RÉM AINDA FAZ SENTIDO?O estudo da localização do novo aeroporto de Lisboa foi entregue a uma Comissão Técnica Independente (CTI), constituída por seis elementos. Para que conste dois deles já a abandonaram (Daniel Murta saiu porque "não tinha perfil para a função" e Mafalda Carmona por “falta de tempo”, revela o Observador. Já ao Expresso, Mafalda Carmona revelou "Saio por divergências profissionais face ao âmbito do meu trabalho"), entretanto já substituídos. Vamos considerar que as demissões representam apenas a vontade dos próprios e não envolvem qualquer tipo de pressão, com vista a condicionar uma decisão final. Apesar de ser uma Comissão Técnica, nomeada pelo Governo para um estudo técnico, foi mais longe e criou uma plataforma - AeroParticipa, para o cidadão comum dar o seu palpite (“Vamos acolher todas as propostas que recebermos. Vamos ter um mapa, interactivo, onde as pessoas vão pôr lá o aviãozinho”).
Compreende-se que uma decisão sobre
esta matéria não pode ser tomada de ânimo leve, e muito menos, ofuscada por qualquer
bacoca opinião bairrista. Deve ser uma solução que resolva um problema que se
arrasta há mais de 50 naos, mas do qual resulte uma solução tecnicamente irrepreensível
e tendo em conta o desenvolvimento harmonioso de todo o país. E não uma solução
macrocéfala que pretenda resolver apenas a solução aeroportuária de uma capital
já de si muito congestionada.
A decisão da CTI deve avaliar a
solução final tendo por base uma série de critérios. Atrevo-me a elencar alguns
que, do meu ponto de vista, não andarão muito longe das preocupações da CTI: O
Custo, a Distância à capital, a Segurança Operacional e Aeroportuária, a Sustentabilidade
Ambiental, o Desenvolvimento regional, a aptidão para aumentar a sua
capacidade, a população a servir, a articulação com outros sistemas de
transportes, factores climáticos e ambientais condicionantes, as Acessibilidades
ferroviárias e rodoviárias, a Flexibilidade, os Impactes negativos (a fauna,
flora e o ruído), a rapidez na sua conclusão da solução final, etc.
Em todos os critérios apontados, na
opção Santarém, apenas a distância à capital aparece como um critério negativo,
se comparado com os demais projectos. Em
todos os outros, a solução Santarém: ou está equiparada com as outras, ou
apresenta-se como muito mais vantajosas. Aliás, as declarações de João Galamba,
são inaceitáveis, sobretudo se considerar que é o ministro que vai tutelar a
solução que a CTI irá produzir. Se isto não é uma forma de condicionar os
elementos da dita comissão, é, pelo menos, uma inaceitável ingerência de quem
deveria, por obrigação de ofício, manter-se calado. Também é notória, ou
indisfarçável simpatia de João Galamba e do governo pela opção Alcochete,
apesar de algumas evidentes susceptibilidades (Risco de Submersão Nevoeiros e
ventos cruzados, Acessibilidades, Área Reduzida de expansão e Densidade
Populacional)[1]
Não dominamos muitos dos aspectos
técnicos que envolvem uma tal decisão. Mas estamos seguros de que numa análise
descomprometidas, a opção por Santarém, faz todo o sentido, por ser uma boa solução
alternativa, com uma série de propostas vantajosas em vários dos critérios observados.
Sim. Do meu ponto de vista faz sentido, sobretudo pelas seguintes razões: por que
vai servir toda uma população até agora esquecida, ou, pelo menos, ignorada; proporcionar
uma solução de caracter definitivo, flexível e escalável quanto ao crescimento
da oferta; acessibilidades garantidas entre as principais ofertas rodoviárias e
ferroviárias; condições operacionais mesmo em situações climáticas adversas; baixos
impactes ambientais, e, segundo os promotores, ser o de mais baixo custo.
Se numa análise SWAT se analisam: os
pontos fortes, os pontos fracos, as oportunidades e as ameaças, podemos
facilmente concluir que nos aspectos positivos a solução Santarém, está à
frente da maioria das soluções concorrentes e, o único ponto fraco, será a distância à
capital, além de não apresenta nenhuma ameaça objectiva. Mas mesmo a tão discutida opção
distância à capital, tem de levar em linha de conta, uma área até agora ignorada,
como sejam os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém (+ de 1.300.000
habitantes), bem como toda a região do interior.
A Distância à capital, na comparação
com outras capitais europeias, deve levar em linha de conta que existem muitas
outras ofertas aeroportuárias, muitas delas utilizadas por muitas companhias por
serem mais económicos, e que têm distâncias muito superiores à distância
Santarém Lisboa.
Esta opção também não pode ser
tomada como um factor inquestionável, tendo em conta dois aspectos
fundamentais: a centralidade e acessibilidades que a localização geográfica que
Santarém tem para oferecer: quer na sua ligação aos destinos a norte e a sul,
quer na ligação ao litoral e interior (A1, A13, A2 e A15, A23).
Vamos aguardar serenamente as
conclusões da CTI. Vamos esperar que tenha feito o seu trabalho de forma, livre
e independente. Imune a qualquer tipo de pressões quer da tutela, quer de todo
o tipo de interesses envolvidos. Tendo em conta que a decisão final será de índole
política, vamos esperar que ela leve em linha de conta, fundamentalmente os
aspectos relevantes para a sua tomada de decisão e que, por razão alguma imperem
questões de natureza ideológica e muito menos partidária.
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