sexta-feira, 15 de março de 2019

A exclusão de Mota Amaral das listas ao Parlamento Europeu



Conheço o Dr. João Bosco da Mota Amaral há já muitos anos. Nem sempre estive de acordo com as suas decisões e prática política, mas tenho que reconhecer o seu valioso contributo para o processo autonómico açoriano. Foi sempre alguém que se distinguiu, desde os tempos de estudante no Liceu Nacional de Ponta Delgada. Também de evidenciou como estudante universitário, fez parte da Ala Liberal, foi fundador do PPD, foi Presidente do Governo Regional dos Açores, foi eleito deputado e Presidente da Assembleia da República, foi colaborador de muitos jornais e revistas, apenas para falar nos cargos mais importantes que desempenhou ao longo dos tempos. Há já alguns anos que se retirou da vida política activa, mas não deixou de estar activo como cidadão. Ou seja, é alguém, cujo curriculum fala por si mesmo. A sua disponibilidade para se candidatar a representar no Parlamento europeu a sua região, só pode merecer a nossa total compreensão.
O Dr. Rui Rio, por muito que se esforce, só com muita dificuldade pode ambicionar, ter o prestígio e um percurso, político comparável ao do Dr. Mota Amaral.
O problema da exclusão do um candidato às Europeias que represente os Açores, não pode ser visto apenas, numa lógica partidária ou pessoal. O problema não é de ordem pessoal. O Dr. Mota Amaral não será pessoalmente afectado por este gesto autoritário, de alguém que não compreende, nem os limites da autonomia e da própria democracia, por quem o visado tanto se bateu; nem tão pouco, a irracionalidade de atribuir ao, eventualmente, eleito pela região madeirense a responsabilidade de representar os açorianos!
O que é grave é que os Açores e as suas gentes se sentem, desprezados, marginalizados e muito longe dos tempos em que o PSD, no Açores ganhava sucessivos desafios eleitorais com maioria absoluta. Aí, o Dr. Mota Amaral, era sistematicamente venerado, pelo prestígio que estas vitórias, conferiam ao partido no seu todo. Os tiques de centralismo e de arrogância autoritária, emanados desta decisão, não auguram nada de bom, nem para a Região Autónoma dos Açores e, muito provavelmente, com a muito previsível derrota que o Dr. Rui Rio irá sofrer nos embates eleitorais que se avizinham (vejam-se as sondagens), para o próprio PSD. E será como entregar a “arma ao bandido”. Ou seja, dar trunfos eleitorais aos partidos que se opõem ao PSD, sem que para isso necessitem de se esforçar muito. O próprio cabeça de lista do partido, Dr. Paulo Rangel, quando questionado sobre esta decisão, foi notório o seu incómodo.
A processo autonómico foi um anseio antigo dos açorianos, lento e difícil de estabelecer. Muitos, ainda hoje não entendem nem aceitam as dificuldades de quem vive numa região ultraperiférica, muito em particular, aqueles que, por dever de ofício, tinham a obrigação de defender e trabalhar no seu fortalecimento para a tão apregoada coesão nacional.
Não se admirem da resposta dos açorianos para esta afronta. Somos talhados pelo mar e pelo basalto. Afáveis com quem nos visita, agradecidos a quem nos ajuda, mas não esquecemos, nem os traidores, nem quem nos trata mal.
Por convicção não tenho nem filiação, nem simpatia partidária. A mediocridade da prática política e dos protagonistas partidários, causa-me algum desconforto. Por isso, há já muito tempo que, quando sou chamado a votar, o faço sempre em branco, por não me sentir representado por nenhuma das forças concorrentes. Como açoriano e, caso votasse, nunca seria no PSD, com certeza.


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