António Costa é um homem que fez
da política uma forma de vida. Diz com alguma insistência que começou na
política aos 14/15 anos. Ou seja, é para os devidos efeitos, um “jotinha”, tão
bom ou tão mau como António José Seguro ou Pedro Passos Coelho.
Fez toda a sua carreira política,
assente numa hábil capacidade de negociação. Alguém que estará sempre disposto
a ceder ou a exigir, conforme o seu interlocutor está em posição de força, ou
de fraqueza.
Apeou da liderança do PS um
camarada, com o argumento da sua fraca intervenção face ao governo de Passos
Coelho, acusando-o de resultados “poucochinho” (2 vitórias eleitorais). Ao
assumir a liderança do partido e, nas primeiras eleições disputadas, obtém uma
clamorosa derrota. Isto significaria para um político com ética republicana,
colocar o seu lugar á disposição do partido, por não ter conseguido mais do que
o seu antecessor. Em vez disso e. face a um previsível afastamento da vida
política activa, pela calada da noite, engendra um plano de concertação com as
forças à sua esquerda, de modo a garantir a sua sobrevivência política.
Esta consegue-a, negociando um
acordo (?), estabelecido com forças que sempre se apresentaram como adversários
tradicionais, por defenderem princípios contrários aos princípios socialistas:
a orientação europeísta, o princípio das leis de mercado, o respeito pela
propriedade, etc. Este acordo é estabelecido um a um dos parceiros, á porta
fechada e dando a mão às exigências destas forças. E até mesmo, um pequeno e
ridículo partido como o PAN, consegue ter António Costa refém, da sua ambição.
Sem questionar a sua legitimidade
em todos os lugares que ocupou e ocupa. Alguns destes lugares foram conseguidos
por manobras eticamente pouco abonatórias de alguém que conquistou o mais alto
cargo do executivo nacional.
Foi o número dois do governo de
José Sócrates. Publicamente afirmou ter sido uma honra trabalhar com ele. Mas,
quando a coisa apertou, virou-lhe as costas. Parece que nunca deu por nenhum
dos desmandos de Sócrates, nem de algumas das suas amizades! Das tentativas de
silenciar uma jornalista; às suspeitas de corrupção no caso Freeport: da vida
de luxo e ostentação, passou-lhe completamente ao lado; Além do mais, figuram
hoje no seu executivo muitas das caras do consulado socrático.
Na resposta ao camarada Manuel
Alegre, diz "Choca-me que o serviço
público de televisão transmita touradas. Mas não me ocorre proibir a sua
transmissão.", mas deixa isto ao critério das autarquias, ou seja,
lava as mãos como Pilatos. Para alguém que anos antes, enquanto presidente da
câmara de Lisboa, assistia, aplaudia e condecorava um forcado é, no mínimo,
anedótico! Tal comportamento só pode classificar-se como falta de vergonha, ou
a necessidade de engolir sapos do tamanho de elefantes, vá-se lá saber porquê?
É um político que “nunca sabe
nada”! Não sabe bem quem é o José Sócrates e foi o seu nº 2, num governo que
levou o país à bancarrota! Não sabia de nada no caso dos incêndios! Não sabia
de nada no caso de Tancos! Não sabia de nada no caso das Legionela! Não sabia
de nada da insegurança da estrada de Borba/Vila Viçosa (de responsabilidade
municipal) e das pedreiras adjacentes (estas de responsabilidade
governamental)?! Nunca sabe de nada naquilo que tinha a obrigação de saber. Será
que não tinha obrigação de saber? E o que é pior, é que isso não parece
preocupá-lo!
No plano social e, apesar do
sucesso da nossa economia, sucedem-se as greves nos mais variados sectores de
actividade (518 entre Janeiro e Outubro de 2018): dos médicos e enfermeiros,
aos professores e pessoal auxiliar, nos transportes e na função publica, os
estivadores, as forças de segurança (polícias, SEF, guardas prisionais e
bombeiros) e até magistrados, pasme-se! O desemprego diminui, é certo, à custa
de uma empregabilidade assente em cima de salários de miséria e muita
precariedade. Mas na boca de António Costa nunca estivemos tão bem.
O grande sucesso da nossa
economia(?), assente, essencialmente, nas receitas do turismo e no aumento das
exportações. Esta situação deve-se a factores externos e meramente
conjunturais. Ou seja, isto não traduz uma acção directa e objectiva deste
governo. E não tem correspondência em
termos práticos, veja-se por exemplo, o caos em que está o SNS, com Hospitais
falidos, blocos operatórios fechados ou inoperantes, greves de médicos e
enfermeiros, aumento das listas de espera, demissões em chefias hospitalares, aumento
da dívida a fornecedores, a ala pediátrica do São João do Porto (uma vergonha
nacional), o injustificável preço dos combustíveis; em que o preço do barril
desce na origem e, sobe o preço nas gasolineiras, etc.
Gaba-se do seu governo ter
acabado com a austeridade, mas defende-a por exemplo, para os italianos e
gregos! Mas será que a austeridade acabou mesmo?
A sua desresponsabilização da
inoperância do SIRESP nos fatídicos fogos de Pedrógão Grande, quando foi ele o
político que negociou este equipamento. A inoperância e falta de experiência de
um Serviço de Protecção Civil, que incluía uns boys do PS, só porque tinham que
ser licenciados, mas sem qualquer experiência operacional! Pesa-lhe na
consciência uma centena de mortes, apesar da tranquilidade do seu discurso.
Costa comprou casa a idosos
abaixo do valor de mercado e vendeu-a pelo dobro passado pouco tempo, estranho
para quem defende muito mais transparência no imobiliário.
A forma pouco séria como
desvalorizou sempre o caso de Tancos e defendeu sempre os seus ministros
Constança Urbano de Sousa e José Azeredo Lopes ), que, obviamente, sabia do que
se passava desde sempre.
A forma capciosa como afirma a
redução da carga fiscal, quando na realidade ela esconde-se atrás de cativações
que nunca são frontalmente assumidas. Transferir uma divida soberana que sobe
continuamente para as gerações vindouras, com uma preocupação doentia de um
deficit zero, conseguido à custa de artimanhas contabilísticas.
Na presença do chefe de estado
angolano, promete toda a ajuda no combate à corrupção que grassa naquele país
(isto não será ingerência nos assuntos internos de um estado soberano?). E já
agora se olhasse para o lado, talvez reparasse nos inúmeros casos, que
atravessam transversalmente a sociedade portuguesa, e muito pouca tem sido a
sua disponibilidade.
Veja-se a sua posição
relativamente ao crowdfunding de
iniciativa dos enfermeiros portugueses, quando ele próprio o utilizou na sua
campanha para o município lisboeta.
Para quem está sempre a defender
a ética republicana e a transparência no partido e, a propósito, da última
remodelação do governo o Blog “O Insurgente” O
Insurgente publica um interessante diagrama das relações familiares de toda
a máquina socialista, que é um autêntico bacanal. Quase só faltam os empregados
e os animais de companhia.
Todas estas elucubrações resultam
da análise de alguém que se considera minimamente informado, que pensa pela sua
cabeça e que acha que o sistema político português está inquinado pela
manipulação de diversos lobbies e
que, atravessam transversalmente todo o espectro político. Não é, em minha
modesta opinião, um problema de esquerda ou de direita, mas tão somente, um
conjunto de interesses que é necessário manter para garantir a sobrevivência
política (veja-se a argumentação de António Costa contra António José Segura) e
assegurar um futuro confortável. Além de que o sistema eleitoral é um logro
absoluto. Assenta numa lista de escolha partidária e que pode, posteriormente,
ser manipulada da forma que melhor servir ao partido. Privilegia os pequenos
partidos e afasta os eleitos, por vezes com pouca ou nenhuma ligação à terra,
dos seus eleitores.
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