Como declaração de princípio, sou
favorável a qualquer política de vacinação, por considerar que ela representa
um dos mais importantes meios no combate a certas patologias e, até mesmo, à
irradicação de pandemias que afligiram a humanidade, ao longo dos tempos.
Fomos hoje surpreendidos com a
decisão do governo português de suspender a administração da vacina da
AstraZeneca, com base “princípio da precaução em saúde pública”. Pelo que
lemos e ouvimos, trata-se de uma decisão de caracter político, e com muito poucos
fundamentos científicos. Ao que se conhece, foram reportados uma trintena de
casos de coágulos sanguíneos em pessoas que tomaram a dita vacina, num universo
de 17 milhões de inoculações (0,0002%). %. Há uma investigação em Itália de um
lote suspeito(?) de 393 000 doses que ocasionaram 2 mortos (0.0005%). Os óbitos
por Covid 19, andam à volta dos 2%.
Ou seja, os valores dos óbitos eventualmente
atribuíveis, a uma relação de causa-efeito relacionado com esta vacina, são de
tal modo baixos, que nos parece um exagero esta tomada de decisão, quando se
fala em vacinar, vacinar, vacinar, como a forma mais eficaz de garantir,
rapidamente, a imunidade grupal. Se consultarmos as bulas que acompanham os
medicamentos que diariamente tomamos, e de forma continuada, muitas são as
advertências aos efeitos perniciosos, comuns em qualquer fármaco. Nem por isso
a comunidade médica impõe restrições absolutas, por reconhecer que os benefícios,
são superiores aos riscos associados. Mesmo a EMA e a OMS ainda não formularam
uma suspeita fundamentada a respeito destas decisões.
A notícia apresentada causou,
desde logo, alguma ansiedade em todos os que já foram vacinados com uma, ou as
duas doses desta vacina, bem como todos aqueles, que esperavam ser vacinados oportunamente.
Já para não falar do tão esburacado Plano Nacional de Vacinação, que sofre mais
um revés, onde as primeiras vítimas parecem ter sido os professores.
Penso que se tratou de uma
decisão precipitada, cientificamente pouco fundamentada, a reboque de outros países,
com um efeito alarmista sobre a população, com interferência directa no Plano
Nacional de Vacinação, mesmo antes das autoridades europeias e mundiais, terem
tomado uma posição inequívoca sobre estas suspeitas.

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