Pedro Nuno Santos (PNS) diz: “que prefere perder eleições a abdicar de convicções”. Estas afirmações vindas de um político irreverente e controverso não podem evitar uma sensação de alguma perplexidade!
PNS combina um misto de
qualidades e defeitos numa mesma pessoa de forma equilibrada (?), segundo dizem).
É voluntarioso, determinado, impulsivo, qualidades que num político têm a
particularidade de congregar uma alargada quantidade de indefectíveis apoiantes,
que estão dispostos a desculpar qualquer pequeno defeito que ele possa
apresentar. Quando o antigo líder se pôs ao fresco, para outras paragens, é
evidente que o cheiro a poder só pode ser imaginando ao lado do novo líder.
Acontece, porém, que esta nova etapa
da vida de PNS, não se traduziu da forma que ele certamente imaginava. Ou seja,
a primeira prova de fogo a que foi submetido (as últimas legislativas), não lhe
correram da melhor maneira. Na verdade, os resultados deste escrutínio, vieram
configurar uma inusitada composição parlamentar, com a formação de três blocos
distintos: a extrema-esquerda, extrema-direita, e o centro reclamado por PS e a
coligação AD. Esta nova composição parlamentar, trouxe à evidência uma realidade:
a coligação só pode garantir uma maioria parlamentar com a colaboração do CHEGA
ou do PS.
Se recuarmos um pouco no tempo, e
considerando a pressão exercida sobre Montenegro para um entendimento com o
CHEGA por parte do PS foi, se quisermos, uma pedra atirada que fez ricochete.
Ou seja, condicionaram Luís Montenegro a comprometer-se com o “Não é não”.
Depois de tudo isto apareceu a
novela do Orçamento do Estado. Luís Montenegro só poderá ter o seu orçamento
aprovado, com uma viabilização por parte do PS. Pedro Nuno Santos no sei jeito
habitual, afirmou que não me peçam para aprovar um orçamento com o qual não
concorda, o que é perfeitamente legítimo e compreensível. As alternativas são
apenas duas, considerando que Montenegro manifestar a sua indisponibilidade
para governar com duodécimos: ou um acordo com o CHEGA, ou um cenário de
eleições antecipadas, que, aparentemente ninguém quer, apesar de provavelmente
o menos prejudicado com tal cenário fosse o PSD.
Mas voltando às convicções de
PNS, faz-me lembrar o episódio por ele protagonizado no anúncio do novo
aeroporto no Montijo (o tempo deu-lhe razão). Fê-lo à revelia de António Costa
(ausente do país) e por pura convicção de que aquela era a localização ideal
para o novo aeroporto. No dia seguinte, teve de engolir um monumental sapo e
reverter a sua decisão. Em pouco mais de dois anos, PNS parece ter aprendido a
lição das convicções, só que naquela altura decidiu ficar apesar do vexame.
Agora esta decidido a levar a sua convicção por diante (com alguma contestação
interna). Não sei se os autarcas socialistas ficaram muito satisfeitos com
tanta convicção. Não esqueçamos que estes socialistas têm eleições autárquicas
no próximo ano e a execução dos projectos do PRR. Vamos aguardar para ver até
onde PNS está disposto a levar as suas convicçãoes.

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