Muito se disse antes da decisão criminosa de Putin de invadir um país soberano. Muitos experimentados analistas de geopolítica, consideravam muito pouco provável, uma invasão da Ucrânia, e que as movimentações das tropas russas nos países fantoches dominados pela mão de ferro do ditador Putin, mais não significavam do que uma estratégia de desencorajamento das pretensões do governo ucraniano de aderir à UE e à NATO. Todas essas dúvidas foram desfeitas no discurso de Putin com difusão mundial. Ficou claro que, ao reinventar a história e a admitir que a Ucrânia, nem direito tinha a existir como estado independente, mais não era do que um pretexto para riscar do mapa das nações, um país livre[JAS1] , democrático e independente. Foi uma comunicação fria, calculista, com um décor digno do tempo dos czares, um fato de bom corte e um semblante carregado, zangado, ameaçador; o que nos pode levar a concluir que estamos na presença de um louco, ou de um ditador mais insensível que Staline ou Hitler.
A guerra começou com uma
desproporcionalidade de meios considerável, e a forma intencional como são
atingidos alvos civis, em clara violação de muitas convenções, o cerco
sistemático a todas as cidades ucranianas, deixando para o fim Kiev. Perante
esta aparente realidade, podemos imaginar que Putin estará a adoptar uma
estratégia semelhante à utilizada no genocídio de Holodomor de 1932. Estas
cidades têm sido bombardeadas por misseis de cruzeiro, disparados a partir da Rússia,
porque nos confrontos directos com as tropas ucranianas, as coisas não parecem
estar a correr como planeado, onde os bravos soldados de Volodymyr Zelensky têm
conseguido uma inusitada superioridade de resistência.
Putin com esta sua atitude
conseguiu por o mundo inteiro contra si, se exceptuarmos aqueles cinco estado
fantoches, e as sanções impostas à Rússia, vão ter um efeito devastador sobre aquele
povo. A subserviência e cegueira do PCP, admitindo que as culpas deste conflito
se podem justificar pela posição da NATO, no apoio da liberdade de um país
soberano, escolher de que lado quer estar, podem justificar o penoso caminho
que o partido está a percorrer rumo ao desaparecimento.
Por seu turno a Europa está refém
de Putin pela sua enorme dependência do gaz e petróleo russos; e dos cereais e
oleaginosas ucranianas, nunca percebeu as ambições de Vladimir Putin. Por outro
lado, o apoio à Ucrânia nunca poderá passar por uma intervenção directa, que dê
aos russos a justificação para materializar os sombrios avisos de Putin. Apesar
das sanções impostas, continua o fornecimento gás e petróleo russos,
contribuindo assim, para alimentar uma guerra que o mundo ocidental condenou de
forma indiscutível.
Ninguém sabe quanto tempo este
conflito irá demorar, e de como irá terminar. Uma coisa é certa: muitas são os
ensinamentos que o Ocidente poderá e deverá tirar das pretensões de Putin, e
seguir um dos princípios fundamentais da História, aprender a não repetir os
mesmos erros.
A resposta do mundo ocidental foram
as sanções a aplicar à Rússia, vai colocá-lo também numa situação de uma profunda
crise energética, alimentar, económica e social, a somar à crise pandémica, como
ninguém considerava possível nos tempos mais recentes. Mas nada disso é
comparável ao enorme sacrifício que foi imposto ao povo ucraniano, confrontados
com êxodo massivo de mulheres e crianças, um país destruído, e a mais que
provável vitória do invasor com a imposição de um governo ao serviço do
Kremlin. Algumas vozes se vão levantando, considerando que, mais cedo ou mais
tarde, o mundo ocidental vai ter que parar de se justificar com o receio de uma
III Guerra Mundial, e ter um papel muito mais interventivo. Ou seja, não restam
dúvidas que nada parece deter a ambição imperial de Putin de estender os
limites territoriais da Federação Russa até aos limites das fronteiras do
Império. Perante um cenário desta dimensão, há quem defenda a inevitabilidade da
entrada da NATO no conflito, com a finalidade de o evitar.
A pergunta que fica é: até onde e
até quanto iremos deixar as coisas acontecerem. Enquanto isso, o bravo povo
ucraniano, abandonado à sua sorte, resta-lhe apenas resistir.
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