Sendo que o Orçamento do Estado (OE)
é um instrumento fundamental da política de qualquer governo, não restam
dúvidas a ninguém. Também é certo que com a mudança política verificada nas
últimas eleições, iria determinar igualmente uma mudança nas intenções das
políticas, particularmente no que diz respeito à componente fiscal. A AD e, em particular
o PSD sempre se assumiu como um partido reformista, pelo que seria de esperar
que a este nível, a mudança da estrutura do OE teria de reflectir isso mesmo.
Como Luís Montenegro se havia
comprometido como “não é não”, elegeu como parceiro fundamental para a
aprovação do seu OE o partido Socialista. Esta solução foi à partida
comprometida pela posição errática de Pedro Nuno Santos.
António Costa muito mais
experiente e sabido que o seu sucessor, teria provavelmente dito: “este não
é o meu orçamento, mas sendo um partido responsável, o PS vai viabilizar este
primeiro orçamento pela abstenção e fazer o seu trabalho na oposição”. Pedro
Nuno Santos teve um discurso errático. Disse tudo e mais um par de botas. Quis dar
a imagem de um político responsável, mas as suas “convicções” ideológicas,
fê-lo impor linhas vermelhas, em matérias que seria muito difícil serem aceites
por Luís Montenegro.
Acontece, porém, que o PS está
fracturado entre uma parte mais moderada que aconselha a aprovação do OE, e uma
linha mais radical que diz que o PS deveria rejeitar liminarmente este OE e
sujeitar-se a eleições. Para ajudar à festa, os autarcas socialistas, estão
receosos que a não aprovação do OE seria muito penalizadora para o PS nas
eleições autárquicas, que irão ocorrer em 2025, e ainda na execução dos
projectos do PRR a decorrer.
Neste cenário, ainda não sabemos
se o OE passa ou não. Sabemos que o CHEGA, apavorado com um cenário de eleições
antecipadas veio pressurosamente mostrar a sua disponibilidade para o aprovar, e
assim, reivindicar o estatuto de único adulto na sala. Consequentemente, o PS
vai ficar associado à inusitada viabilização do OE por um partido da extrema-direita
se isto se verificar.
A perspectiva de eleições
antecipadas parece não agradar a ninguém. Considerando que o PSD cedeu mais do
que o PS nas negociações, mesmo levando em conta os ganhos de causa que os
socialistas conseguiram pela via parlamentar, e que irão ter influência directa
sobre o OE. Neste cenário, o que vai o eleitor valorizar? A dúvida que subsiste
é se esse voto se traduzirá num protesto por mais um processo eleitoral, ou se
uma escolha no partido mais responsável em todo este processo. Tenho mais
dúvidas do que certezas!

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