No rescaldo destas eleições quero, antes demais, fazer duas declarações de interesses: sou totalmente contra maiorias absolutas, e não morro de amores por António Costa. No primeiro caso, posso ainda acrescentar fazer sentido para mim, a célebre frase de Lord Acton “O poder absoluto corrompe, absolutamente”. Se isto não fosse suficiente, bastava recordar as maiorias absolutas de Cavaco Silva e de José Sócrates, para rejeitar esta solução. Quanto ao segundo, como já aqui expus, por mais do que uma vez neste mesmo espaço, as razões desta animosidade. Este desamor, tem apenas a ver com o político e o homem, pelo seu caracter.
Mas
o povo democraticamente fez a sua escolha, reduziu o nível da abstenção, o que
considero um grande feito, e vamos ter nos próximos 4 anos um governo que terá
todas as condições para realizar as tão propaladas reformas de que o país tanto
precisa.
Joaquim
Aguiar costuma dizer que: “o povo tem sempre razão, mesmo quando não sabe a
razão que tem.” Os resultados destas legislativas tiveram um desfecho em
que ninguém acreditava, nem mesmo António Costa. Foi uma escolha do eleitorado,
e António Costa conseguiu as condições ideais que lhe garantem a estabilidade e
uma solução de governabilidade para os próximos quatro anos. Assim ele queira,
ou o sonho de um cargo europeu não o desvie deste rumo.
Muitas
foram as opiniões para justificar as perdas e ganhos neste plebiscito. Cada uma
delas tão acertadas, ou tão erradas como as sondagens que até à sexta-feira
davam um empate técnico entre os dois principais contendores. Nada nem ninguém
esperava o resultado esmagador do PS, sobre toda a concorrência. Temos agora um
Parlamento mais colorido e diversificado, onde a oposição irá ter um papel
perfeitamente marginal. António Costa tem aquilo que queria. Esperamos que
possa constituir um gabinete, numa escolha orientada pela meritocracia, de
gente competente e com provas dadas. Livrar-se em definitivo dos elementos
socráticos e das sombras do nepotismo que ensombraram o último executivo, é o
mínimo que o país exige e espera. Estão reunidas as condições ideais para
implementar todas as medidas que entender necessárias para inverter o caminho
que o país estava a tomar. Não terá uma conjuntura tão favorável como a que
beneficiou nos últimos 6 anos. Os tempos que se avizinham não serão muito
propícios a aventuras, e parecem vir carregados de sombras muito negras:
aumento da inflação, subida dos preços das matérias-primas, a mais do que
provável suspensão da compra da dívida soberana pelo BCE, o conflito na Ucrânia,
etc. Mas é nas
dificuldades que se vêm os grandes homens. Vamos aguardar.
Estas
legislativas foram implacáveis para os partidos perdedores e para com o Presidente
da Republica, com a diferença que aqueles ainda podem recuperar, enquanto
Marcelo dificilmente terá outra oportunidade de fazer valer as suas intenções.
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