segunda-feira, 20 de julho de 2020

IMORALIDADE


IMORALIDADE

Por convicção sou um defensor da iniciativa privada. Por isso entendo que existem, em todos os sectores de actividade, riscos do negócio que são inerentes à própria actividade.
Sou também adepto de que, face a dificuldades do negócio, não deve ser o dinheiro dos contribuintes a resolver os problemas da actividade privada. Não porque, em determinadas circunstâncias, isso não possa ser equacionado, mas pelo indisfarçável, conflito de interesses que isso pode encobrir.
Quando o governo decidiu apoiar a comunicação social face a excepcionalidade do momento pandémico que atravessamos, e apesar de não concordar com a particularidade de tal apoio seja concedido a um sector de actividade em concreto, uma vez que o efeito da pandemia é transversal, aceitei com a naturalidade possível, tendo em conta as condições específicas do sector. As condições são um grande número de profissionais, a maioria, desconhecidos, estagiários e tarefeiros, com salários de miséria. E trabalho sem horários. Existe, porém, uma outra realidade que tem a ver com alguns nomes sonantes, sobretudo nas televisões, que auferem ordenados milionários, maioritariamente pela popularidade de que gozam junto do público e muito pouco, pela qualidade do trabalho apresentado.
O apoio do Estado, na ordem dos 15 milhões de euros, contempla os dois grupos envolvidos neste negócio galáctico com: Impresa com 3.491.520,32 euros e a Media Capital 3.342.532,88 euros.
Cristina Ferreira e as recentes movimentações entre os dois principais grupos de comunicação, representa muito bem este paradigma. Considero-a uma péssima comunicadora, mas tenho de admitir, que se trata de uma refinada, e excelente mulher de negócio. Ou seja, a sua transferência deve ter sido uma excelente oportunidade de negócio, que ela não deixou fugir. Isto não tem nada de imoral, tendo em conta tratar-se de uma profissional liberal que faz as suas opções de carreira. Não existe é nenhuma garantia de que a ajuda do estado, nomeadamente os  não seja utilizada na resolução desta transferência, o que é uma imoralidade! Espero que o aval concedido pelo estado, tenha salvaguardado algumas condicionalidades. Imoral é também o aparente silêncio da ERC, quando tem um problema contra-ordenacional com a Média Capital, perante esta situação-
Imoral é utilização de dinheiros públicos (dos contribuintes), na resolução de um problema que afecta toda a sociedade. Imoral é admitir que este sector passe maiores dificuldades do que outros sectores, como: turismo, restauração, comércio retalhista, agricultura, pescas.
Imoral é, por exemplo, o completo e injusto abandono dos profissionais de saúde, que deram todo o seu melhor e que este esforço, não seja igualmente recompensado. Imoral é que este apoio não tivesse contemplado também todos os pensionistas, muito especialmente aqueles de mais baixos rendimentos. E todos os que se viram empurrados para o lay off ou desemprego.
Não está em causa a contratação da dita senhora. São as leis do mercado a funcionar. O que está em causa é que a ajuda de todos os contribuintes, não salvaguarde a garantia de que os montantes envolvidos, como ajuda social possa ser utilizado para outras finalidades, como por exemplo, suportar ordenados milionários, de um reduzido número de profissionais, em pé de igualdade com todos os outros – os mais necessitados.
Estamos fartos de continuar a alimentar empresas falidas. A forma como se utiliza o dinheiro de todos nós, tem que merecer muito mais cuidado e atenção. Como agora se diz, tem de haver muito mais “FRUGALIDADE”, não basta lançar dinheiro sobre os problemas.

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