Acabados de sair de uma inusitada
eleição legislativas, para termos em Outubro novas eleições autárquicas (talvez
o plebiscito mais importante para o comum dos cidadãos). Porém, o que temos na
ordem do dia são as presidenciais, que só terão lugar em Janeiro de 2026! O
assunto já vinha sendo debatido com alguma insistência, só interrompido durante
a campanha para as legislativas. De facto, a bolha mediática ansiosa por marcar
a agenda, vai aproveitando tudo e mais um par de botas, para manter os
portugueses anestesiados, como convém.
Isto não significa que não reflictamos
sobre quem será o próximo inquilino do palácio de Belém. Depois de muitas
hesitações eles aí estão, passeando sobre a passadeira vermelha, que os órgãos
de comunicação lhes vão estendendo à frente. São nomes mais ou menos
conhecidos, mas que muito pouco se sabe do seu pensamento político, particularmente
nos tempos actuais e a nova realidade político partidária.
As sondagens, como é hábito vão
alimentando a tal bolha, não vá o assunto cair no esquecimento. Depois de muita
reflexão, os nomes vão aparecendo de forma mais ou menos ruidosa, enquanto os
habituais comentadores de serviço, vão vaticinando sobre os perigos, ou as
oportunidades que cada um representa.
Na óptica dos partidos políticos,
temos dois cenários distintos: os que rapidamente elegeram um candidato que
pretendem apoiar e outros como o PS, que não encontra um nome consensual para
uma tomada de decisão agregadora.
Henrique Gouveia e Melo, que só
anunciou a sua candidatura em finais de Maio, foi o “segredo mais mal guardado”
destas presidenciais. Sempre soubemos que Gouveia e Melo não resistiria à
tentação da proeminência obtida no processo das vacinas, como uma plataforma
para lanças a sua candidatura presidencial. Mas, uma coisa é o rigor na
implementação de um processo vacinal, outra completamente diferente, é a
responsabilidade da primeira figura do país. Mas Gouveia e Melo, não deixou de
cavalgar a onda das sondagens, sabendo que quanto menos falasse mais teria a
ganhar com o assunto. Mesmo agora, depois de anunciada a sua candidatura e
algumas entrevistas depois, o tom das intervenções soa a discurso de miss - “peace
and love for all”. O seu posicionamento ideológico, fica algures entre a
social-democracia e o socialismo democrático (?), que é algo que apenas ele
sabe o que é! O apoio velado do CHEGA ao almirante, deixa-o visivelmente
incomodado. Os seus apoiantes confessos, são um conjunto de deserdados da
política partidária (Ângelo Correia, Alberto João Jardim, o Chicão, Isaltino
Morais, António Capucho, Fernando Seara, etc.), como é o caso de Rui Rio, seu
mandatário nacional. O almirante apresenta-se aos olhos dos portugueses como
alguém que vem de fora do sistema, um pouco à semelhança do crescimento do
CHEGA, que se reclama contra o sistema. Algo que os portugueses parecem gostar.
Marques Mendes tem feito tudo
para sair da sombra do almirante. Foi o primeiro a anunciar a sua
disponibilidade, tem o apoio formal do PSD, constituiu uma Comissão de Honra
com gente de peso, tem uma visibilidade como nenhum outro, pela sua intervenção
dominical na antena da SIC durante os últimos anos, e ainda por ser aquele que
tem maior experiência política. Mesmo assim, a acreditar nas sondagens, as
intenções de voto ficam muito aquém de Henrique Gouveia e Melo.
O PS, por sua vez tem encontrado
muita dificuldade em apresentar uma figura consensual dentro do Partido. Depois
de um deslize de Pedro Nuno Santos afirmando que o nome de António José Seguro
daria um bom presidente, para pouco tempo depois dar o dito por não dito.
Muitos outros nomes têm surgido na área de influência do PS: António Costa, António
Guterres, António Vitorino, Mário Centeno e Santos Silva. Todos estes nomes têm
suscitado apoios e vaias dentro do PS, o que também já é habitual. Mais
recentemente, o nome de Sampaio da Nóvoa, que não sendo militante do PS, tem
merecido alguma simpatia nas hostes socialistas e nas esquerdas em geral. A
decisão de António José Seguro, anunciada ontem, vem dificultar ainda mais a
posição do PS, como se já não bastasse a estrondosa derrota eleitoral nas
últimas legislativas.
O CHEGA, já havia anunciado André
Ventura como o seu candidato. Mas depois da vitória retumbante nas legislativas,
parece ter feito um pouco de marcha-atrás, por recear que umas eleições com
características diferentes, pudessem constituir um desastre. Parece haver
alguma disponibilidade para apoiar o candidato mais bem posicionado, como
estratégia para desviar as atenções de uma hipotética derrota.
Quanto às restantes forças
políticas, apenas vão usar estas eleições, como forma de garantirem alguma visibilidade
das suas posições políticas, Quanto ao resto, são perfeitamente irrelevantes.
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