A TAP é uma companhia de aviação portuguesa, com uma história já velhinha,
mas que ao longo dos anos prestou um serviço fundamental a todos os portugueses
e estrangeiros que a utilizaram. Foi sempre uma companhia que se impôs por duas
ordens de razão: uma que tinha a ver com questões operacionais leia-se
segurança, conforto, pontualidade e qualidade do serviço prestado; outra que
podemos classificar de circunstancial, e que nos remete para a localização do
seu hub em Lisboa, que funcionava como uma plataforma de ligação entre as
Américas do norte e do sul, e a Europa, funcionando Lisboa como porta de
entrada. Não esquecer a ligação privilegiada que a TAP sempre teve com as colónias,
quer antes, quer depois do 25 de Abril.
Desde a sua constituição em 1945 até ao 25 de Abril podemos admitir que foi um percurso de sucesso e de crescimento sustentado, ombreando com as suas congénerese ligando a diáspora à terra natal.
Com o advento do PREC e a loucura revolucionária que então se vivia, é
nacionalizada em 1975, e aí começa um nunca mais parar de problemas para uma
companhia que, até então, atravessava um trajecto de sucesso. Na década de 80
começam a tornar-se evidente graves problemas associados à crise do petróleo, e
à concorrência dos voos charter, nessa altura muito em voga.
Desde esta altura existem muitas mexidas na gestão da companhia, mas nunca
mais a companhia teve descanso. Em 2011 era primeiro-ministro José Sócrates que
leva o país à bancarrota e assume o compromisso, imposto pela Troika, de
privatizar a companhia. O processo arrasta-se por algum tempo. Passos Coelho é
eleito para cumprir o compromisso assumido por José Sócrates, e com uma TAP a
degradar-se de dia para dia, despacha a companhia para um consórcio, liderado
por um magnata da aviação, o senhor David Neeleman, com um sócio português.
De então para cá, a situação da companhia continuou a degradar-se, sem que
uma medida de fundo pudesse ser capaz de reverter o descalabro. Nos últimos
tempos temos assistido, que o caso TAP tem adquirido foros de uma telenovela
mexicana de mau gosto. Pior que tudo é perceber-se
que o actual primeiro-ministro, tem alterado a sua posição relativo ao futuro
da companhia deste a nacionalização total (as caravelas do século XXI),
a uma privatização a 50%, ou ainda uma privatização total. Não esquecer que entretanto,
para salvar a companhia, foram lá metidos 2,3 MM €, de dinheiro dos
contribuintes, além de uma série de indemnizações milionárias.
Pelos vistos vamos mandar às urtigas “as caravelas do século XXI”. Muitos não acreditam que possamos vir a recuperar
os tais 2,3 MM. Temos uma companhia que foi obrigada a ceder SLOTS do Hub de
Lisboa para empresas Low Cost.
Neste momento ninguém é capaz de dizer com verdade qual o valor real da companhia,
e quanto, e em que condições, os possíveis compradores estarão dispostos a
pagar. Receio bem que se a empresa tivesse sido “oferecida” na altura da Troika,
todos teríamos ganho alguma coisa. Ou pelo menos não teríamos perdido tanto. Naturalmente
que neste momento já só temos uma TAPzinha, com um valor de mercado depreciado
por tantas hesitações. O papel estratégico da localização do Hub de Lisboa irá,
fatalmente, ser deslocalizado para outras paragens. Com ela iremos perder uma
companhia de bandeira, um orgulho nacional e o transporte aéreo em Portugal vai
sujeitar-se as leis de mercado deste sector.

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