Nasci logo após o fim da II
Guerra Mundial. Lembro-me de ouvir contar as dificuldades vividas por aqueles
passaram por aquele período, mesmo que ela se tenha desenrolado sem a participação
dos portugueses. Durante uma larga parte da minha juventude vi muitos filmes
que retratavam os horrores dessa guerra. O desembarque dos aliados nas praias
da Normandia, os grandes combates aéreos sob os céus das capitais europeias, os
Mecherschmitts alemães e os Spitfires ingleses, eram também um
elemento recorrente nesses filmes. Vimos registos dos horrores dos campos de concentração
e da forma inimaginável como tudo aquilo pôde ter acontecido.
Foi a necessidade de uma paz
duradoura para a Europa, que determinou o aparecimento daquilo que se convencionou
chamar de Guerra Fria, e que revelou o “equilíbrio “possível, com vista a
evitar um novo conflito. Com muitas oscilações, foi possível assegurar na
Europa, e por via disto, uma paz durante várias décadas. Estávamos todos
convencidos que uma nova guerra seria qualquer coisa que não estaríamos dispostos
a encarar. A queda do Muro de Berlim, veio precipitar muito deste dito
equilíbrio, por mais uma humilhação da grande mãe russa e dos países satélites
que viviam na sua sombra.
Mesmo assim, a Europa nunca
considerou, apesar de alguns avisos, a ambição imperial que Putin ia revelando.
Depois de outra humilhação da União Soviética no Afeganistão, as intenções de Vladimir
Putin em devolver à Rússia a glória e importância do tempo dos Cazres, pode
traduzir-se na invasão e anexação da Crimeia em 2014. Tudo isto com uma
complacente indiferença do Ocidente. Putin engendrou um ardiloso plano que
tinha por base dois aspectos fundamentais: a grande dependência do Ocidente do
petróleo e gás russos, por um lado. E por outro, a intenção da Ucrânia em
aderir à Nato e à EU, foram o rastilho e a justificação para o poderoso
exército russo arriscar a invasão triunfal na Ucrânia.
Quando a 24 de Fevereiro se dá a
invasão (Operação Militar Especial), todo o mundo ocidental se uniu nas sanções
e apoio militar àquele país mártir, porque uma intervenção militar só teria possibilidade
com o envolvimento da NATO. Embora tal se revelasse impossível, à luz do direito
internacional, por não ser possível invocar a violação do artigo 5 do Tratado
do Atlântico Norte
Esta guerra tem registado por
parte das forças ocupantes métodos dignos da idade média, com ataques com mísseis
disparados a distâncias consideráveis, e que visam objectivos que de militar
nada têm. No entanto, o considerável apoio militar dos países ocidentais tem
permitido à Ucrânia suportar esta guerra, com sucessos consideráveis, apesar da
enorme desproporção de meios humanos e materiais. Ou seja, os ucranianos têm
suportado os horrores de uma guerra, por solidariedade do mundo ocidental, mas
sem o seu envolvimento.
Ontem assistimos a um “teatrinho”
deprimente, quando dois responsáveis máximos do exército russo justificam a
retirada apressada (30.000 soldados em 24 horas) dos seus militares de Kherson,
como forma de os proteger de um inimigo nazi!
Todos esperavam que a população
daquele oblast russófono, recebesse as tropas ucranianas à pedrada. Tal
não aconteceu. Vimos, em Dia de São Martinho, uma população aliviada e esfusiante
celebrar os heróis ucranianos com gritos de SLAVA UKRAINE. Só espero que esta vitória
seja o caminho para a vitória total e breve. As derrotas russas são em número
crescente, e o corolário de desastrosas decisões tácticas, uma tropa
impreparada e desmotivada.
Por mera curiosidade, gostava de saber
a opinião do novo secretário-geral do PCP, sobre estes desenvolvimentos.
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