A dignidade do pedinte é um
conceito que se refere ao respeito e à consideração que devemos ter pelas
pessoas que estão em situação de mendicância ou que pedem esmolas. É importante
reconhecer a humanidade e a dignidade de todas as pessoas, independentemente da
sua condição socioeconómica ou situação de vida. Enquanto o pedinte quer
ajuda para poder inverter a sua condição e poder recuperar e refazer a sua anterior
condição de vida. Fácil é perceber que a simples esmola, invariavelmente não
resolve o problema estrutural, antes perpétua a sua condição de vida.
A carta enviada por António Costa
a Bruxelas a pedir ajuda para o problema da crise da Habitação em Portugal,
fez-me pensar que pedir ajuda não é, por si só algo de criticável, mas esse
pedido de ajuda deve encerrar uma objectiva impossibilidade de resolver uma
situação.
A crise habitacional em Portugal poderia
resumir-se em três campos: baixo rendimento das famílias, rendas inflacionadas
e crédito à habitação mais difícil de conseguir. Este problema só pode ser
resolvido de forma duradoura se resolvermos a eterna questão da lei da oferta e
da procura. Ou seja, não havendo uma oferta alargada de habitação no mercado de
aluguer, as famílias vêm-se na necessidade de adquirir habitação própria. Há
uns anos era fácil uma família encaixar no seu rendimento a despesa contraída
na compra de habitação própria. Nos dias que correm essa despesa praticamente duplicou,
sem que o rendimento das famílias tivessem acompanhado esse crescimento. Nas
actuais condições conjunturais (crise inflacionista, e a guerra), o problema
não se resolve, nem congelando as rendas, nem atirando dinheiro para cima do
assunto. Ora é por isso que ninguém quer investir no mercado de aluguer por
recear: ou um congelamento de rendas ou um arrendamento compulsivo.
Se juntarmos a isto a forma como
Portugal tem “torrado” muitos dos fundos comunitários em: empresas falidas, Bancos,
TAP, CP, indemnizações milionárias, etc. A carta recebeu por parte de Ursula
von der Leyen o destino mais do que esperado – o cesto dos papéis, com a
justificação que as verbas do PRR serviam exactamente para isso. Ou seja, o
pedinte não se deu ao respeito, ou actuou com muito pouca dignidade, de quem é
pobre e mal agradecido.

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