terça-feira, 31 de março de 2020

COVID 19 - E DEPOIS?


Como todos já percebemos, estamos no limiar de uma nova crise económica e social, e provavelmente, de consequências ainda mais devastadores, daquela resultante da última bancarrota. A intervenção da Troika, foi devastadora para todos nós, especialmente para a classe média, que sistematicamente, assume o papel de bode expiatório dos desmandos da classe política. Para cumprimento das determinações da Troika, os portugueses foram sujeitos a severas medidas de contenção económica, que resultaram em sacrifícios monumentais para todos. Se a crise de 2011 foi consequência de uma desastrosa governação de um megalómano insensato, a crise que se avizinha é planetária; não tem um responsável objectivo e vai afectar globalmente toda a humanidade. Se quisermos, o mundo, tal qual o conhecemos, nunca mais será o mesmo.
Segundo os entendidos na matéria, a nossa recuperação no pós Troika, assentou no sucesso da actividade turística, no incremento das nossas exportações, e num brutal aumento da nossa carga fiscal, como contributo determinante, para o equilíbrio da nossa balança comercial. Para além disto, os portugueses foram chamados a suportar o colapso do sistema bancário, consequência de razões muito mal explicadas, e cujos responsáveis, ainda gozam de uma imoral impunidade.
É obvio que quando tivermos condições de voltar à “normalidade”, vamos encontrar um país depauperado, com o tecido empresarial severamente afectado, com um aumento do desemprego e uma consequente baixa dos rendimentos das famílias. Resolver este problema aumentado os impostos terá consequências inimagináveis. Ou seja, a uma mais que provável crise económica, juntarmos uma crise social.
Os contribuintes portugueses não têm condições para suportar e resolver uma outra crise que agora se avizinha. A nossa Carga Fiscal (uma das mais altas da EU), atingiu um valor que se aproxima do limite que o português comum tem capacidade para suportar. Certamente que nos irão ser pedidos mais sacrifícios. Naturalmente que os nossos rendimentos irão ser afectados. Consequentemente a nossa qualidade de vida vai baixar, e temos que estar preparados para tempos muito difíceis. Apenas se exige que haja uma maior equidade na distribuição dos sacrifícios. A crise vai passar, mas não vamos ficar todos bem. Apela-se ao bom senso para que as medidas que terão de ser tomadas, levem em consideração que já não aguentamos muito mais.
As condições em que foram negociadas as PPP’s da auto-estradas e da Lusoponte, em que apenas um lado colhe os benefícios, e o outro suporta todos os prejuízos, encontra nesta situação de emergência uma razão plausível, para ser denunciada.
A vergonhosa atribuição das Pensões Vitalícias a muitos governantes, constitui por si própria uma afronta a quem diariamente luta por um salário de miséria e uma aposentação cada vez mais tardia. A fixação de um tecto máximo das pensões, como existe em muitos países, poderia revelar-se como uma boa solução na moralização do sistema de pensões.
Uma baixa no salário da classe política teria, para além dos efeitos práticos objectivos, poderia constituir um exemplo de desapego pelo poder e um exemplo desinteressado. A redução do número exagerado de assessores políticos nos gabinetes ministeriais, seria também uma medida de elevado sentido estado.
Os apoios às inúmeras fundações existentes, parecem não se justificar numa situação como a que se avizinha.
Estas são apenas algumas das medidas que, para além de moralizadoras, poderiam ajudar os tempos difíceis que se aproximam. Cada um de nós sentiria que as decisões que terão que ser tomadas, vão ter a preocupação de distribuir por todos, de forma igualitária, os sacrifícios que se impõem, nestas circunstâncias.
Estou certo que estas medidas, acima referidas, são uma gota no mar das necessidades que vão emergir, logo que o país volta à normalidade possível. Não vão, com certeza, resolver a situação económica e social que todos esperamos. Mas teria o efeito benéfico de que, pelo menos destas vez, não seriam os mesmos a resolver a crise.


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