quarta-feira, 5 de julho de 2023

O AEROPORTO EM SANTARÉM AINDA FAZ SENTIDO?

RÉM AINDA FAZ SENTIDO?O estudo da localização do novo aeroporto de Lisboa foi entregue a uma Comissão Técnica Independente (CTI), constituída por seis elementos. Para que conste dois deles já a abandonaram (Daniel Murta saiu porque "não tinha perfil para a função" e Mafalda Carmona por “falta de tempo”, revela o Observador. Já ao Expresso, Mafalda Carmona revelou "Saio por divergências  profissionais face ao âmbito do meu trabalho"), entretanto já substituídos. Vamos considerar que as demissões representam apenas a vontade dos próprios e não envolvem qualquer tipo de pressão, com vista a condicionar uma decisão final. Apesar de ser uma Comissão Técnica, nomeada pelo Governo para um estudo técnico, foi mais longe e criou uma plataforma - AeroParticipa, para o cidadão comum dar o seu palpite (“Vamos acolher todas as propostas que recebermos. Vamos ter um mapa, interactivo, onde as pessoas vão pôr lá o aviãozinho”). 

Compreende-se que uma decisão sobre esta matéria não pode ser tomada de ânimo leve, e muito menos, ofuscada por qualquer bacoca opinião bairrista. Deve ser uma solução que resolva um problema que se arrasta há mais de 50 naos, mas do qual resulte uma solução tecnicamente irrepreensível e tendo em conta o desenvolvimento harmonioso de todo o país. E não uma solução macrocéfala que pretenda resolver apenas a solução aeroportuária de uma capital já de si muito congestionada.

A decisão da CTI deve avaliar a solução final tendo por base uma série de critérios. Atrevo-me a elencar alguns que, do meu ponto de vista, não andarão muito longe das preocupações da CTI: O Custo, a Distância à capital, a Segurança Operacional e Aeroportuária, a Sustentabilidade Ambiental, o Desenvolvimento regional, a aptidão para aumentar a sua capacidade, a população a servir, a articulação com outros sistemas de transportes, factores climáticos e ambientais condicionantes, as Acessibilidades ferroviárias e rodoviárias, a Flexibilidade, os Impactes negativos (a fauna, flora e o ruído), a rapidez na sua conclusão da solução final, etc.

Em todos os critérios apontados, na opção Santarém, apenas a distância à capital aparece como um critério negativo,  se comparado com os demais projectos. Em todos os outros, a solução Santarém: ou está equiparada com as outras, ou apresenta-se como muito mais vantajosas. Aliás, as declarações de João Galamba, são inaceitáveis, sobretudo se considerar que é o ministro que vai tutelar a solução que a CTI irá produzir. Se isto não é uma forma de condicionar os elementos da dita comissão, é, pelo menos, uma inaceitável ingerência de quem deveria, por obrigação de ofício, manter-se calado. Também é notória, ou indisfarçável simpatia de João Galamba e do governo pela opção Alcochete, apesar de algumas evidentes susceptibilidades (Risco de Submersão Nevoeiros e ventos cruzados, Acessibilidades, Área Reduzida de expansão e Densidade Populacional)[1]

Não dominamos muitos dos aspectos técnicos que envolvem uma tal decisão. Mas estamos seguros de que numa análise descomprometidas, a opção por Santarém, faz todo o sentido, por ser uma boa solução alternativa, com uma série de propostas vantajosas em vários dos critérios observados. Sim. Do meu ponto de vista faz sentido, sobretudo pelas seguintes razões: por que vai servir toda uma população até agora esquecida, ou, pelo menos, ignorada; proporcionar uma solução de caracter definitivo, flexível e escalável quanto ao crescimento da oferta; acessibilidades garantidas entre as principais ofertas rodoviárias e ferroviárias; condições operacionais mesmo em situações climáticas adversas; baixos impactes ambientais, e, segundo os promotores, ser o de mais baixo custo.

Se numa análise SWAT se analisam: os pontos fortes, os pontos fracos, as oportunidades e as ameaças, podemos facilmente concluir que nos aspectos positivos a solução Santarém, está à frente da maioria das soluções concorrentes e, o único ponto fraco, será a distância à capital, além de não apresenta nenhuma ameaça objectiva. Mas mesmo a tão discutida opção distância à capital, tem de levar em linha de conta, uma área até agora ignorada, como sejam os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém (+ de 1.300.000 habitantes), bem como toda a região do interior.

A Distância à capital, na comparação com outras capitais europeias, deve levar em linha de conta que existem muitas outras ofertas aeroportuárias, muitas delas utilizadas por muitas companhias por serem mais económicos, e que têm distâncias muito superiores à distância Santarém Lisboa.

Esta opção também não pode ser tomada como um factor inquestionável, tendo em conta dois aspectos fundamentais: a centralidade e acessibilidades que a localização geográfica que Santarém tem para oferecer: quer na sua ligação aos destinos a norte e a sul, quer na ligação ao litoral e interior (A1, A13, A2 e A15, A23).

Vamos aguardar serenamente as conclusões da CTI. Vamos esperar que tenha feito o seu trabalho de forma, livre e independente. Imune a qualquer tipo de pressões quer da tutela, quer de todo o tipo de interesses envolvidos. Tendo em conta que a decisão final será de índole política, vamos esperar que ela leve em linha de conta, fundamentalmente os aspectos relevantes para a sua tomada de decisão e que, por razão alguma imperem questões de natureza ideológica e muito menos partidária.



[1] Relatório do Parlamento 

Sem comentários:

Enviar um comentário