domingo, 26 de maio de 2019

AS ELEIÇÕES EUROPEIAS


Findas que são estas eleições devemos todos reflectir, se 2 em cada 3 eleitores, se eximiu a cumprir a sua obrigação como cidadão. Que destino temos enquanto povo que decidiu em Abril de 1974, defender a sua opção europeia?
Vi com alguma apreensão os vencedores arvorarem um tom de alguma sobranceria, na análise dos resultados, quando uma abstenção que ronda os 70% lhes retira toda a legitimidade. Se a isto juntarmos os votos nulos e os votos em branco, o caso é ainda mais sério. Ou seja, o cidadão eleitor desligou-se completamente deste dever cívico. E se queremos fazer uma apreciação de algum distanciamento, obviamente teremos de admitir, que ele será o menos culpado por este estado de coisas.
A campanha tratou de tudo o que se passa internamente e, muito pouco do que seria importante sabermos sobre o projecto europeu. O próprio primeiro ministro, com as suas insistentes aparições na campanha, secundarizou o candidato Pedro Marques. Já para não falar do facto de António Costa, ter referido, explicitamente, que estas eleições deveriam ser um plebiscito, à acção do seu governo e. mesmo ter referido isso no seu discurso de vitória! E, ingenuamente, os principais partidos da oposição foram na conversa e estão a correr atrás do prejuízo, como é óbvio. Vejo os analistas a elaborar complexas explicações para as razões das vitórias e das derrotas, quando na realidade o que se devia discutir neste momento, seria as razões para tal abandono e desinteresse dos eleitores. Verificamos que todos os responsáveis políticos e eleitos deveriam, neste momento reflectir e propor alternativas credíveis para alterar este estado de coisas.
Elas são muitas e variadas. Todas elas terão, obviamente, aspectos positivos e negativos, mas o actual estado de coisas não pode continuar, sob pena do cidadão cada vez mais se afastar das decisões que o país terá de tomar, por um grupo de pessoas que representam apenas 1/3 dos portugueses. O voto electrónico, o voto obrigatório, a junção de dois actos eleitorais em simultâneo, o voto durante os dias úteis, etc. Qualquer coisa será melhor do que este espectáculo degradante.
Estamos todos decepcionados. A democracia tem de valer a pena. O eleitor é soberano e as suas decisões, concordemos ou não, são as suas escolhas. Cabe à classe política, já muito desacreditada, repensar os seus interesses e actuação e propor ou realizar tudo o que estiver ao seu alcance para alterar o actual estado de coisas. É por estas e por outras que os partidos populistas, os extremismos de esquerda e de direita proliferam. O facto de este fenómeno ser transversal a outros países europeus, não nos deve deixar descansados.

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