Este foi nome que é dado à investigação
que envolve uma série de autarcas da Câmara de Lisboa, revela alguma graça tendo
em conta que esta, envolve nomes oriundos dos dois maiores partidos
portugueses. Pelo menos desta vez, não vai haver o maniqueísmo habitual de
elencar, em cada caso que vamos tendo conhecimento, quem é o mais corrupto, ou
quem tem mais simpatizantes envolvidos em processos judiciais, se o PSD se o PS.
Para além do mais, já cansa o mantra de: à justiça o que é da justiça, à
política o que é da política! E os indícios indicarem que os eventuais
crimes, terem sido cometidos no exercício de cargos políticos, e com objectivos
políticos. Até porque, os principais envolvidos detêm neste momento cargos
relevantes nos seus partidos.
O caso sob investigação pode
resumir-se assim, o PS comprometia-se em lançar candidatos merdosos para
algumas juntas de freguesia, em contrapartida, os candidatos vencedores do PSD garantiriam
a aprovação dos orçamentos camarários. Faz lembrar aquelas hordas de bárbaros
que dividiam entre si os saques que efectuavam.
Uma vez mais tudo isto acontece,
numa investigação levada a efeito por uma televisão pública, com recurso a aparente
violação do segredo de justiça, e sem que os envolvidos tenha sido sequer
pronunciados, ou constituídos arguidos. A pergunta que se impõe é: quem é que
beneficia com esta revelação? Desde logo o canal de TV, que vai expondo em
episódios, cada um mais escabroso que o anterior, e solicitando a participação
dos seus excelsos “especialistas” que vão tecendo as mais elaboradas teorias de
condenação, ou absolvição consoante as suas preferências político partidárias. Mas
também não se podem iludir os portugueses de alguns indícios comprometedores
agora revelados, se fiquem por isso mesmo. Ou seja, em nada.
Triste é que, uma investigação
que se arrasta há pelo menos sete anos, o Ministério Público ainda não tenha
dado qualquer desenvolvimento público ao caso. Assim sendo, corremos o risco de
prescrição, com o consequente pecado de os presumidos culpados possam escapar
impunemente, ou pior ainda, se estão inocentes, não terem tido a oportunidade
de se defenderem de um caso que já caiu no domínio público.
O princípio sagrado da presunção
de inocência deve ser sempre assumido, independentemente da solidez ou fraqueza
dos indícios observados. Mas este lento caminhar da justiça, tem uma conclusão perversa:
os eventuais ofendidos não terem a possibilidade de defenderem o seu bom nome,
e os prevaricadores poderem passar impunemente sob os pingos da chuva. Para
além de tudo isto, a público anónimo ficar convencido que os poderosos poderem
sempre safar-se.

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