quarta-feira, 4 de junho de 2025

E AS PRESIDENCIAIS JÁ MEXEM!

Acabados de sair de uma inusitada eleição legislativas, para termos em Outubro novas eleições autárquicas (talvez o plebiscito mais importante para o comum dos cidadãos). Porém, o que temos na ordem do dia são as presidenciais, que só terão lugar em Janeiro de 2026! O assunto já vinha sendo debatido com alguma insistência, só interrompido durante a campanha para as legislativas. De facto, a bolha mediática ansiosa por marcar a agenda, vai aproveitando tudo e mais um par de botas, para manter os portugueses anestesiados, como convém.

Isto não significa que não reflictamos sobre quem será o próximo inquilino do palácio de Belém. Depois de muitas hesitações eles aí estão, passeando sobre a passadeira vermelha, que os órgãos de comunicação lhes vão estendendo à frente. São nomes mais ou menos conhecidos, mas que muito pouco se sabe do seu pensamento político, particularmente nos tempos actuais e a nova realidade político partidária.

As sondagens, como é hábito vão alimentando a tal bolha, não vá o assunto cair no esquecimento. Depois de muita reflexão, os nomes vão aparecendo de forma mais ou menos ruidosa, enquanto os habituais comentadores de serviço, vão vaticinando sobre os perigos, ou as oportunidades que cada um representa.

Na óptica dos partidos políticos, temos dois cenários distintos: os que rapidamente elegeram um candidato que pretendem apoiar e outros como o PS, que não encontra um nome consensual para uma tomada de decisão agregadora.

Henrique Gouveia e Melo, que só anunciou a sua candidatura em finais de Maio, foi o “segredo mais mal guardado” destas presidenciais. Sempre soubemos que Gouveia e Melo não resistiria à tentação da proeminência obtida no processo das vacinas, como uma plataforma para lanças a sua candidatura presidencial. Mas, uma coisa é o rigor na implementação de um processo vacinal, outra completamente diferente, é a responsabilidade da primeira figura do país. Mas Gouveia e Melo, não deixou de cavalgar a onda das sondagens, sabendo que quanto menos falasse mais teria a ganhar com o assunto. Mesmo agora, depois de anunciada a sua candidatura e algumas entrevistas depois, o tom das intervenções soa a discurso de miss - “peace and love for all”. O seu posicionamento ideológico, fica algures entre a social-democracia e o socialismo democrático (?), que é algo que apenas ele sabe o que é! O apoio velado do CHEGA ao almirante, deixa-o visivelmente incomodado. Os seus apoiantes confessos, são um conjunto de deserdados da política partidária (Ângelo Correia, Alberto João Jardim, o Chicão, Isaltino Morais, António Capucho, Fernando Seara, etc.), como é o caso de Rui Rio, seu mandatário nacional. O almirante apresenta-se aos olhos dos portugueses como alguém que vem de fora do sistema, um pouco à semelhança do crescimento do CHEGA, que se reclama contra o sistema. Algo que os portugueses parecem gostar.

Marques Mendes tem feito tudo para sair da sombra do almirante. Foi o primeiro a anunciar a sua disponibilidade, tem o apoio formal do PSD, constituiu uma Comissão de Honra com gente de peso, tem uma visibilidade como nenhum outro, pela sua intervenção dominical na antena da SIC durante os últimos anos, e ainda por ser aquele que tem maior experiência política. Mesmo assim, a acreditar nas sondagens, as intenções de voto ficam muito aquém de Henrique Gouveia e Melo.

O PS, por sua vez tem encontrado muita dificuldade em apresentar uma figura consensual dentro do Partido. Depois de um deslize de Pedro Nuno Santos afirmando que o nome de António José Seguro daria um bom presidente, para pouco tempo depois dar o dito por não dito. Muitos outros nomes têm surgido na área de influência do PS: António Costa, António Guterres, António Vitorino, Mário Centeno e Santos Silva. Todos estes nomes têm suscitado apoios e vaias dentro do PS, o que também já é habitual. Mais recentemente, o nome de Sampaio da Nóvoa, que não sendo militante do PS, tem merecido alguma simpatia nas hostes socialistas e nas esquerdas em geral. A decisão de António José Seguro, anunciada ontem, vem dificultar ainda mais a posição do PS, como se já não bastasse a estrondosa derrota eleitoral nas últimas legislativas.

O CHEGA, já havia anunciado André Ventura como o seu candidato. Mas depois da vitória retumbante nas legislativas, parece ter feito um pouco de marcha-atrás, por recear que umas eleições com características diferentes, pudessem constituir um desastre. Parece haver alguma disponibilidade para apoiar o candidato mais bem posicionado, como estratégia para desviar as atenções de uma hipotética derrota.

Quanto às restantes forças políticas, apenas vão usar estas eleições, como forma de garantirem alguma visibilidade das suas posições políticas, Quanto ao resto, são perfeitamente irrelevantes.

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