Quando li as notícias sobre as declarações do deputado Ascenso Simões, só pensei que se tratava de mais uma fake news. Pelos vistos não! Estamos perante uma figura do Estado português a querer varrer para debaixo do tapete, um monumento que pretende representar um dos períodos mais brilhantes da nossa história - Os Descobrimentos. E porque não os Jerónimos, a Torre de Belém, o Convento de Mafra, ou o Terreiro do Paço. Também representam, de alguma forma, o nosso passado colonial. E porque não banir os Lusíadas dos curricula escolares?
A História de qualquer nação é
pontilhada por momentos gloriosos e outros dos quais não gostamos de recordar.
Nomes como Viriato, Afonso Henriques, Martim Moniz, Fernando Pessoa, Egas Moniz,
enchem-nos de orgulho. Existem outros que condenamos pelo que representaram,
como: Miguel de Vasconcelos, Salazar, ou Alves dos Reis serão sempre referidos
pelas piores razões. A ligação do nosso país à Escravatura e à Inquisição são realidades
que ninguém pode aceitar. No entanto eles aconteceram, e não existe forma
alguma de os revertermos. O povo que somos nos dias de hoje, foi moldado com
base nesta realidade, quer queiramos, quer não.
Vi uma grande contestação pública
quando os Talibãs explodiram as estátuas dos Budas gigantes no Afeganistão. No
caso presente, a questão parece não merecer uma contestação tão vigorosa.
Gostava de saber, apenas por curiosidade, o que terá sido a posição do deputado
Ascenso Simões, sobre este triste episódio? Se num caso estiveram motivações
religiosas, no outro parecem estar razões de ordem ideológica. É difícil aceitar
que a liberdade de opinião sirva para justificar qualquer um destes casos.
Considero que a História é o entendimento
que nós temos do desenvolvimento de um povo, uma sociedade, ou uma nação, ao
longo de um período de tempo alargado, num ambiente sociológico determinado, e
nos contextos onde ocorreram esses eventos, ao longo do seu passado. Esta
realidade não pode ser apagada de forma alguma. Podemos esconder uma realidade
física, mas a memória do que ela representava, perdurará para sempre. Varrer o
lixo para debaixo do tapete, não torna a casa mais limpa, apenas concentra a
sujidade. Parece ser o que o dito deputado pretende fazer ao Padrão dos
Descobrimentos. Será que queremos deixar aos nossos descendentes uma pesada
herança – um país sem História, e uma dívida pública para pagar?

O deputado Simões corria o risco de deixar a Assembleia sem deixar rasto... Que vou dizer eu para que o País não se esqueça que um político do meu gabarito passou por aqui? Terá modestamente pensado o homenzinho. E, vai daí... bomba! Por aqui também não será esquecido como um dos integrantes, (entre os outros do costume, e de todas as bancadas, e às quais agora se Chega o outro), da frente centralista contra as autonomias insulares que requereu ao Tribunal Constitucional (o Conselho dos sumo-sacerdotes) a inconstitucionalidade da chamada "lei do mar" sob a liderança da ex ministra Ana Paula Vitorino...
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