quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A propósito da greve dos enfermeiros


Nunca fui muito apologista de greves, sejam elas quais forem. As greves dos enfermeiros, não são por isso, uma excepção.
Esta minha posição, não é de não reconhecer a sua legitimidade, ser um direito inalienável de qualquer trabalhador e constitucionalmente garantido. Mas, sobretudo, por na generalidade dos casos, não resolver os problemas em disputa, para além dos prejuízos óbvios, que isso acarreta aos grevistas. Como segundo aspecto, porventura, ainda mais importante é que, os principais prejudicados, serem sempre os mais pobres, mais fracos, desprotegidos, e sem qualquer capacidade reivindicativa.
Por isso, a greve dos enfermeiros para mim, não representa uma excepção. O que nos causa alguma surpresa é o facto de as forças políticas mais progressistas e defensoras deste direito, no caso dos enfermeiros, serem total e ferozmente contra ela. Curioso este comportamento se comparado, com a defesa intransigente, noutros cenários de greve, nomeadamente nas incontáveis greves dos transportes (Carris, CP, Metro, Transtejo) e professores! Todos nós nos lembramos de outras greves, também elas “selvagens”, e o tradicional alinhamento destas forças na defesa da sua legitimidade!
Com um SNS a rebentar pelas costuras, os enfermeiros representam uma força indispensável e, na minha modesta opinião, e são o verdadeiro sustentáculo, da prestação dos cuidados de saúde à população! Se pensarmos que quem está doente, se sente duplamente fragilizado, quer pala doença, propriamente dita, quer ainda por todas as consequências a esta associadas. É por isso legítimo, que quem, por necessidade, tenha que recorrer aos serviços de saúde, facilmente pode considerar esta greve de selvagem. Mas isso não inviabiliza o enorme respeito que nutro por esta classe profissional.
O descontentamento dos enfermeiros eu consigo entender. A sua dedicação e competência penso que é inquestionável. Há enfermeiros, com 15 anos de carreira e dois mestrados, que ganham tanto como um jovem profissional que, agora inicia a sua carreira. A actividade de enfermeiro é muito desgastante; com horários de trabalho por turnos, com responsabilidades acrescidas, por lidarem com a vida dos utentes, a exposição a factores de risco considerável, serem os licenciados no SNS mais mal pagos, etc. A lista de é enorme e podia continuar.
Mas voltemos aos seus mais acérrimos detractores – a maioria de esquerda que nos governa. O discurso recorrente é: que é uma greve selvagem e ilegal. Porquê esta atitude, quando tradicionalmente, estão sempre ao lado dos grevistas e apoiando incondicionalmente as suas reivindicações? Considerar esta greve de selvagem, ainda posso aceitar, mas de ilegal, bastava accionar os mecanismos legais em vigor e inviabiliza-la. Já para não falar na requisição civil, um mecanismo que o governo pode invocar, para parar tal “selvajaria”. Aparentemente, a requisição civil, que finalmente o governo deitou mão, foi tarde e não sei se totalmente legal, também. Vamos aguardar para ver.
Qual a razão para tal mudança de atitude? A minha perplexidade é enorme! Ou talvez não!
Provavelmente para isso contribuiu muito o facto de dois dos sindicatos proponentes da greve, não se encontrarem sob a tutela das centrais sindicais, afectas a estas forças de esquerda. Provavelmente, é esse alinhamento das centrais sindicais com as forças políticas referidas, que serviu como moeda de troca para a formação da actual geringonça e o cimento que a mantém a funcionar.
O outro argumento centra-se à volta do crowdfounding! Que é ilegal (?) e que, o êxito do financiamento, se devia aos privados que, de forma macabra, viam neste financiamento uma forma de acabar com o SNS, em proveito próprio. A realidade veio provar que isso não se verificou, pelo menos, de forma concertada. Embora em planos diferentes, a hipocrisia de António Costa é abissal! Ele quando concorreu à Câmara Municipal de Lisboa, também recorreu ao crowdfunding, para financiar a sua candidatura!
Finalmente uma palavra sobre a senhora bastonária da Ordem dos Enfermeiros. Lamentavelmente a senhora, tem uma sede de protagonismo. Fala por tudo e por nada.
As ordens profissionais servem para definir e regulamentar o exercício da profissão. Ao defender o direito e a legitimidade da greve dos enfermeiros, extravasou as suas competências. Essa é uma competência dos sindicatos. A sua actuação, prejudicou as naturais aspirações da classe.
A minha simpatia e confiança nos enfermeiros, não me deixa insensível aos inúmeros prejuízos que estas greves têm causado. O diálogo deveria ser a alternativa natural. Parece que este governo não estará muito disponível para tal, sem que a argumentação utilizada me convença. Se os sindicatos em luta fosse afecto a uma das centrais, o problema já tinha tido uma solução de consenso. Penso eu!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

António Costa um político intelectualmente desonesto


António Costa é um homem que fez da política uma forma de vida. Diz com alguma insistência que começou na política aos 14/15 anos. Ou seja, é para os devidos efeitos, um “jotinha”, tão bom ou tão mau como António José Seguro ou Pedro Passos Coelho.
Fez toda a sua carreira política, assente numa hábil capacidade de negociação. Alguém que estará sempre disposto a ceder ou a exigir, conforme o seu interlocutor está em posição de força, ou de fraqueza.
Apeou da liderança do PS um camarada, com o argumento da sua fraca intervenção face ao governo de Passos Coelho, acusando-o de resultados “poucochinho” (2 vitórias eleitorais). Ao assumir a liderança do partido e, nas primeiras eleições disputadas, obtém uma clamorosa derrota. Isto significaria para um político com ética republicana, colocar o seu lugar á disposição do partido, por não ter conseguido mais do que o seu antecessor. Em vez disso e. face a um previsível afastamento da vida política activa, pela calada da noite, engendra um plano de concertação com as forças à sua esquerda, de modo a garantir a sua sobrevivência política.
Esta consegue-a, negociando um acordo (?), estabelecido com forças que sempre se apresentaram como adversários tradicionais, por defenderem princípios contrários aos princípios socialistas: a orientação europeísta, o princípio das leis de mercado, o respeito pela propriedade, etc. Este acordo é estabelecido um a um dos parceiros, á porta fechada e dando a mão às exigências destas forças. E até mesmo, um pequeno e ridículo partido como o PAN, consegue ter António Costa refém, da sua ambição.
Sem questionar a sua legitimidade em todos os lugares que ocupou e ocupa. Alguns destes lugares foram conseguidos por manobras eticamente pouco abonatórias de alguém que conquistou o mais alto cargo do executivo nacional.
Foi o número dois do governo de José Sócrates. Publicamente afirmou ter sido uma honra trabalhar com ele. Mas, quando a coisa apertou, virou-lhe as costas. Parece que nunca deu por nenhum dos desmandos de Sócrates, nem de algumas das suas amizades! Das tentativas de silenciar uma jornalista; às suspeitas de corrupção no caso Freeport: da vida de luxo e ostentação, passou-lhe completamente ao lado; Além do mais, figuram hoje no seu executivo muitas das caras do consulado socrático.
Na resposta ao camarada Manuel Alegre, diz "Choca-me que o serviço público de televisão transmita touradas. Mas não me ocorre proibir a sua transmissão.", mas deixa isto ao critério das autarquias, ou seja, lava as mãos como Pilatos. Para alguém que anos antes, enquanto presidente da câmara de Lisboa, assistia, aplaudia e condecorava um forcado é, no mínimo, anedótico! Tal comportamento só pode classificar-se como falta de vergonha, ou a necessidade de engolir sapos do tamanho de elefantes, vá-se lá saber porquê?
É um político que “nunca sabe nada”! Não sabe bem quem é o José Sócrates e foi o seu nº 2, num governo que levou o país à bancarrota! Não sabia de nada no caso dos incêndios! Não sabia de nada no caso de Tancos! Não sabia de nada no caso das Legionela! Não sabia de nada da insegurança da estrada de Borba/Vila Viçosa (de responsabilidade municipal) e das pedreiras adjacentes (estas de responsabilidade governamental)?! Nunca sabe de nada naquilo que tinha a obrigação de saber. Será que não tinha obrigação de saber? E o que é pior, é que isso não parece preocupá-lo!
No plano social e, apesar do sucesso da nossa economia, sucedem-se as greves nos mais variados sectores de actividade (518 entre Janeiro e Outubro de 2018): dos médicos e enfermeiros, aos professores e pessoal auxiliar, nos transportes e na função publica, os estivadores, as forças de segurança (polícias, SEF, guardas prisionais e bombeiros) e até magistrados, pasme-se! O desemprego diminui, é certo, à custa de uma empregabilidade assente em cima de salários de miséria e muita precariedade. Mas na boca de António Costa nunca estivemos tão bem.
O grande sucesso da nossa economia(?), assente, essencialmente, nas receitas do turismo e no aumento das exportações. Esta situação deve-se a factores externos e meramente conjunturais. Ou seja, isto não traduz uma acção directa e objectiva deste governo. E  não tem correspondência em termos práticos, veja-se por exemplo, o caos em que está o SNS, com Hospitais falidos, blocos operatórios fechados ou inoperantes, greves de médicos e enfermeiros, aumento das listas de espera, demissões em chefias hospitalares, aumento da dívida a fornecedores, a ala pediátrica do São João do Porto (uma vergonha nacional), o injustificável preço dos combustíveis; em que o preço do barril desce na origem e, sobe o preço nas gasolineiras, etc.
Gaba-se do seu governo ter acabado com a austeridade, mas defende-a por exemplo, para os italianos e gregos! Mas será que a austeridade acabou mesmo?
A sua desresponsabilização da inoperância do SIRESP nos fatídicos fogos de Pedrógão Grande, quando foi ele o político que negociou este equipamento. A inoperância e falta de experiência de um Serviço de Protecção Civil, que incluía uns boys do PS, só porque tinham que ser licenciados, mas sem qualquer experiência operacional! Pesa-lhe na consciência uma centena de mortes, apesar da tranquilidade do seu discurso.
Costa comprou casa a idosos abaixo do valor de mercado e vendeu-a pelo dobro passado pouco tempo, estranho para quem defende muito mais transparência no imobiliário.
A forma pouco séria como desvalorizou sempre o caso de Tancos e defendeu sempre os seus ministros Constança Urbano de Sousa e José Azeredo Lopes ), que, obviamente, sabia do que se passava desde sempre.
A forma capciosa como afirma a redução da carga fiscal, quando na realidade ela esconde-se atrás de cativações que nunca são frontalmente assumidas. Transferir uma divida soberana que sobe continuamente para as gerações vindouras, com uma preocupação doentia de um deficit zero, conseguido à custa de artimanhas contabilísticas.
Na presença do chefe de estado angolano, promete toda a ajuda no combate à corrupção que grassa naquele país (isto não será ingerência nos assuntos internos de um estado soberano?). E já agora se olhasse para o lado, talvez reparasse nos inúmeros casos, que atravessam transversalmente a sociedade portuguesa, e muito pouca tem sido a sua disponibilidade.
Veja-se a sua posição relativamente ao crowdfunding de iniciativa dos enfermeiros portugueses, quando ele próprio o utilizou na sua campanha para o município lisboeta.
Para quem está sempre a defender a ética republicana e a transparência no partido e, a propósito, da última remodelação do governo o Blog “O Insurgente” O Insurgente publica um interessante diagrama das relações familiares de toda a máquina socialista, que é um autêntico bacanal. Quase só faltam os empregados e os animais de companhia.
Todas estas elucubrações resultam da análise de alguém que se considera minimamente informado, que pensa pela sua cabeça e que acha que o sistema político português está inquinado pela manipulação de diversos lobbies e que, atravessam transversalmente todo o espectro político. Não é, em minha modesta opinião, um problema de esquerda ou de direita, mas tão somente, um conjunto de interesses que é necessário manter para garantir a sobrevivência política (veja-se a argumentação de António Costa contra António José Segura) e assegurar um futuro confortável. Além de que o sistema eleitoral é um logro absoluto. Assenta numa lista de escolha partidária e que pode, posteriormente, ser manipulada da forma que melhor servir ao partido. Privilegia os pequenos partidos e afasta os eleitos, por vezes com pouca ou nenhuma ligação à terra, dos seus eleitores.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A PROPÓSITO DA CASA DO BENFICA NO JARDIM DA LIBERDADE


Vejo muitos escalabitanos incomodados com a possibilidade de ser instalada numas instalações do Jardim da Liberdade, uma Casa do Benfica, tendo por base apenas o seu fervor clubístico. Estas mesmas instalações estiverem em tempos ocupados e como uma actividade precária, apesar do espaço ser agradável para um fim de tarde de Primavera, ou mesmo de um dia de Inverno.
Já quanto ao Jardim da Liberdade, uma ideia faraónica de uma edilidade, que no tempo só pretendeu, deixar obra à superfície. Veja-se: o jardim Liberdade, da República e Portas do Sol, a troco de um estacionamento à superfície, que embora necessário, ultrapassou os limites do razoável, a aquisição do Presídio (em adiantado estado de degradação) e a Escola Prática de Cavalaria, e alguns pórticos nas entradas da cidade. Para já não falarmos da monumental dívida deixada.
Tirando o estacionamento no Choupal e no Campo Emílio Infante da Câmara, qualquer visitante, não tem outra alternativa que não seja, submeter-se ao parquímetro, não vá o diligente agente da autoridade, fazer a respectiva cobrança para uma empresa de Braga. No entanto as ruas do Centro histórico, estão apinhadas de automóveis sobre os passeios, sem que, aparentemente, alguém se preocupe com o facto, PSP incluída.
Mas voltemos à tal Casa do Benfica, ainda pouco sabemos sobre o que se irá oferecer à cidade. Provavelmente muito pouco. Pelo tal fervor clubístico, que se vê reflectido nas redes sociais, muito provavelmente o espaço será mais utilizado, pelos adeptos benfiquistas do que pela generalidade da população. E daí, qual o problema. Se esta iniciativa servir para animar uma cidade, moribunda e degradada, onde não acontece quase nada, só nos podemos alegrar. Deixar aquele espaço abandonado há já um par de anos, certamente não será a alternativa mais adequada.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Requalificação do Mercado Municipal de Snatarém


Projecto
O Correio do Ribatejo anunciou que tinha sido adjudicada a
Obra do Mercado Municipal de Santarém,por dois milhões de euros. 
Trata-se de uma estrutura emblemática da nossa cidade e da autoria de um arquitecto português de renome internacional, Cassiano Branco. Com a toda a fachada revestida de azulejaria tradicional portuguesa, de excelente qualidade e que retrata cenas da vida rural ribatejana.
É de saudar esta iniciativa, não só pela necessidade de requalificar, aquele local, mas também conferir-lhe alguma centralidade, com a modernização do espaço e a instalação de outros negócios. 
Pelos vistos, não foi contemplado nesta requalificação, o eterno e sempre presente problema do estacionamento à superfície na zona do planalto, que em má hora se estendeu a toda a cidade, com nítido prejuízo da vida dos que aqui vivem e trabalham. Não dotar aquele espaço de um estacionamento dedicado, pode significar inviabilizar o projecto à nascença, mesmo admitindo, que a escassos metros exista o parque de estacionamento concessionado.
Vamos esperar que o projecto tenha o maior sucesso e que, sobretudo, venha trazer a uma cidade triste e moribunda, alguma vida e animação. Este reparo não é um desabafo de um Velho do Restelo, mas apenas o receio, que este aspecto importante nos dias de hoje não tenha sido levado em consideração.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Há já algum tempo que tenho andado arredado destas lides dos Blogs.
Depois de criar um novo Blog, prometo, com alguma regularidade, aqui deixar os desabafos da minhas insatisfações.
Se me quiserem acompanhar, esse poderá ser o motivo para transformar aquelas insatisfações em motivos de um são convívio e trocas de opinião.
Até lá, façam favor de ser felizes.