quarta-feira, 16 de março de 2022

GLÓRIA À UCRÂNIA

 


Muito se disse antes da decisão criminosa de Putin de invadir um país soberano. Muitos experimentados analistas de geopolítica, consideravam muito pouco provável, uma invasão da Ucrânia, e que as movimentações das tropas russas nos países fantoches dominados pela mão de ferro do ditador Putin, mais não significavam do que uma estratégia de desencorajamento das pretensões do governo ucraniano de aderir à UE e à NATO. Todas essas dúvidas foram desfeitas no discurso de Putin com difusão mundial. Ficou claro que, ao reinventar a história e a admitir que a Ucrânia, nem direito tinha a existir como estado independente, mais não era do que um pretexto para riscar do mapa das nações, um país livre[JAS1] , democrático e independente. Foi uma comunicação fria, calculista, com um décor digno do tempo dos czares, um fato de bom corte e um semblante carregado, zangado, ameaçador; o que nos pode levar a concluir que estamos na presença de um louco, ou de um ditador mais insensível que Staline ou Hitler.

A guerra começou com uma desproporcionalidade de meios considerável, e a forma intencional como são atingidos alvos civis, em clara violação de muitas convenções, o cerco sistemático a todas as cidades ucranianas, deixando para o fim Kiev. Perante esta aparente realidade, podemos imaginar que Putin estará a adoptar uma estratégia semelhante à utilizada no genocídio de Holodomor de 1932. Estas cidades têm sido bombardeadas por misseis de cruzeiro, disparados a partir da Rússia, porque nos confrontos directos com as tropas ucranianas, as coisas não parecem estar a correr como planeado, onde os bravos soldados de Volodymyr Zelensky têm conseguido uma inusitada superioridade de resistência.

Putin com esta sua atitude conseguiu por o mundo inteiro contra si, se exceptuarmos aqueles cinco estado fantoches, e as sanções impostas à Rússia, vão ter um efeito devastador sobre aquele povo. A subserviência e cegueira do PCP, admitindo que as culpas deste conflito se podem justificar pela posição da NATO, no apoio da liberdade de um país soberano, escolher de que lado quer estar, podem justificar o penoso caminho que o partido está a percorrer rumo ao desaparecimento.

Por seu turno a Europa está refém de Putin pela sua enorme dependência do gaz e petróleo russos; e dos cereais e oleaginosas ucranianas, nunca percebeu as ambições de Vladimir Putin. Por outro lado, o apoio à Ucrânia nunca poderá passar por uma intervenção directa, que dê aos russos a justificação para materializar os sombrios avisos de Putin. Apesar das sanções impostas, continua o fornecimento gás e petróleo russos, contribuindo assim, para alimentar uma guerra que o mundo ocidental condenou de forma indiscutível.

Ninguém sabe quanto tempo este conflito irá demorar, e de como irá terminar. Uma coisa é certa: muitas são os ensinamentos que o Ocidente poderá e deverá tirar das pretensões de Putin, e seguir um dos princípios fundamentais da História, aprender a não repetir os mesmos erros.

A resposta do mundo ocidental foram as sanções a aplicar à Rússia, vai colocá-lo também numa situação de uma profunda crise energética, alimentar, económica e social, a somar à crise pandémica, como ninguém considerava possível nos tempos mais recentes. Mas nada disso é comparável ao enorme sacrifício que foi imposto ao povo ucraniano, confrontados com êxodo massivo de mulheres e crianças, um país destruído, e a mais que provável vitória do invasor com a imposição de um governo ao serviço do Kremlin. Algumas vozes se vão levantando, considerando que, mais cedo ou mais tarde, o mundo ocidental vai ter que parar de se justificar com o receio de uma III Guerra Mundial, e ter um papel muito mais interventivo. Ou seja, não restam dúvidas que nada parece deter a ambição imperial de Putin de estender os limites territoriais da Federação Russa até aos limites das fronteiras do Império. Perante um cenário desta dimensão, há quem defenda a inevitabilidade da entrada da NATO no conflito, com a finalidade de o evitar.

A pergunta que fica é: até onde e até quanto iremos deixar as coisas acontecerem. Enquanto isso, o bravo povo ucraniano, abandonado à sua sorte, resta-lhe apenas resistir.


 [JAS1]

Sem comentários:

Enviar um comentário