sábado, 9 de setembro de 2023

A DIGNIDADE DO PEDINTE

 

A dignidade do pedinte é um conceito que se refere ao respeito e à consideração que devemos ter pelas pessoas que estão em situação de mendicância ou que pedem esmolas. É importante reconhecer a humanidade e a dignidade de todas as pessoas, independentemente da sua condição socioeconómica ou situação de vida. Enquanto o pedinte quer ajuda para poder inverter a sua condição e poder recuperar e refazer a sua anterior condição de vida. Fácil é perceber que a simples esmola, invariavelmente não resolve o problema estrutural, antes perpétua a sua condição de vida.

A carta enviada por António Costa a Bruxelas a pedir ajuda para o problema da crise da Habitação em Portugal, fez-me pensar que pedir ajuda não é, por si só algo de criticável, mas esse pedido de ajuda deve encerrar uma objectiva impossibilidade de resolver uma situação.

A crise habitacional em Portugal poderia resumir-se em três campos: baixo rendimento das famílias, rendas inflacionadas e crédito à habitação mais difícil de conseguir. Este problema só pode ser resolvido de forma duradoura se resolvermos a eterna questão da lei da oferta e da procura. Ou seja, não havendo uma oferta alargada de habitação no mercado de aluguer, as famílias vêm-se na necessidade de adquirir habitação própria. Há uns anos era fácil uma família encaixar no seu rendimento a despesa contraída na compra de habitação própria. Nos dias que correm essa despesa praticamente duplicou, sem que o rendimento das famílias tivessem acompanhado esse crescimento. Nas actuais condições conjunturais (crise inflacionista, e a guerra), o problema não se resolve, nem congelando as rendas, nem atirando dinheiro para cima do assunto. Ora é por isso que ninguém quer investir no mercado de aluguer por recear: ou um congelamento de rendas ou um arrendamento compulsivo.

Se juntarmos a isto a forma como Portugal tem “torrado” muitos dos fundos comunitários em: empresas falidas, Bancos, TAP, CP, indemnizações milionárias, etc. A carta recebeu por parte de Ursula von der Leyen o destino mais do que esperado – o cesto dos papéis, com a justificação que as verbas do PRR serviam exactamente para isso. Ou seja, o pedinte não se deu ao respeito, ou actuou com muito pouca dignidade, de quem é pobre e mal agradecido.

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