quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

SEGURANÇA - UM QUESTÃO ACTUAL

 

Muito se tem falado ultimamente sobre o problema da segurança no país, e muito em particular na área metropolitana de Lisboa. O caso mais recente, assentou na intervenção da polícia na rua do Bemformoso, que despoletou uma discussão, traduzida numa visão maniqueísta entre aqueles que acham justificável a acção policial, e dos outros que consideram um abuso condenável. As recentes manifestações realizadas no Martin Moniz, apenas mostram uma visão radicalizada de um problema real.

A segurança ou a falta desta é uma preocupação de qualquer um de nós. Quem se já se debruçou sobre esta questão, sabe que ela constitui uma necessidade fisiológica (Maslow 1943). Ou seja, definiu-se que as necessidades de segurança são, em conjunto com a alimentação, o sexo, o abrigo, as condições necessárias para o seu bem-estar. Maslow vê a segurança numa perspectiva global que pressupõe a segurança, pessoal, de saúde, financeira e social.

O assunto também tem suscitado uma acesa discussão sobre a realidade observável e documentada, em oposição à percepção que as pessoas têm da sua segurança. No meu modesto entendimento, uma realidade observável, não invalida uma percepção de insegurança. Considerar que um local é tranquilo e seguro, porque as pessoas não o frequentam por uma percepção do contrário, não justifica nem uma nem outra posição.

A título de exemplo, podemos considerar Santarém uma cidade pacata, e segura, corroborado por baixos índices de criminalidade. No entanto, percorrer o seu centro histórico à noite pode revelar-se uma experiência assustadora.  Muito provavelmente, é isso que justifica que após o por do sol, esse mesmo centro histórico fique deserto. O facto de apesar disto, o município ter mandado instalar 26 câmaras de vídeo com o objectivo de: “…prevenir crimes, ajuda a monitorizar as áreas de risco, ajuda a prevenir o vandalismo, vai ajudar a dissuadir este tipo de actividades…”, aponta também no mesmo sentido – revela a percepção que é preciso estar atento. Por outro lado, uma cidade pode considerar-se segura se os seus habitantes, estejam recolhidos em casa, apenas porque assim se sentem mais seguros?

Varrer o assunto para debaixo do tapete não será, certamente, a solução ideal. A emigração não é, por si só, um problema de segurança. Mas não podemos ignorar que, associado a isto existem factores preocupantes como sejam, as redes de tráfico humano, constituídas por gangues organizados que disputam entre si o domínio de certas áreas. Esta nova onda migratória, em nada se parece com movimentos recentes de emigrante de leste, quer no que diz respeito à sua integração, quer ainda pelo exotismo de uma cultura que em nada se parece com a nossa.

Pelos vistos, o momento impõe uma discussão séria sobre o assunto, sem preconceitos nem radicalismos. A própria situação de Portugal ser considerado um país seguro, deve impor que tudo se faça para que tal se continue a verificar. Mas mais importante ainda, é que cada um de nós não encontre razões para por isto em causa.

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