quinta-feira, 25 de maio de 2023

A OPERAÇÃO TUTTI FRUTTI

 

Este foi nome que é dado à investigação que envolve uma série de autarcas da Câmara de Lisboa, revela alguma graça tendo em conta que esta, envolve nomes oriundos dos dois maiores partidos portugueses. Pelo menos desta vez, não vai haver o maniqueísmo habitual de elencar, em cada caso que vamos tendo conhecimento, quem é o mais corrupto, ou quem tem mais simpatizantes envolvidos em processos judiciais, se o PSD se o PS. Para além do mais, já cansa o mantra de: à justiça o que é da justiça, à política o que é da política! E os indícios indicarem que os eventuais crimes, terem sido cometidos no exercício de cargos políticos, e com objectivos políticos. Até porque, os principais envolvidos detêm neste momento cargos relevantes nos seus partidos.

O caso sob investigação pode resumir-se assim, o PS comprometia-se em lançar candidatos merdosos para algumas juntas de freguesia, em contrapartida, os candidatos vencedores do PSD garantiriam a aprovação dos orçamentos camarários. Faz lembrar aquelas hordas de bárbaros que dividiam entre si os saques que efectuavam.

Uma vez mais tudo isto acontece, numa investigação levada a efeito por uma televisão pública, com recurso a aparente violação do segredo de justiça, e sem que os envolvidos tenha sido sequer pronunciados, ou constituídos arguidos. A pergunta que se impõe é: quem é que beneficia com esta revelação? Desde logo o canal de TV, que vai expondo em episódios, cada um mais escabroso que o anterior, e solicitando a participação dos seus excelsos “especialistas” que vão tecendo as mais elaboradas teorias de condenação, ou absolvição consoante as suas preferências político partidárias. Mas também não se podem iludir os portugueses de alguns indícios comprometedores agora revelados, se fiquem por isso mesmo. Ou seja, em nada.

Triste é que, uma investigação que se arrasta há pelo menos sete anos, o Ministério Público ainda não tenha dado qualquer desenvolvimento público ao caso. Assim sendo, corremos o risco de prescrição, com o consequente pecado de os presumidos culpados possam escapar impunemente, ou pior ainda, se estão inocentes, não terem tido a oportunidade de se defenderem de um caso que já caiu no domínio público.

O princípio sagrado da presunção de inocência deve ser sempre assumido, independentemente da solidez ou fraqueza dos indícios observados. Mas este lento caminhar da justiça, tem uma conclusão perversa: os eventuais ofendidos não terem a possibilidade de defenderem o seu bom nome, e os prevaricadores poderem passar impunemente sob os pingos da chuva. Para além de tudo isto, a público anónimo ficar convencido que os poderosos poderem sempre safar-se.

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