Vivemos nas últimas semanas, a um
triste espectáculo que envolveram um indesejado ministro da república, uma
chefe de gabinete, um adjunto, um secretário de estado da presidência do conselho
de ministros, uma ministra da justiça e um primeiro-ministro, para além dos serviços
de informação da república – leia-se secretas! Tudo isto teve origem num
lamentável episódio que envolveu um simples adjunto do dito ministro, um ajunto,
que tinha o péssimo hábito de tomar notas de todas as reuniões onde participava,
e eram muitas e um computador. A maioria das quais, estavam relacionadas com um
Plano de Restruturação de uma Companhia Aérea, sobre a qual pendia uma CPI
(comissão parlamentar de inquérito), que investigava uma indemnização milionária
a uma ex-colaboradora da dita companhia. Ora o dito adjunto, na iminência de
poder ser chamado à dita CPI, informou o seu superior que tinha umas notas que
se tivesse de ser chamado a depor teria de as divulgar. Perante isto o ministro
que assessorava, despediu-o rapidamente, e por telefone. Em face disto, o dito
adjunto apressou-se a ir ao ministério recolher o malfadado PC, para recolher
as tão badaladas notas das reuniões e, provavelmente, mais alguma coisa… Eis
senão quando, a chefe de gabinete tenta retirar o computador ao adjunto numa
cena de pancadaria, vidros partidos e uma bicicleta à mistura. Há gente que se
fecha nas casas de banho e é ordenado que o ministério seja encerrado.
Entretanto, o adjunto chama a PSP por se considerar refém. Chega a PSP, liberta
o adjunto e ele vai para casa. Entretanto, é chamado o SIS para recuperar o PC (?),
alegadamente por possuir informação classificada, que apesar disto, andava na
mochila do dito adjunto quando este a transportava pelas ruas de Lisboa, sem
que alguém tivesse disso dado boa conta.
Na descrição deste enredo tentei
que fosse o mais breve e livre de floreados, para que tudo se possa perceber
facilmente, e sem ideias pré-concebidas sobre quem tem razão em todo este
processo. Apesar dos lamentáveis incidentes registados, aquilo que tem
indignado e surpreendido os portugueses é o envolvimento das secretas para
recuperar um PC!
Ora por causa disto, a CPI, que
estava a tratar de uma coisa, tem servido para tratar de outra, na tentativa de
perceber o que se havia passado naquele ministério. Os inquiridores têm tentado
perceber duas coisas muito simples: primeiro - o porquê do envolvimento das
secretas para executar um serviço de polícia, segundo – quem deu a ordem para
tal intervenção.
Com isto temos assistido a um
jogo do gato e do rato, em que do lado dos inquiridores uma tentativa de
desenhar uma linha do tempo, onde se saiba as diligências efectuadas, e quem
ordenou a intervenção do SIS. Como aparentemente, nada justificava a tal
intervenção, vamos assistindo a uma intricada teia de argumentos em que ninguém
quer assumir qualquer tipo de responsabilidade. Mas, entretanto, o chefe deste
bando, arranjou, a solução milagrosa: que a chefe de gabinete, ao ter presenciado
o “roubo” de um equipamento que continha material classificado, fez o que lhe
competia – chamar o SIS! Diga-se que da parte do SIS, nada se sabe quanto à
justificação para realizar um mero trabalho de polícia.
Ontem fiz uma analogia sobre o
facto que a chefe de gabinete parecer neste caso o mexilhão… Fui apelidado de
ingénuo. É provável, que eu olhe para tudo isto com um nível de exigência que
devem ter os eleitos, que não está de acordo com a mediocridade que vamos
observando nos ditos cujos. A banalização que atingiu a praxis e as decisões
dos políticos que nos governam, tenho
alguma dificuldade em aceitar. “À mulher de César não lhe basta ser séria,
tem também de parecer”, não seja mais do que um simples romantismo, próprio
de um ingénuo como eu. Já não tenho idade para mudar, até porque, continuo a
pensar, que tudo o que a este respeito se tem observado é uma vergonha.

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