sábado, 25 de julho de 2020

A SUSPENSÃO DOS DEBATES QUINZENAIS


A sugestão de Rui Rio em suspender os debates quinzenais do governo no Parlamento, só pode ser considerada uma ideia peregrina. A periodicidade passa a ser mais alargada e até com a dispensa da presença do 1º ministro, em algumas situações. Mais peregrina ainda, se levarmos em linha de conta que este governo tem tido um percurso descansado no que à oposição parlamentar diz respeito. A esquerda, apesar dos muito inflamados discursos, acaba sempre por lhe dar o seu aval naquilo que é mais importante para um governo, a aprovação do seu orçamento. Quanto à direita, encontra-se ofegante, moribunda e desaparecida em combate. As únicas voes que se fazem ouvir com algum ruído, é o Chega com um discurso populista e assente situações factuais, mas sem uma visão de conjunto para o país. O Iniciativa Liberal tem um discurso criativo e coerente, mas representa a voz de um homem só e isolado.
Mas pior do que isto tudo o que disse Rui Rio, é o argumento de que o 1º ministro preciso de tempo para trabalhar e que os debates parlamentares acabam por se tornarem monótonos e repetitivo. Se não fosse patética e ridícula uma afirmação destas, seria certamente para chorar. O papel do chefe do governo é liderar uma equipa, bastante numerosa é certo, mas foi a sua escolha; e prestar contas no Parlamento do trabalho e opções do seu gabinete. À oposição cabe-lhe apenas a tarefa de fazer o seu trabalho que, é ser oposição. A não ser que isso dê muito trabalho!
Por outro lado, a imagem que transparece dos nossos parlamentares, mesmo que injusta, é de que trabalham pouco, têm uma série de assessores, com a responsabilidade de lhes prepararem e aconselharem nas mais diversas áreas em discussão, para as suas intervenções e participação. Acabando este tipo de debates, os membros do parlamento, pode invocar-se que, agora sim, irão ter muito menos trabalho. Para além disso, os debates parlamentares com o 1º ministro, eram também uma forma dos portugueses e eleitores, formarem a sua opinião, sobre o que se passa e que opções são apresentadas para cada uma das forças representadas no Parlamento.
A solução encontrada para este diálogo, é par(a) lamentar.

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