terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

LEGISLATIVAS 2024 – UM PARADOXO ELEITORAL

 

Vamos ser chamados dentro em pouco de exercer o nosso dever de cidadania, para escolher (?) um novo elenco governativo. E o paradoxo começa exactamente no escolher! Ninguém escolhe nada. Quando muito são os partidos que escolhem um figurão para encabeçar uma lista por um determinado círculo eleitoral. Muitas vezes alguém totalmente desconhecido dos locais, com pouca ou quase nenhuma ligação à terra, e que invariavelmente, quando são eleitos vão ocupar um qualquer cargo distribuído pelo partido. Estas próximas eleições resultam de outro paradoxo. São eleições que foram antecipadas, apesar do executivo de dispor de uma confortável maioria absoluta, ter caído envolto num manto de suspeições de corrupção, por alguém muito próximo do primeiro-ministro.

Um dos candidatos a primeiro-ministro foi escolhido pelo partido para seu secretário-geral, e apresenta no seu currículo, ter-se demitido no anterior governo na sequência de uma polémica indemnização, de 500.000 €, despachada por WhattsApp! Mas se isto é assim num partido, todos os outros não oferecem um panorama mais animador.

O partido e o líder do partido mais combatido; que diz uma coisa hoje e no dia seguinte afirma o seu contrário, e que tem usado como bandeiras de campanha princípios que são objectivamente anticonstitucionais, é aquele que mais cresce nas intenções de votos!

Temos sido bombardeados com um número exagerado de debates, cujo formato é, no mínimo discutível (15minutos para cada participante). Depois seguem-se intermináveis horas de “opinadores” e especialistas, que dão umas notas obedecendo a critérios, eles próprios difíceis de compreender. Tem melhor performance o que fala mais, fala mais alto, interrompe mais, ou insulta mais! Promete-se tudo e a todos, mesmo quando essas promessas são impossíveis de encaixar do ponto de vista orçamental. Promete-se aquilo que antes se condenava.

O número de indecisos nos estudos de opinião que vão sendo conhecidos, vai aumentando a cada um que sai. Ou seja, quando mais o processo eleitoral avança, mais são os eleitores que não conseguem avaliar se a sua escolha pode ter algum significado nas suas vidas. Com pulverização do espectro partidário a escolha do eleitor parece tornar-se paradoxalmente mais complicada.

Com tanto paradoxo, corremos ainda o risco de fazermos uma boa escolha e obter o pior resultado, o que também não seria novidade.

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