Vamos ser chamados dentro em
pouco de exercer o nosso dever de cidadania, para escolher (?) um novo elenco
governativo. E o paradoxo começa exactamente no escolher! Ninguém escolhe nada.
Quando muito são os partidos que escolhem um figurão para encabeçar uma lista
por um determinado círculo eleitoral. Muitas vezes alguém totalmente desconhecido
dos locais, com pouca ou quase nenhuma ligação à terra, e que invariavelmente,
quando são eleitos vão ocupar um qualquer cargo distribuído pelo partido. Estas
próximas eleições resultam de outro paradoxo. São eleições que foram
antecipadas, apesar do executivo de dispor de uma confortável maioria absoluta,
ter caído envolto num manto de suspeições de corrupção, por alguém muito
próximo do primeiro-ministro.
Um dos candidatos a
primeiro-ministro foi escolhido pelo partido para seu secretário-geral, e
apresenta no seu currículo, ter-se demitido no anterior governo na sequência de
uma polémica indemnização, de 500.000 €, despachada por WhattsApp! Mas se isto
é assim num partido, todos os outros não oferecem um panorama mais animador.
O partido e o líder do partido
mais combatido; que diz uma coisa hoje e no dia seguinte afirma o seu contrário,
e que tem usado como bandeiras de campanha princípios que são objectivamente
anticonstitucionais, é aquele que mais cresce nas intenções de votos!
Temos sido bombardeados com um
número exagerado de debates, cujo formato é, no mínimo discutível (15minutos
para cada participante). Depois seguem-se intermináveis horas de “opinadores” e
especialistas, que dão umas notas obedecendo a critérios, eles próprios difíceis
de compreender. Tem melhor performance o que fala mais, fala mais alto, interrompe
mais, ou insulta mais! Promete-se tudo e a todos, mesmo quando essas promessas
são impossíveis de encaixar do ponto de vista orçamental. Promete-se aquilo que
antes se condenava.
O número de indecisos nos estudos
de opinião que vão sendo conhecidos, vai aumentando a cada um que sai. Ou seja,
quando mais o processo eleitoral avança, mais são os eleitores que não
conseguem avaliar se a sua escolha pode ter algum significado nas suas vidas. Com
pulverização do espectro partidário a escolha do eleitor parece tornar-se paradoxalmente
mais complicada.
Com tanto paradoxo, corremos
ainda o risco de fazermos uma boa escolha e obter o pior resultado, o que
também não seria novidade.

Sem comentários:
Enviar um comentário