"É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados". Miguel Torga "Antes morrer livre do que em paz sujeitos" Os desabafos de um Korisko Insatisfeito O autor escreve, por convicção, ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico.
terça-feira, 28 de novembro de 2023
Portugal um país de pobres!
terça-feira, 14 de novembro de 2023
ANTÓNIO COSTA - UM AMIGO QUE NINGUÉM QUER
António Costa o animal político a
quem toda a gente reconhece não ser de todo uma pessoa que alguém, no seu
prefeito juízo, pretenda ter como amigo. A sua já longa carreira política foi sempre
pautada por um desmesurado vontade de se impor, e por um profundo egoísmo
relativamente a tudo e todos. Aqueles que lhe são próximos, apenas são
importantes, enquanto servirem para lhe alimentarem a sua vontade e, logo que
esta esteja satisfeita, ou aqueles deixarem de lhe interessar, deixa-os cair
com uma sepulcral indiferença. Muitos são os casos que se podem enumerar:
António José Seguro – Fez-lhe a
vida negra numa disputa interna, perfeitamente legítima, desvalorizando as
conquistas de AJS, por serem “poucochinho”. Logo que tomou as rédeas do partido
registou uma derrota significativa (nada “poucochinho”), e assumiu os destinos
do partido como se essa derrota fosse do seu antecessor.
José Sócrates – Foi a segunda
figura do XVII Governo Constitucional como ministro da Ministro de Estado e da
Administração Interna. Quando Sócrates caiu em desgraça, nunca reconheceu os
erros daquele Governo, e inventou os dois mantras, que até hoje usa ad nauseum:
“Sócrates vai lutar pela sua verdade", e “à política o que é da
política, e à justiça o que é da justiça”. Nunca foi capaz de ter
uma palavra nem em defesa, nem para condenar os desmandos de Sócrates, porque
isso naturalmente também o implicava. Tal como Júlio César disse: “Não há
frio tão intenso e congelante quanto o da indiferença.”
Diogo Lacerda Machado – Seu amigo
e conhecido desde os bancos da faculdade de Direito. Convidou-o para seu
padrinho de casamento. Chegou mesmo a declarar publicamente Diogo Lacerda
Machado como o seu melhor amigo. A partir daí, recomendou-o para
secretário de Estado de Guterres. Já como primeiro-ministro encarregou-o, como
seu homem de confiança, de negociar os dossiers do caso dos lesados do BES, do
Caso de Isabel dos Santos e da reprivatização da TAP. Algumas destas
intervenções com uma incompreensível informalidade. Agora foi indiciado por
tentar influenciar em favor dos negócios do Lítio e do Hidrogénio. Este
processo onde António Costa também se encontra envolvido em mais de 20 escutas
telefónicas, que constam nos autos e que desencadeou o pedido de demissão do
primeiro-ministro. Quando as coisas deram para o torto, António Costa
com uma decisão Salomónica, deixa cair o padrinho em directo pelas televisões,
lamentando-se: "Apesar de eu ter dito, num momento de infelicidade, que
ele era o meu melhor amigo, aquilo que é a realidade é que um primeiro-ministro
não tem amigos.”
Vitor Escária – Foi alguém que
esteve sempre muito próximo dos governos socialistas e foi pela mão de José
Sócrates que começou a percorrer os corredores do poder e com António Costa
chegou a chefe de gabinete. Foi designado para negociar a intervenção da
Troika. Esteve envolvido no caso GalpGate. Com um passado que envolveram negócios
obscuros, apesar de muito lucrativos com Nicolás Maduro. Alguns trabalhos em
Angola são aduzidos como justificação para o aparecimento de 75800 €, disfarçados
em envelopes entre livros e numa caixa de vinho no gabinete do António Costa.
É certo que a António Costa não
lhe restava outra coisa do que a decisão que tomou, face à gravidade dos
relatos vindos a lume. Mas estes colaboradores directos e, particularmente
próximos de António Costa foram uma escolha sua e impressiona a frieza com que
os deixou cair.
Curiosamente, ou talvez não, o
ministro mais polémico do seu Governo - João Galamba, caído em desgraça e agora
também demissionário, há já muito tempo consagrou-lhe uma fidelidade que
contrasta com a forma como tratou os camaradas atrás referidos. É, no mínimo,
curioso!
À semelhança de Pilatos, António
Costa também lavou as mãos quando teve de tomar uma decisão importante.
terça-feira, 7 de novembro de 2023
QUANDO MORREM TODOS ABRAÇADOS
Já por diversas vezes aqui
abordei a acção política de António Costa, e sempre afirmei as minhas profundas
suspeitas da seriedade do nosso ex-primeiro ministro. O meu primeiro escrito
neste Blog em que referi António Costa (18/02/2019), intitulava-se – “António
Costa um político intelectualmente desonesto”. O decorrer do tempo, e dentro
daquilo que eu entendo ser o comportamento de um político, só vem reforçar as
minhas convicções daquilo que na altura escrevi. Recordo-me de, por diversas
vezes, ter recebido acusações de não respeitar o princípio da presunção de
inocência de quem se vê envolvido em processos judiciais não transitados em
julgado. O meu entendimento nessa altura e agora, era de que nada nos impede de
fazer um julgamento moral de alguém que, por razões mais diferentes atravessam
a nossa vida. Da mesma forma que, enquanto educadores recomendamos a um filho
de evitar uma má companhia, isso não implica outra coisa que um julgamento
moral, sobre os valores que defendemos e que essa ”má companhia” representa com
influência negativa.
António Costa revelou-se sempre
um político manhoso, truculento, determinado (eu diria casmurro), com uma
agenda muito própria, e que se soube rodear sempre de um grupo restrito e
obediente de uns amigalhaços, sempre dispostos a dar o peito às balas quando as
coisas não correm bem. Há quem veja nisto um gesto nobreza de António Costa na
defesa intransigente de muitos dos seus amigos, mesmo quando as evidências
apontavam erros grosseiros que não podem ser desculpados. Foram os casos de Constança
Urbano de Sousa, Eduardo Cabrita, Gomes Cravinho, Marta Temido e o
incontornável João Galamba. Este gesto pode ser visto como nobre e solidários,
mas quando as coisas dão para o torto, é como aquele que se atira ao mar para
salvar o amigo e acaba por se afogar com ele. Os acontecimentos de hoje são o
corolário disto mesmo – vão morrer todos abraçados. As suspeitas sobre os
negócios do lítio e do hidrogénio verde, já se arrastam há muito. Os principais
protagonistas, ou envolvidos nestes negócios, são os mesmo que hoje foram constituídos
arguidos. Desta vez o nome de António Costa foi referido por ter "o
conhecimento da invocação por suspeitos do nome e da autoridade do
primeiro-ministro e da sua intervenção para desbloquear procedimentos no
contexto da extracção de lítio em Montalegre”.
O que me preocupa é que todos os
casos e casinhos reconhecido por António Costa, e que acabaram por resultar no
terramoto que hoje veio a púbico, é o facto de constituírem um padrão e com os
suspeitos do costume. Pior ainda, é que no horizonte as alternativas não
abundam, ou que as suas qualidades não auguram tempos melhores para este pobre
país que merecia mais e melhor.


