Muito se tem falado ultimamente sobre
o problema da segurança no país, e muito em particular na área metropolitana de
Lisboa. O caso mais recente, assentou na intervenção da polícia na rua do Bemformoso,
que despoletou uma discussão, traduzida numa visão maniqueísta entre aqueles
que acham justificável a acção policial, e dos outros que consideram um abuso
condenável. As recentes manifestações realizadas no Martin Moniz, apenas
mostram uma visão radicalizada de um problema real.
A segurança ou a falta desta é
uma preocupação de qualquer um de nós. Quem se já se debruçou sobre esta
questão, sabe que ela constitui uma necessidade fisiológica (Maslow 1943). Ou
seja, definiu-se que as necessidades de segurança são, em conjunto com a
alimentação, o sexo, o abrigo, as condições necessárias para o seu bem-estar. Maslow
vê a segurança numa perspectiva global que pressupõe a segurança, pessoal, de
saúde, financeira e social.
O assunto também tem suscitado
uma acesa discussão sobre a realidade observável e documentada, em oposição à
percepção que as pessoas têm da sua segurança. No meu modesto entendimento, uma
realidade observável, não invalida uma percepção de insegurança. Considerar que
um local é tranquilo e seguro, porque as pessoas não o frequentam por uma percepção
do contrário, não justifica nem uma nem outra posição.
A título de exemplo, podemos considerar
Santarém uma cidade pacata, e segura, corroborado por baixos índices de
criminalidade. No entanto, percorrer o seu centro histórico à noite pode
revelar-se uma experiência assustadora. Muito provavelmente, é isso que justifica que
após o por do sol, esse mesmo centro histórico fique deserto. O facto de apesar
disto, o município ter mandado instalar 26 câmaras de vídeo com o objectivo de:
“…prevenir crimes, ajuda a monitorizar as áreas de risco, ajuda a prevenir o
vandalismo, vai ajudar a dissuadir este tipo de actividades…”, aponta
também no mesmo sentido – revela a percepção que é preciso estar atento. Por
outro lado, uma cidade pode considerar-se segura se os seus habitantes, estejam
recolhidos em casa, apenas porque assim se sentem mais seguros?
Varrer o assunto para debaixo do
tapete não será, certamente, a solução ideal. A emigração não é, por si só, um
problema de segurança. Mas não podemos ignorar que, associado a isto existem
factores preocupantes como sejam, as redes de tráfico humano, constituídas por
gangues organizados que disputam entre si o domínio de certas áreas. Esta nova
onda migratória, em nada se parece com movimentos recentes de emigrante de
leste, quer no que diz respeito à sua integração, quer ainda pelo exotismo de
uma cultura que em nada se parece com a nossa.
Pelos vistos, o momento impõe uma
discussão séria sobre o assunto, sem preconceitos nem radicalismos. A própria
situação de Portugal ser considerado um país seguro, deve impor que tudo se
faça para que tal se continue a verificar. Mas mais importante ainda, é que
cada um de nós não encontre razões para por isto em causa.

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