Vivemos todos uma situação que
será, muito provavelmente, a mais grave das nossas vidas. O país foi obrigado a
adoptar o isolamento social como a forma mais elementar de combater este
flagelo. Ou seja, temos um país retido em casa; e com uma profunda alteração da
nossa vivência em sociedade. A estrutura produtiva do país foi severamente
alterada: muitas das actividades não essenciais foram compulsivamente
encerradas. Todos aqueles que possam trabalhar a partir de casa é-lhe pedido que
o façam. Existem em oposição, muitas outras actividades que são essenciais, e
que têm de continuar na sua quase normalidade, porque a vida continua e tem de
continuar.
A magnitude desta catástrofe é de
tal ordem, que certamente, ninguém tem uma ideia precisa da sua dimensão e dos
danos que irão afectar objectivamente a vida de todos nós. Nesta conformidade, o
apelo à solidariedade tem sido o discurso dominante dos principais responsáveis
da gestão desta crise. Temos que entender que, se muitas estão obrigados a um confinamento
domiciliário, muitos há, que têm que continuar a dar o seu contributo, para que
todas as actividades essenciais, possam continuar a produzir com a normalidade
possível.
É com base nesta premissa
solidária que os responsáveis, nos seus discursos de ocasião, não se cansam de enaltecer
o contributo destes trabalhadores, e muito bem. De facto, a abnegação dos
profissionais de saúde, que estão na linha da frente e expostos a um risco
objectivo, merece toda a nossa gratidão. Falamos também de todos aqueles que
têm feito o sacrifício de trabalhar, com as condições vigentes, a manter o país
a funcionar, para o bem comum. Sistematicamente são referenciados os
profissionais de saúde, os elementos das IPSS’s que diariamente lidam com uma
população de risco elevado, são as forças de emergência e de segurança, são os
operadores de logística, são os farmacêuticos, é o comércio alimentar e sempre
que possível, toda a actividade industrial e comercial. Todos eles merecem a
nossa gratidão e, de alguma forma, é a eles que devemos o conforto possível,
nesta reclusão a que a maioria da população está sujeita.
Uma vez mais, a agricultura e os agricultores,
são excluídos nestes agradecimentos. Se os profissionais da saúde se encontram
na linha da frente no combate a este inimigo invisível, poderá dizer-se que a
agricultura e os agricultores, como reserva estratégica alimentar, mereciam o
destaque que esta nobre actividade é, invariavelmente esquecida. E é pena! Sabendo
que uma faixa importante dos agricultores portugueses são também um alvo de
riso, pela avançada idade de muitos deles, isso não os impede de, diariamente,
irem para o campo, porque aqui o tempo não perdoa.
O Mundo Rural que vive em
simbiose com a Natureza e que se constitui como o garante da sua manutenção e
preservação, contribui para garantir a produção de bens essenciais, merecia um
tratamento mais digno. Sistematicamente os agricultores são considerados, como
gente rude e de baixa formação académica e poluidores do meio, pela
generalidade da população. Por outro lado, foram capazes, apesar disso, modernizar
uma actividade que ombreio com o melhor que se faz no mundo, pela qualidade das
suas produções. O “esquecimento” destes profissionais revela-se como um preconceito
snob, no reconhecimento da importância que esta actividade tem para o país. O respeito
e valorização do mundo rural, sem paternalismos, mas com reconhecimento pelo trabalho
destes profissionais é algo que se impõe. É também com alguma estranheza que
vemos as associações de classe indiferentes a este tratamento. Va-se lá saber
porquê
Muito oportuno o alerta para este sector de fundamental importância para a produção de bens essenciais ao consumo, sobretudo num período de crise profunda. Igualmente relevante a chamada de atenção para um ainda elevado número de agricultores considerado, em função da idade, como trabalhadores "que são também alvo de #RISCO#".Os meus parabéns!
ResponderEliminarL.B.