sexta-feira, 5 de abril de 2024

TEMOS NOVO GOVERNO – E AGORA?

As últimas eleições revelaram aquilo que todos sentíamos – o povo queria uma mudança. Talvez não soubesse bem o que mudar, mas definitivamente, queria algo diferente. A realidade subsequente, não deixa margem para dúvidas. O CHEGA conseguiu uma vitória esmagadora, o PS teve uma derrota evidente, e a AD obteve uma vitória pífia. Dito por outras palavras, a espectro político deixou o bipartidarismo, protagonizado pelos dois partidos do centrão, para assumir uma realidade de em que 3 partidos concentram 75,09% dos votos expressos.

Este novo cenário torna difícil o papel do governo, pela dificuldade da formação de consensos parlamentares que excluam o CHEGA. Por outro lado, o PS enfrenta o dilema de ter de votar algumas propostas do governo, sob pena de evitar: ou o seu derrube, e a eventualidade de eleições antecipadas, ou deixar Luís Montenegro sem margem de maior. Talvez seja por isso que, Pedro Nuno Santos insiste em viabilizar um orçamento rectificativo, que ainda não se sabe da sua necessidade.

Luís Montenegro conseguiu formar um gabinete com alguma credibilidade, quando muitos vaticinavam que ninguém quereria entrar para um governo que se arrisca a durar pouco menos de 1 ano. Mas será que isto, por si só, será suficiente? Certamente que na generalidade dos escolhidos se pode reconhecer mérito e competência, mas as promessas de Montenegro durante a campanha, serão muito difíceis de resolver. O não cumprimento dessas promessas, vai despoletar contestação, como já se observa.

O governo está mudado, e a primeira medida que tomou foi a reversão do logotipo do que representa. Estou à vontade sobre este tema, porque aqui já o abordei especificamente. Não gosto da simplificação dos símbolos da República, por entender que, esteticamente não são apelativos, e que o anterior, reunia algum consenso. Há os puristas que enaltecem a projecto do designer Eduardo Aires que afirmou de forma maniqueísta: o seu trabalho suscitou “uma profunda divisão cultural entre os sectores tradicionais e progressistas da sociedade” , e ainda os que defendem que a simplificação do novo logotipo, é muito mais fácil de trabalhar digitalmente. Uma coisa é certa, existem assuntos muito mais prementes, para resolver, mas sobre tudo o mais, pouco ou nada se sabe!

Luís Montenegro não vai ter estado de graça. Esperava-se que na primeira reunião do seu gabinete tivesse apontado para decisões muito mais substantivas do que a mera alteração do logotipo do governo. Os professores, as forças de segurança, as medidas sobre o SNS , a escola e a habitação, apenas se sabe que o excedente não será suficiente para acomodar tanta reivindicação. Igualmente a decisão sobre o novo aeroporto – nada! O tempo passa e os eleitores aguardam pelas promessas em tempo de campanha.

Do que se viu, a montanha parece ter parido um rato. É caso para perguntar a Luís Montenegro, depois de um prolongado silêncio, e agora? Se “o não é não”, e o PS não quiser novas eleições, vai ter de engolir alguns sapos, parece ser a única certeza.

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