domingo, 20 de novembro de 2022

CASA DE PORTUGAL E DE CAMÕES - UMA SOLUÇÃO À VISTA?

 

Recebemos durante a Sessão Solene de Abertura do ano lectivo da UTIS – Universidade da Terceira Idade de Santarém, e pela boca do sr. Presidente da Câmara, do provável destino a dar às actuais instalações do antigo Presídio Militar. Esta decisão assenta no aproveitamento das verbas do PRR, para transformar as actuais instalações numa residência para estudantes, e que a sua posse administrativa e gestão, passará para as mãos do Instituto Politécnico de Santarém.

Esta notícia era ventilada há já algum tempo, mas agora parece não haver dúvidas de que irá, finalmente, haver uma intervenção naquele edifício. Como cidadão não posso ficar mais satisfeito, tendo em conta que aquele espaço de referência se encontrava num avançado estado de degradação, sem que nada, nem ninguém lhe deitasse mão. Não consigo olhar para aquela estrutura e não ver o seu valor histórico, e sem esquecer a singularidade representativa da arquitectura do ferro, ali tão bem documentada. Só espero que as entidades que irão fazer a recuperação daquele espaço, não esqueçam estas duas realidades. Se isso, acontecer, cada um que goste da cidade e conheça aquele espaço, ficará agradado por finalmente surgir uma tão esperada intervenção.

Por outro lado, sou aluno e professor na UTIS – Universidade da Terceira Idade de Santarém e estou muito preocupado, com o destino a dar àquela instituição.

Esta Universidade criada em 2004 tem, por força do seu crescimento e implantação na cidade, andado com a “casa às costas”. Se não vejamos: no começo, funcionava em 3 salas na Lar dos Rapazes do Rapazes. Depois, e porque a Santa Casa da Misericórdia de Santarém necessitava do espaço, foi ocupar uma residência junto à Igreja do Milagre, para mais tarde ir ocupar o actual espaço na Casa de Portugal e de Camões. Naquele espaço, existem 7 salas de aulas, 1 secretaria, 2 salas polivalentes, 1 sala de convívio e 1 área exterior ajardinada com uma Horta Biológica. Para além disto, algumas disciplinas, pelas suas características específicas, ocorrem em espaços exteriores, como seja: a Ginástica, a Natação e a Informática.

Uma vez mais, vamos ter de andar com a “casa às costas”. Embora reconheça que aquele edifício necessita uma urgente remodelação, e que o destino que lhe vai ser dado é uma resposta social ao drama do alojamento dos estudantes. Percebo que neste caso, vamos ser o elo mais fraco, mas também espero que os encómios, à utilidade da UTIS, não sejam apenas figuras de retórica dos discursos protocolares. Espero que quem tomar a decisão sobre esta matéria, considerem que será negativo e prejudicial ao funcionamento e crescimento desta nossa Universidade, se a solução encontrada não der uma resposta condigna às necessidades dos seus utentes.

Pelo que conheço na cidade, vejo com muita dificuldade um espaço alternativo (temos de alojar cerca de 3 centenas de alunos e 52 disciplinas), para o funcionamento da UTIS – Universidade da Terceira Idade de Santarém, com a mesma dignidade que aquele espaço garantia? Vamos aguardar para ver.


segunda-feira, 14 de novembro de 2022

JERÓNIMO DE SOUSA – UM GAJO PORREIRO

 


Não deve haver ninguém em Portugal que não possa ter este tipo de reacção quando se fala de Jerónimo de Sousa, pese embora diferenças ideológicas que os separam. É um político que conseguia estabelecer uma empatia natural com a generalidade das pessoas. Mesmo quando debitava a cassete oficial dos comunistas, sabia ser cordato, revelava polidez, lisura, simpatia, sem nunca perder a sua postura de comunista empedernido. Dito por outras palavras, independentemente das diferenças que o separavam da globalidade dos portugueses, penso que ele se encaixa perfeitamente naquele princípio muito nacional de o considerar – um gajo porreiro.

Isto faz-me lembrar um episódio passado nno início da minha vida profissional. Um dia, na empresa onde trabalhava, foi criado um departamento de compras. O episódio foi apresentado a alguns responsáveis pelo administrador, salientando que tinha pensado num determinado colega para a chefia deste novo departamento, e queria saber a opinião dos presentes sobre o perfil do indigitado para o cargo. Genericamente todos concordavam com a escolha, e quase todos a justificavam-na, por a dito colega ser um gajo porreiro. O administrador, respondeu, mais ou menos isto: pobre daquele que o melhor que os amigos têm para descrevê-lo, que é um gajo porreiro.

Por razões de saúde decidiu deixar a liderança do PCP, e à boa maneira comunista, tudo foi tratado no mais rígido sigilo e, com um resultado inesperado, com a indigitação de um desconhecido funcionário do partido. Que, ao contrário do Jerónimo de Sousa, que foi efectivamente operário, este a única actividade profissional que teve, foi ser funcionário partidário, para além de alguma breve experiência como padeiro e apanhador de marisco!

Apesar da simpatia e a aceitação generalizada que Jerónimo de Sousa congrega, há quem nunca lhe desculpe a posição que teve face à invasão da Ucrânia, nem o descalabro dos resultados eleitorais, durante a sua vigência como secretário-geral do PCP. Foi pela mão dele que a Geringonça viu a luz do dia (o PS só não forma governo se não quiser), talvez o maior erro de Jerónimo de Sousa. Pela minha parte continuo a achar que Jerónimo de Sousa personifica o proletário e romântico comunista, coerente e respeitador dos ditames do Partido. Incapaz de mudar de opinião, por mais evidentes que sejam as causa sem análise.

Com toda a simpatia, considero que Jerónimo de Sousa é o típico gajo porreiro, que fiel aos seus princípios e orientações, está nos antípodas do que defendo para mim, e mesmo assim não deixa de merecer a minha simpatia. Até sempre camarada. Votos de uma vida longa e feliz.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

KHERSON LIBERTADA – SLAVA UKRAINE

 

Nasci logo após o fim da II Guerra Mundial. Lembro-me de ouvir contar as dificuldades vividas por aqueles passaram por aquele período, mesmo que ela se tenha desenrolado sem a participação dos portugueses. Durante uma larga parte da minha juventude vi muitos filmes que retratavam os horrores dessa guerra. O desembarque dos aliados nas praias da Normandia, os grandes combates aéreos sob os céus das capitais europeias, os Mecherschmitts alemães e os Spitfires ingleses, eram também um elemento recorrente nesses filmes. Vimos registos dos horrores dos campos de concentração e da forma inimaginável como tudo aquilo pôde ter acontecido.

Foi a necessidade de uma paz duradoura para a Europa, que determinou o aparecimento daquilo que se convencionou chamar de Guerra Fria, e que revelou o “equilíbrio “possível, com vista a evitar um novo conflito. Com muitas oscilações, foi possível assegurar na Europa, e por via disto, uma paz durante várias décadas. Estávamos todos convencidos que uma nova guerra seria qualquer coisa que não estaríamos dispostos a encarar. A queda do Muro de Berlim, veio precipitar muito deste dito equilíbrio, por mais uma humilhação da grande mãe russa e dos países satélites que viviam na sua sombra.

Mesmo assim, a Europa nunca considerou, apesar de alguns avisos, a ambição imperial que Putin ia revelando. Depois de outra humilhação da União Soviética no Afeganistão, as intenções de Vladimir Putin em devolver à Rússia a glória e importância do tempo dos Cazres, pode traduzir-se na invasão e anexação da Crimeia em 2014. Tudo isto com uma complacente indiferença do Ocidente. Putin engendrou um ardiloso plano que tinha por base dois aspectos fundamentais: a grande dependência do Ocidente do petróleo e gás russos, por um lado. E por outro, a intenção da Ucrânia em aderir à Nato e à EU, foram o rastilho e a justificação para o poderoso exército russo arriscar a invasão triunfal na Ucrânia.

Quando a 24 de Fevereiro se dá a invasão (Operação Militar Especial), todo o mundo ocidental se uniu nas sanções e apoio militar àquele país mártir, porque uma intervenção militar só teria possibilidade com o envolvimento da NATO. Embora tal se revelasse impossível, à luz do direito internacional, por não ser possível invocar a violação do artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte

Esta guerra tem registado por parte das forças ocupantes métodos dignos da idade média, com ataques com mísseis disparados a distâncias consideráveis, e que visam objectivos que de militar nada têm. No entanto, o considerável apoio militar dos países ocidentais tem permitido à Ucrânia suportar esta guerra, com sucessos consideráveis, apesar da enorme desproporção de meios humanos e materiais. Ou seja, os ucranianos têm suportado os horrores de uma guerra, por solidariedade do mundo ocidental, mas sem o seu envolvimento.

Ontem assistimos a um “teatrinho” deprimente, quando dois responsáveis máximos do exército russo justificam a retirada apressada (30.000 soldados em 24 horas) dos seus militares de Kherson, como forma de os proteger de um inimigo nazi!

Todos esperavam que a população daquele oblast russófono, recebesse as tropas ucranianas à pedrada. Tal não aconteceu. Vimos, em Dia de São Martinho, uma população aliviada e esfusiante celebrar os heróis ucranianos com gritos de SLAVA UKRAINE. Só espero que esta vitória seja o caminho para a vitória total e breve. As derrotas russas são em número crescente, e o corolário de desastrosas decisões tácticas, uma tropa impreparada e desmotivada.

Por mera curiosidade, gostava de saber a opinião do novo secretário-geral do PCP, sobre estes desenvolvimentos.