IMORALIDADE
Por convicção sou um
defensor da iniciativa privada. Por isso entendo que existem, em todos os
sectores de actividade, riscos do negócio que são inerentes à própria actividade.
Sou também adepto de que, face a
dificuldades do negócio, não deve ser o dinheiro dos contribuintes a resolver
os problemas da actividade privada. Não porque, em determinadas circunstâncias,
isso não possa ser equacionado, mas pelo indisfarçável, conflito de interesses
que isso pode encobrir.
Quando o governo decidiu apoiar a
comunicação social face a excepcionalidade do momento pandémico que
atravessamos, e apesar de não concordar com a particularidade de tal apoio seja
concedido a um sector de actividade em concreto, uma vez que o efeito da
pandemia é transversal, aceitei com a naturalidade possível, tendo em conta as
condições específicas do sector. As condições são um grande número de
profissionais, a maioria, desconhecidos, estagiários e tarefeiros, com salários
de miséria. E trabalho sem horários. Existe, porém, uma outra realidade que tem
a ver com alguns nomes sonantes, sobretudo nas televisões, que auferem
ordenados milionários, maioritariamente pela popularidade de que gozam junto do
público e muito pouco, pela qualidade do trabalho apresentado.
O apoio do Estado, na ordem dos
15 milhões de euros, contempla os dois grupos envolvidos neste negócio
galáctico com: Impresa com 3.491.520,32 euros e a Media Capital 3.342.532,88
euros.
Cristina Ferreira e as recentes
movimentações entre os dois principais grupos de comunicação, representa muito
bem este paradigma. Considero-a uma péssima comunicadora, mas tenho de admitir,
que se trata de uma refinada, e excelente mulher de negócio. Ou seja, a sua
transferência deve ter sido uma excelente oportunidade de negócio, que ela não
deixou fugir. Isto não tem nada de imoral, tendo em conta tratar-se de uma
profissional liberal que faz as suas opções de carreira. Não existe é nenhuma garantia
de que a ajuda do estado, nomeadamente os não seja utilizada na resolução desta
transferência, o que é uma imoralidade! Espero que o aval concedido pelo
estado, tenha salvaguardado algumas condicionalidades. Imoral é também o
aparente silêncio da ERC, quando tem um problema contra-ordenacional com a Média
Capital, perante esta situação-
Imoral é utilização de dinheiros
públicos (dos contribuintes), na resolução de um problema que afecta toda a
sociedade. Imoral é admitir que este sector passe maiores dificuldades do que
outros sectores, como: turismo, restauração, comércio retalhista, agricultura,
pescas.
Imoral é, por exemplo, o completo
e injusto abandono dos profissionais de saúde, que deram todo o seu melhor e
que este esforço, não seja igualmente recompensado. Imoral é que este apoio não
tivesse contemplado também todos os pensionistas, muito especialmente aqueles
de mais baixos rendimentos. E todos os que se viram empurrados para o lay
off ou desemprego.
Não está em causa a contratação
da dita senhora. São as leis do mercado a funcionar. O que está em causa é que
a ajuda de todos os contribuintes, não salvaguarde a garantia de que os
montantes envolvidos, como ajuda social possa ser utilizado para outras
finalidades, como por exemplo, suportar ordenados milionários, de um reduzido
número de profissionais, em pé de igualdade com todos os outros – os mais
necessitados.
Estamos fartos de continuar a
alimentar empresas falidas. A forma como se utiliza o dinheiro de todos nós, tem
que merecer muito mais cuidado e atenção. Como agora se diz, tem de haver muito
mais “FRUGALIDADE”, não basta lançar dinheiro sobre os problemas.

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