As últimas eleições revelaram aquilo que todos sentíamos – o povo queria uma mudança. Talvez não soubesse bem o que mudar, mas definitivamente, queria algo diferente. A realidade subsequente, não deixa margem para dúvidas. O CHEGA conseguiu uma vitória esmagadora, o PS teve uma derrota evidente, e a AD obteve uma vitória pífia. Dito por outras palavras, a espectro político deixou o bipartidarismo, protagonizado pelos dois partidos do centrão, para assumir uma realidade de em que 3 partidos concentram 75,09% dos votos expressos.
Este novo cenário torna difícil o
papel do governo, pela dificuldade da formação de consensos parlamentares que
excluam o CHEGA. Por outro lado, o PS enfrenta o dilema de ter de votar algumas
propostas do governo, sob pena de evitar: ou o seu derrube, e a eventualidade
de eleições antecipadas, ou deixar Luís Montenegro sem margem de maior. Talvez
seja por isso que, Pedro Nuno Santos insiste em viabilizar um orçamento
rectificativo, que ainda não se sabe da sua necessidade.
Luís Montenegro conseguiu formar
um gabinete com alguma credibilidade, quando muitos vaticinavam que ninguém
quereria entrar para um governo que se arrisca a durar pouco menos de 1 ano.
Mas será que isto, por si só, será suficiente? Certamente que na generalidade
dos escolhidos se pode reconhecer mérito e competência, mas as promessas de
Montenegro durante a campanha, serão muito difíceis de resolver. O não
cumprimento dessas promessas, vai despoletar contestação, como já se observa.
O governo está mudado, e a
primeira medida que tomou foi a reversão do logotipo do que representa. Estou à
vontade sobre este tema, porque aqui já o abordei especificamente. Não gosto da
simplificação dos símbolos da República, por entender que, esteticamente não
são apelativos, e que o anterior, reunia algum consenso. Há os puristas que
enaltecem a projecto do designer Eduardo Aires que afirmou de forma maniqueísta:
o seu trabalho suscitou “uma profunda divisão cultural entre os sectores
tradicionais e progressistas da sociedade” , e ainda os que defendem
que a simplificação do novo logotipo, é muito mais fácil de trabalhar
digitalmente. Uma coisa é certa, existem assuntos muito mais prementes, para
resolver, mas sobre tudo o mais, pouco ou nada se sabe!
Luís Montenegro não vai ter estado
de graça. Esperava-se que na primeira reunião do seu gabinete tivesse apontado
para decisões muito mais substantivas do que a mera alteração do logotipo do
governo. Os professores, as forças de segurança, as medidas sobre o SNS , a
escola e a habitação, apenas se sabe que o excedente não será suficiente para
acomodar tanta reivindicação. Igualmente a decisão sobre o novo aeroporto –
nada! O tempo passa e os eleitores aguardam pelas promessas em tempo de campanha.
Do que se viu, a montanha parece
ter parido um rato. É caso para perguntar a Luís Montenegro, depois de um
prolongado silêncio, e agora? Se “o não é não”, e o PS não quiser novas eleições,
vai ter de engolir alguns sapos, parece ser a única certeza.

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