sexta-feira, 11 de novembro de 2022

KHERSON LIBERTADA – SLAVA UKRAINE

 

Nasci logo após o fim da II Guerra Mundial. Lembro-me de ouvir contar as dificuldades vividas por aqueles passaram por aquele período, mesmo que ela se tenha desenrolado sem a participação dos portugueses. Durante uma larga parte da minha juventude vi muitos filmes que retratavam os horrores dessa guerra. O desembarque dos aliados nas praias da Normandia, os grandes combates aéreos sob os céus das capitais europeias, os Mecherschmitts alemães e os Spitfires ingleses, eram também um elemento recorrente nesses filmes. Vimos registos dos horrores dos campos de concentração e da forma inimaginável como tudo aquilo pôde ter acontecido.

Foi a necessidade de uma paz duradoura para a Europa, que determinou o aparecimento daquilo que se convencionou chamar de Guerra Fria, e que revelou o “equilíbrio “possível, com vista a evitar um novo conflito. Com muitas oscilações, foi possível assegurar na Europa, e por via disto, uma paz durante várias décadas. Estávamos todos convencidos que uma nova guerra seria qualquer coisa que não estaríamos dispostos a encarar. A queda do Muro de Berlim, veio precipitar muito deste dito equilíbrio, por mais uma humilhação da grande mãe russa e dos países satélites que viviam na sua sombra.

Mesmo assim, a Europa nunca considerou, apesar de alguns avisos, a ambição imperial que Putin ia revelando. Depois de outra humilhação da União Soviética no Afeganistão, as intenções de Vladimir Putin em devolver à Rússia a glória e importância do tempo dos Cazres, pode traduzir-se na invasão e anexação da Crimeia em 2014. Tudo isto com uma complacente indiferença do Ocidente. Putin engendrou um ardiloso plano que tinha por base dois aspectos fundamentais: a grande dependência do Ocidente do petróleo e gás russos, por um lado. E por outro, a intenção da Ucrânia em aderir à Nato e à EU, foram o rastilho e a justificação para o poderoso exército russo arriscar a invasão triunfal na Ucrânia.

Quando a 24 de Fevereiro se dá a invasão (Operação Militar Especial), todo o mundo ocidental se uniu nas sanções e apoio militar àquele país mártir, porque uma intervenção militar só teria possibilidade com o envolvimento da NATO. Embora tal se revelasse impossível, à luz do direito internacional, por não ser possível invocar a violação do artigo 5 do Tratado do Atlântico Norte

Esta guerra tem registado por parte das forças ocupantes métodos dignos da idade média, com ataques com mísseis disparados a distâncias consideráveis, e que visam objectivos que de militar nada têm. No entanto, o considerável apoio militar dos países ocidentais tem permitido à Ucrânia suportar esta guerra, com sucessos consideráveis, apesar da enorme desproporção de meios humanos e materiais. Ou seja, os ucranianos têm suportado os horrores de uma guerra, por solidariedade do mundo ocidental, mas sem o seu envolvimento.

Ontem assistimos a um “teatrinho” deprimente, quando dois responsáveis máximos do exército russo justificam a retirada apressada (30.000 soldados em 24 horas) dos seus militares de Kherson, como forma de os proteger de um inimigo nazi!

Todos esperavam que a população daquele oblast russófono, recebesse as tropas ucranianas à pedrada. Tal não aconteceu. Vimos, em Dia de São Martinho, uma população aliviada e esfusiante celebrar os heróis ucranianos com gritos de SLAVA UKRAINE. Só espero que esta vitória seja o caminho para a vitória total e breve. As derrotas russas são em número crescente, e o corolário de desastrosas decisões tácticas, uma tropa impreparada e desmotivada.

Por mera curiosidade, gostava de saber a opinião do novo secretário-geral do PCP, sobre estes desenvolvimentos.

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