As recentes eleições nos Açores
vieram uma vez mais demonstrar, e tal como se esperava, quem mais beneficiou com
estado de descontentamento que se vive no país foi o CHEGA. Aliás, este é o
tipo de alimento para os populismos e os radicalismos. Mas é também uma forma simplista
de olhar para o problema. O crescimento deste partido, assenta em diversos
factores.
O CHEGA não sendo um partido de Ideais
é um partido de causas. Este fenómeno, além de muito mais cómodo, não requer
muito trabalho, porque é permanentemente alimentado pelo sucessão de “casos e
casinhos”, de que o nosso ambiente político partidário tem sido bastante
fértil. Se juntarmos a isto um descontentamento generalizado que o português, e
em particular a classe média, tem relativamente aos poderes instituídos.,
formam a onda em que cavalgam este tipo de organizações.
O partido Socialista tem dirigido
o país nos últimos oito anos e, por vontade própria fartou-se de alimentar esta
fogueira. Depois da demissão do governo, por um caso de corrupção, entendeu que
a melhor forma da sua afirmação política, seria enfraquecendo o principal
partido da oposição. A estratégia escolhida foi de colar o CHEGA, ao PSD. Por
sua vez, o PSD sem uma liderança forte foi afastando da sua área ideológica
todos aqueles que entendiam que o partido não dava a resposta que as situações
impunham. Esta orientação não se alterou, mesmo quando o líder do PSD afirmou
até à exaustão que “O não é não”.
Esta estratégia de
enfraquecimento do PSD, fez com que Ventura, feliz e satisfeito, via o seu
partido engordar. E já não só roubava votos ao PSD, como mesmo à esquerda.
Imagine-se que mesmo no Alentejo profundo, feudo comunista por excelência, o
CHEGA foi ganhando a simpatia dos descontentes! Recentes estudos de opinião
revelam que as camadas mais jovens, normalmente arredados das questões da
política nacional, vêem neste tipo de força política a resolução dos seus problemas.
Pelo contrário, os ditos partidos tradicionais, arregimentam uma camada da
população envelhecida e resignada com o Status Quo, seja porque não
entende isto, seja porque receia a mudança.
A estratégia socialista parece
não ter colhido frutos, pelo menos nos Açores. Os açorianos votaram sobretudo
naquilo que não queriam. Os 24 anos de domínio socialista pelo Clã César, ainda
estão muito presentes na memória dos açorianos. Os resultados destas eleições, muita
gente afirma não ter nada a ver com as próximas eleições a 10 de Março, podem ter
um efeito de contágio. No entanto, o panorama resultante das eleições açorianas
desembocou nesta realidade: o PSD pode formar um governo minoritário. A apresentação
do orçamento vai ser chumbado pelo CHEGA, a grande incógnita agora é saber a
posição do PS: vota contra o orçamento ao lado do CHEGA, ou viabiliza este
governo minoritário? Pelas declarações de Pedro Nuno Santos logo a seguir às
eleições, não ficou muito claro que esteja disponível para mudar o discurso. O
10 de Março está aí à porta. O PSD tem a seu favor a circunstância de poder
dispensar o apoio do CHEGA, para formar o próximo governo açoriano. Resta saber
apenas se os resultados nos Açores poderem ou não ser replicados no Continente.
Quem alimentou o monstro –
António Costa, Augusto Santos Silva e Pedro Nuno Santos colando-o ao PSD, têm
agora de lidar com esta realidade. A estratégia adoptada não parece ter dado os
resultados pretendidos, persistir na receita não parece ser muito aconselhável.
Vamos aguardar para ver.

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