quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

NO RESCALDO DAS LEGISLATIVAS 2022

No rescaldo destas eleições quero, antes demais, fazer duas declarações de interesses: sou totalmente contra maiorias absolutas, e não morro de amores por António Costa. No primeiro caso, posso ainda acrescentar fazer sentido para mim, a célebre frase de Lord Acton “O poder absoluto corrompe, absolutamente”. Se isto não fosse suficiente, bastava recordar as maiorias absolutas de Cavaco Silva e de José Sócrates, para rejeitar esta solução. Quanto ao segundo, como já aqui expus, por mais do que uma vez neste mesmo espaço, as razões desta animosidade. Este desamor, tem apenas a ver com o político e o homem, pelo seu caracter.

Mas o povo democraticamente fez a sua escolha, reduziu o nível da abstenção, o que considero um grande feito, e vamos ter nos próximos 4 anos um governo que terá todas as condições para realizar as tão propaladas reformas de que o país tanto precisa.

Joaquim Aguiar costuma dizer que: “o povo tem sempre razão, mesmo quando não sabe a razão que tem.” Os resultados destas legislativas tiveram um desfecho em que ninguém acreditava, nem mesmo António Costa. Foi uma escolha do eleitorado, e António Costa conseguiu as condições ideais que lhe garantem a estabilidade e uma solução de governabilidade para os próximos quatro anos. Assim ele queira, ou o sonho de um cargo europeu não o desvie deste rumo.

Muitas foram as opiniões para justificar as perdas e ganhos neste plebiscito. Cada uma delas tão acertadas, ou tão erradas como as sondagens que até à sexta-feira davam um empate técnico entre os dois principais contendores. Nada nem ninguém esperava o resultado esmagador do PS, sobre toda a concorrência. Temos agora um Parlamento mais colorido e diversificado, onde a oposição irá ter um papel perfeitamente marginal. António Costa tem aquilo que queria. Esperamos que possa constituir um gabinete, numa escolha orientada pela meritocracia, de gente competente e com provas dadas. Livrar-se em definitivo dos elementos socráticos e das sombras do nepotismo que ensombraram o último executivo, é o mínimo que o país exige e espera. Estão reunidas as condições ideais para implementar todas as medidas que entender necessárias para inverter o caminho que o país estava a tomar. Não terá uma conjuntura tão favorável como a que beneficiou nos últimos 6 anos. Os tempos que se avizinham não serão muito propícios a aventuras, e parecem vir carregados de sombras muito negras: aumento da inflação, subida dos preços das matérias-primas, a mais do que provável suspensão da compra da dívida soberana pelo BCE, o conflito na Ucrânia, etc. Mas é nas dificuldades que se vêm os grandes homens. Vamos aguardar.

Estas legislativas foram implacáveis para os partidos perdedores e para com o Presidente da Republica, com a diferença que aqueles ainda podem recuperar, enquanto Marcelo dificilmente terá outra oportunidade de fazer valer as suas intenções.

 

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