segunda-feira, 14 de novembro de 2022

JERÓNIMO DE SOUSA – UM GAJO PORREIRO

 


Não deve haver ninguém em Portugal que não possa ter este tipo de reacção quando se fala de Jerónimo de Sousa, pese embora diferenças ideológicas que os separam. É um político que conseguia estabelecer uma empatia natural com a generalidade das pessoas. Mesmo quando debitava a cassete oficial dos comunistas, sabia ser cordato, revelava polidez, lisura, simpatia, sem nunca perder a sua postura de comunista empedernido. Dito por outras palavras, independentemente das diferenças que o separavam da globalidade dos portugueses, penso que ele se encaixa perfeitamente naquele princípio muito nacional de o considerar – um gajo porreiro.

Isto faz-me lembrar um episódio passado nno início da minha vida profissional. Um dia, na empresa onde trabalhava, foi criado um departamento de compras. O episódio foi apresentado a alguns responsáveis pelo administrador, salientando que tinha pensado num determinado colega para a chefia deste novo departamento, e queria saber a opinião dos presentes sobre o perfil do indigitado para o cargo. Genericamente todos concordavam com a escolha, e quase todos a justificavam-na, por a dito colega ser um gajo porreiro. O administrador, respondeu, mais ou menos isto: pobre daquele que o melhor que os amigos têm para descrevê-lo, que é um gajo porreiro.

Por razões de saúde decidiu deixar a liderança do PCP, e à boa maneira comunista, tudo foi tratado no mais rígido sigilo e, com um resultado inesperado, com a indigitação de um desconhecido funcionário do partido. Que, ao contrário do Jerónimo de Sousa, que foi efectivamente operário, este a única actividade profissional que teve, foi ser funcionário partidário, para além de alguma breve experiência como padeiro e apanhador de marisco!

Apesar da simpatia e a aceitação generalizada que Jerónimo de Sousa congrega, há quem nunca lhe desculpe a posição que teve face à invasão da Ucrânia, nem o descalabro dos resultados eleitorais, durante a sua vigência como secretário-geral do PCP. Foi pela mão dele que a Geringonça viu a luz do dia (o PS só não forma governo se não quiser), talvez o maior erro de Jerónimo de Sousa. Pela minha parte continuo a achar que Jerónimo de Sousa personifica o proletário e romântico comunista, coerente e respeitador dos ditames do Partido. Incapaz de mudar de opinião, por mais evidentes que sejam as causa sem análise.

Com toda a simpatia, considero que Jerónimo de Sousa é o típico gajo porreiro, que fiel aos seus princípios e orientações, está nos antípodas do que defendo para mim, e mesmo assim não deixa de merecer a minha simpatia. Até sempre camarada. Votos de uma vida longa e feliz.

Sem comentários:

Enviar um comentário