Não
fazia parte dos meus planos voltar a falar nesta chaga da afecta o mais nobre
exercício democrático, que é a ABSTENÇÃO! Não porque não continue a achar que
seja uma nódoa que mancha e afecte o direito de se escolher quem nos irá governar
nos próximos quatro anos, mas por que se tornou um assunto redundante. Acontece
que a realidade da pandemia que a todos afecta, criou um imbróglio de tal ordem
monumental, que parece justificar de alguma forma que um cidadão, a quem
obrigaram a ficar em casa durante 3 meses, a quem cercearam de forma
autoritária a socialização com a própria família, que podia ir à festa do Avante,
mas não podia ir a Fátima, o condicionem a sair para ir votar, quando se estima
estar em infectados cerca de 1 milhão de portugueses a 30 de Janeiro.
Independentemente
das considerações anteriores, tudo farei para exercer este meu dever. Mas tenho
que reconhecer que haverá muita gente que irá hesitar se deverá ou não sair
para exercer a sua escolha, dadas a gravidade da situação pandémica.
Incompreensível
é que depois de dois actos eleitorais verificados em tempo de pandemia, não
tenha sido previsto um plano para fazer face a todos os problemas que agora se
verificam, um elevado número de eleitores que, mesmo infectados, desejem exercer
o seu direito de votar. Manda o bom senso que todos os cenários possíveis
tivessem sido previstos, estudados. e uma solução alternativa pudesse ser
apresentada e aprovada em tempo útil. Pelo contrário, chegamos a uma situação
prevista pelos cientistas (1 milhão de contaminados), sem que os responsáveis
estivessem em situação de apresentar uma solução que pudesse oferecer confiança
a quem se encontra naquela situação.
O
MAI pediu um parecer á Procuradoria-Geral da República a fim de saber se o
isolamento profiláctico era impeditivo de se ir votar? A PGR demorou 14 dias a
emitir a resposta (!?), e a solução encontrada, embora pareça não haver muitas
mais, capazes de serem adoptadas neste curto espaço de tempo disponível, foi a
de arranjar uma hora ao fim do dia, para além do voto antecipado. Quanto ao
parecer, a Constituição é bem clara nesse sentido, por isso não se entende a
demora na resposta. Não me parece que houvesse possibilidades de, nas actuais circunstâncias,
implementar outras alternativas. Mas há quem considere esta solução
discriminatória, difícil de concretizar por quem utiliza transportes públicos, e
mesmo um tempo reduzido para um tão elevado número de eleitores.
Embora
considere que nada justifica o abstencionismo, nas actuais circunstância, sou
levado a admitir que alguém contaminado, seja por razões de segurança, receio
ou opção de consciência o faça. Sobretudo se pensar que, quem tinha o dever de
ter antecipado este e outros cenários, não tenha planeado antecipadamente, uma
solução alternativa. E elas existem. O voto electrónico, o drive thru, voto
por correspondência, voto antecipado e desburocratizado, a votação distribuída por
vários dias, recolha domiciliária do voto, etc. Muitas são as soluções já testadas,
por isso, era importante que o Parlamento que irá sair destas eleições, eleja
como prioridade a revisão da actual Lei Eleitoral como sua prioridade.
A
forma como as forças políticas têm lidado com este assunto, ao longo dos
tempos, parece indiciar que estão muito confortáveis com uma abstenção elevada.
A mim e a muito portugueses incomoda eleger um representante, qualquer que seja
o cargo: autarca, deputado, presidente da República, com índices de abstenção a
rondar os 50%. Se outras razões não houvesse, a representatividade de qualquer
eleito nestas condições é, no mínimo, questionável.
Completamente de acordo com o aqui exposto. 👋👋
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