído criado à volta dos negócios de Luís Montenegro e das suspeitas de favorecimento partidário e tráfico de influências, parece não ter despertado nos eleitores o mesmo tipo de desconfiança. Pode-se dizer que estes assuntos deveriam merecer um protesto vigoroso, mas parece que não foi isso que preocupou os eleitores.

Mas estas eleições parecem mostrar algumas observações curiosas: uma baixa nos valores da abstenção, o que é sempre uma boa notícia; um aumento significativo da votação jovem (aparentemente nos partidos de direita); reconhecer que o caso SPINUNVIVA, foi desvalorizado pelos portugueses; o trambolhão dos partidos da extrema-esquerda; o aumento da votação na AD; a considerável queda do PS e a grande vitória do CHEGA.

O grande vitorioso é a AD e, muito em particular Luís Montenegro, que arriscou uma moção de confiança, apesar da forma desastrosa como geriu os problemas dos seus negócios. Mas há que reconhecer que a AD foi, de facto o grande vencedor. Ou seja, a AD subiu a sua votação, a ponto de sozinha ter mais votos e mais mandatos que toda a esquerda unida. Ou seja, não tem necessidade de estabelecer nenhum acordo com a IL, embora penso que a nível parlamentar deveriam ser estabelecidos entendimentos pontuais.

Outro grande vendedor na noite foi, sem margem para dúvidas, o CHEGA. As razões que justifiquem esta vitória podem ser equacionadas especulando no mote da campanha – o problema da emigração e os achaques de Ventura que foram vergonhosamente explorados. Pelos vistos, estes dois aspectos parecem não ter incomodado os seus apoiantes. Resta fazer uma reflexão sobre o resultado do CHEGA. Considerando que a AD e a IL subiram a sua votação, somos levados a concluir que os resultados do CHEGA, foram conseguidos nos eleitores de esquerda. O Sul e Interior são disso um caso exemplar.

O grande derrotado da noite foi o PS. Antes demais é preciso não esquecer que António Costa deixou o partido em frangalhos, mesmo gozando de uma confortável maioria absoluta. Pirou-se para Bruxelas. Trocou o partido por um cargo europeu, muito apetitoso e bem remunerado. A responsabilidade deste descalabro do PS deve-se à aposta num “cavalo errado” – Pedro Nuno Santos. Pedro Nuno Santos apesar de ter na mão a estrutura do partido, não foi capaz de perder a sua arrogância, a sua infantilidade e o modo desastroso como exerceu a sua liderança. Recorde-se que o PS escolheu para líder, alguém que se tinha demitido do governo, por indecente e má figura. É preciso reconhecer que encontrou o partido abalado pelo tombo nas anteriores legislativas. Apesar de ter feito um esforço de moderação na sua postura, facilmente se percebia que aquele não era o seu registo. Tudo parece indicar que o papão que usou durante toda a campanha – o perigo do país ser governado por um liberalismo feroz, não parece ter colhido junto dos eleitores.

Todos os partidos à esquerda do PS, tornaram-se irrelevantes, face à correlação de forças. E isto deve dar que pensar, o porquê desta modificação em pouco mais de dois anos. Excepção feita ao LIVRE, que apesar do seu crescimento, não deixa de corporizar uma certa “esquerda caviar”, e o mais moderado dos radicais de esquerda.

A alteração estrutural do bipartidarismo com o aparecimento do CHEGA, ao eleger 50 deputados em 2024, não mereceu dos partidos do dito “arco da governação” a devida atenção. Os resultados aí estão.

Pedro Nuno Santos está profundamente fragilizado, e a sua continuidade à frente do partido ficou seriamente abalada. Ao PS não lhe basta agora lamber as feridas. É bom não esquecer que vamos ter eleições autárquicas em Setembro. E uma derrota clamorosa nas autárquicas poderá ser devastadora. Os resultados de CDU, BE e PAN devem servir de aviso ao PS para repensar a sua estratégia, no que ao seu posicionamento ideológico diz respeito. É bom não esquecer que o PS ainda não escolheu o seu candidato às presidenciais de 2026. E os putativos candidatos poderão repensar a sua posição, face à esta derrota. Em suma, Pedro Nuno Santos tem poucas condições para continuar na liderança. Se o fizer, corre o risco de tornar o PS num partido marginal, e isso não era bom para a democracia. Com a demissão de Pedro Nuno Santos, José Luís Carneiro parece ser o mais desejado. Vai encontrar o partido feito em cacos e, a ser ele o escolhido, vai ter um trabalho hercúleo pela frente, e o tempo escasseia. A opção poderá ser outra. Vamos aguardar.

Luís Montenegro tem um horizonte de pelo menos um ano de uma governação confortável. Resta saber se o “não é não” é para manter, a outra alternativa é que tipo de entendimento estará disposto a fazer com a IL. O PS pelo seu lado, vai certamente reavaliar a sua posição quando tiver de viabilizar qualquer iniciativa parlamentar, sob pena de dar todo o protagonismo ao CHEGA. Felizmente que o CHEGA, apenas conseguiu ocupar o terceiro lugar. O segundo lugar do PS, obteve uma escassa margem sobre o CHEGA nos votos expressos. Mas o PS, deve ter aprendido a lição das consequências das votações ao lado deste partido. Neste contexto, penso que o PS, vai muito provavelmente, ter uma atitude muito mais moderada.

Uma palavra final para os eleitores. Ninguém sabe as motivações que cada um optou para dar sentido ao seu voto. Estabilidade e governabilidade, serão provavelmente as mais prováveis.

 

quinta-feira, 15 de maio de 2025

UMA CAMPANHA ELEITORAL SONSA

 

Estamos a chegar ao fim de mais uma campanha eleitoral que foi pouco esclarecedora, barulhenta, estremada e, pior de tudo, discutiram-se fundamentalmente os problemas relacionados: ou com os partidos, ou com os seus líderes. Os assuntos que incomodam e afectam os portugueses: a educação, a saúde, a segurança, apenas para referir os mais importantes – esses ficaram de fora. Houve de tudo, pura e simplesmente: entrevistas em programas de entretenimento, urgências hospitalares (reportagens em directo atrás de ambulâncias), refluxos gástricos, as tradicionais e irritantes arruadas, a distribuição de esferográficas em cada uma das feiras deste país e uma comunicação social que não foi capaz de trazer para a agenda os problemas que o país enfrenta.

Temas como a guerra na europa, as contribuições para a defesa, a sustentabilidade da Segurança Social e as tarifas impostas pela administração Trump, que são um assunto premente, parecem ser coisas de ficção considerando pela sua ausência no debate.

Tudo isto acontece num ecossistema político-partidário, que elegeu como bandeiras a maledicência sem atender ao facto de perceberam que eleitores estarem cansados de serem chamados à participação em escrutínio sucessivos, que muito provavelmente não irá alterar a relação de forças do espectro partidário.

Para ajudar à festa, tivemos uma imensidão de debates muito pouco esclarecedores, quando os portugueses, quando muito, gostariam de ouvir apenas os partidos e representantes que poderão ter a expectativa de formarem um governo. Sinal disto, são as oscilações de audiências nos diferentes debates. Quantas pessoas estarão interessadas em ouvir um debate com o PAN? Eu não estou certamente.

Como se isto ainda não fosse bastante enfadonho e irritante, apareceu hoje o Almirante Gouveia e Melo, a elucidar os portuguese do segredo mais mal guardado do universo – a sua candidatura as presidenciais, que se irão realizar em Janeiro de 2026! Justificou que esta antecipação se deveu ao facto de necessitar de tempo para enviar os convites para a anunciada apresentação. Isto só pode ser para rir!

As televisões aproveitavam as inúmeras sondagens, que semanalmente davam o mote para discutir à exaustão, as décimas de oscilações nas intenções de votos nos diversos partidos. Sem pôr em causa a seriedade das empresas de sondagens, o passado recente mostra que os resultados à boca das urnas, divergem do trabalho apresentado. Também neste aspecto, as coisas não são muito animadoras.

Não quero admitir que vivo numa qualquer república das bananas, mas a oportunidade destas eleições e o ruído da campanha não parece ter tido outro efeito do que cansar o eleitor. Vamos todos esperar que os valores da abstenção não seja a resposta que os portugueses vão dar a quem faz da política uma sonsice!

quinta-feira, 1 de maio de 2025

O DEBATE DECISIVO?

 

Foi assim que foi apresentado o debate desta noite entre Luís Monte Negros e Pedro Nuno Santos. Naturalmente que os candidatos preparam-se muito bem, e na realidade, não houve uma superioridade palpável de nenhum dos candidatos. Ou seja, foram seis os temas sobre os quais teriam que responder num período de tempo determinado. O resultado da argumentação foi previsivelmente aquilo que todos esperavam, quer de um quer de outro.

É preciso reconhecer que Luís Montenegro tinha a missão mais fácil. Era o incumbente. Tinha algumas bandeiras da sua governação, que reconhecidamente resolveram problemas que os oito anos que a governação socialista não foi capaz. Pedro Nuno Santos tinha a seu desfavor, a evidência dos valores das sondagens não lhe serem favoráveis, o facto de se ter demitido de um governo que detinha uma confortável maioria absoluta, e das trapalhadas que resultaram da sua actuação como ministro das infra-estruturas, e ainda o facto de ele ter sido o pai da “geringonça”.  Pode dizer que isto não estava relacionado com o objectivo deste debate. Claro que não. Mas a sua acção pautou-se sempre por um registo de grande impulsividade e por tomadas de posição que se podem considerar pouco ponderadas. Isto é alguma coisa que os eleitores nunca irão esquecer.

Pedro Nuno Santos, para ganhar este debate, tinha uma missão muito simples: mostrar que a governação de Luís Montenegro estava errada, e demonstrar que ela seria capaz de fazer muito melhor. Objectivamente temos de reconhecer que não foi capaz. Se o debate trouxe alguma novidade, parece-me bem que não. Se os eleitores, particularmente os indecisos ficaram suficientemente esclarecidos sobre qual o mais bem posicionado para garantir um governo estável, também me parece que não.

No dia 18 os eleitores vão fazer a sua escolha. Talvez as muitas sondagens que semanalmente vão apresentando resultados por vezes contraditórios, estejam redondamente enganadas. Também suspeito que os portugueses que se dignarem ir votar, já há muito tomaram a sua decisão. Também suspeito que os valores da abstenção irão subir. Uma coisa é certa, quando todos apresentavam o debate de hoje como algo absolutamente decisivo. Penso que não.